Campanha "Cor é Vida", de 2019, usa a cor dos alimentos para orientar a montagem de refeições; órgãos oficiais reforçam o papel da alimentação na prevenção do câncer.
Um guia de cores dos alimentos, criado pelo Grupo Oncoclínicas, orienta o público a montar um cardápio saudável variando frutas, legumes e verduras de acordo com a cor. O material, que ainda circula e trata da prevenção e do apoio ao tratamento do câncer, faz parte da campanha "Cor é Vida – Alimente-se de saúde", de 2019, conforme informa o próprio site do grupo. Órgãos de saúde, como o INCA e a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), também destacam a alimentação entre os fatores que influenciam o risco da doença.
O que é o guia
Segundo o site Destaque1, o corpo clínico e a equipe de nutrição da Oncoclínicas prepararam o guia para o público em geral. Ele traz dicas práticas para quem faz tratamento oncológico e para quem quer manter uma alimentação equilibrada.
As peças da campanha usam as cores dos alimentos para mostrar o benefício de cada uma. O hotsite do movimento tem ainda um quiz para o internauta testar o que sabe sobre os alimentos e suas propriedades.
O que dizem os especialistas do grupo
Tatiane Sousa, nutricionista do Núcleo de Oncologia da Bahia (NOB), do Grupo Oncoclínicas, recomenda variar cores e ingredientes e comer um pouco de cada grupo alimentar. Ela indica cinco porções diárias de frutas, legumes e verduras e orienta evitar carnes processadas e salgadas, de acordo com o Destaque1.
Priscila Po Cheung, nutricionista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), explicou, segundo o site Vida e Ação, que antocianinas e carotenoides são antioxidantes e também dão cor, aroma e sabor aos alimentos. O oncologista do CPO Daniel Gimenes afirmou que os elementos dessa "cartela de cores" atuam em várias fases do corpo celular, o que beneficiaria tanto quem busca prevenir doenças quanto quem está em tratamento, inclusive de câncer.
A mesma reportagem informa que alimentos verdes, roxos e vermelhos são os mais recomendados por sua propriedade antioxidante. De acordo com o texto, eles ajudariam a melhorar a imunidade e favorecer a resposta aos medicamentos.
Sobre outros pigmentos, a nutricionista cita a clorofila, presente nos verdes, e o betacaroteno, nos amarelos e laranjas. Em outro trecho da campanha, o grupo afirma que o licopeno, dos vermelhos, pode ajudar a prevenir doenças como os cânceres de próstata e de pulmão.
A nutricionista Larissa Ariel Oliveira Carrilho, especialista em nutrição oncológica e doutoranda na Unicamp, disse ao site Oncoguia que alimentos ricos em carotenoides, como vegetais amarelos, laranjas e vermelhos, demonstraram reduzir o risco de tumores de cabeça e pescoço.
A posição do INCA e do Ministério da Saúde
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda manter o peso adequado e ser fisicamente ativo. A dieta deve ser rica em cereais integrais, vegetais, frutas e leguminosas, com limite para carne vermelha, carne processada e álcool, e evitando ultraprocessados e bebidas açucaradas, segundo o Oncoguia.
Conforme a CNN Brasil, o INCA estima que cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados com mudanças no estilo de vida. O instituto indica ao menos 150 minutos de atividade física por semana. Bruna Pitasi, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do INCA, afirmou que pelo menos 12 tipos de câncer podem ser prevenidos com alimentação saudável, atividade física regular e menor consumo de carnes processadas e álcool.
O Ministério da Saúde alerta que os ultraprocessados costumam ter poucas fibras, importantes na prevenção de vários tipos de câncer, de doenças do coração e do diabetes, segundo a Abrale. O Guia Alimentar para a População Brasileira, de 2014, tem como regra central preferir alimentos in natura ou minimamente processados.
Números variam conforme a fonte
A Agência Estadual de Notícias do Paraná (AEN) informou que, segundo a Sesa, até 50% dos cânceres são evitáveis e que 80% a 90% dos casos têm relação com fatores ambientais, cigarro, álcool, sol e alimentação não saudável.
A Oncoclínicas apresenta, em seu site, duas cifras: 85% e de 80% a 90% dos casos associados a hábitos de vida e fatores ambientais. Já o INCA aponta cerca de 30% de casos evitáveis e diz que a alimentação inadequada é a segunda causa evitável da doença, responsável por até 20% dos casos em países em desenvolvimento, como o Brasil.
Os percentuais não medem necessariamente a mesma coisa. Alguns se referem à relação com fatores ambientais e de estilo de vida; outros, à parcela dos casos que poderia ser evitada.
Fontes: Grupo Oncoclínicas, INCA, Agência Estadual de Notícias do Paraná, CNN Brasil, Oncoguia, Abrale, Destaque1, Vida e Ação, Ministério da Saúde.



