Entidade e especialistas explicam o que a pele faz, como se renova e quais hábitos ajudam a protegê-la, do uso diário de protetor solar à consulta preventiva.
Mais da metade da população brasileira nunca passou por uma consulta com dermatologista. Segundo levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a divisão de Beleza Dermatológica da L'Oréal no Brasil, 54% dos brasileiros, o equivalente a mais de 100 milhões de pessoas, nunca foram ao especialista. A pele, maior e mais visível órgão do corpo, segundo a SBD, exige cuidados que variam de pessoa para pessoa.
O dado ajuda a explicar a preocupação de entidades médicas e de profissionais do Paraná, como a dermatologista Lauren Morais, de Curitiba, em reforçar orientações básicas de prevenção.
O que é a pele e como ela funciona
De acordo com a SBD, a pele tem três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A epiderme abriga os queratinócitos e os melanócitos, células que produzem a melanina, pigmento responsável pelo tom da pele.
A derme reúne fibroblastos, vasos sanguíneos, glândulas sebáceas e sudoríparas, nervos, receptores sensoriais e folículos pilosos. Já a hipoderme é formada por células de gordura, que dão volume e contorno à pele.
As fontes consultadas divergem sobre as dimensões do órgão. Lauren Morais fala em cerca de 2 metros quadrados de área. Sobre o peso, uma cartilha da SBD dedicada à pele de idosos indica cerca de 15% do peso corporal, enquanto a Skin Cancer Foundation, entidade norte-americana, cita entre 10% e 15%.
Além de proteger, a pele regula a temperatura do corpo e pode sinalizar desequilíbrios internos, segundo dermatologistas.
Renovação constante
A pele se renova de forma contínua. Lauren Morais afirma que o processo se completa, em média, a cada 27 dias. A Skin Cancer Foundation diz que as células novas levam cerca de um mês para chegar à superfície e que, aos 60 ou 70 anos, esse ciclo pode levar de seis a oito semanas.
A mesma entidade informa que a pele perde cerca de 30 mil células por minuto. A camada mais superficial, o estrato córneo, tem de 5 a 10 fileiras de células achatadas e mortas, preenchidas por queratina.
Quem procura o dermatologista
No levantamento da SBD com a L'Oréal, a prevenção de doenças foi o principal motivo para consultar o especialista, citado por 38% dos participantes. Entre os homens, segundo o material consultado, ainda é comum a ideia de que cuidar da pele é assunto feminino.
O mutirão de 2024 da SBD reflete essa diferença: 61,29% dos atendimentos foram com mulheres e 38,71% com homens. O presidente da entidade, Carlos Barcaui, disse que o número mostra a maior preocupação das mulheres com a saúde e que os homens também precisam cuidar da pele.
Outra pesquisa da SBD, feita com 1,2 mil dermatologistas, apontou acne, psoríase, câncer de pele e dermatite atópica como os problemas mais diagnosticados.
A SBD usou o lema "Sua pele fala, só o dermatologista entende!" na campanha do Dia do Dermatologista, comemorado em 5 de fevereiro. Barcaui afirma que a população esquece que a pele precisa de atenção e de cuidados individualizados. O Dia Mundial da Saúde da Pele, iniciativa da ILDS e da ISD, é lembrado em 8 de julho.
Sol e câncer de pele
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) recomenda o uso diário de protetor solar com fator de proteção (FPS) superior a 30, além de camisetas, chapéus e óculos escuros, e a exposição ao sol fora do período entre 9h e 15h.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) orienta reaplicar o filtro após mar ou piscina, evitar o sol entre 9h e 16h, usar óculos com proteção UV e fazer dermatoscopia, exame que avalia lesões na pele, uma vez por ano. Os horários de maior risco, portanto, variam conforme a instituição.
Segundo reportagem do UAI de 2 de outubro de 2026, o guia da Academia Americana de Dermatologia recomenda protetor de amplo espectro, com FPS 30 ou mais e resistente à água. A matéria alerta que usar o produto apenas na praia deixa a pele exposta nas atividades do dia a dia. Dermatologistas indicam renovar a aplicação ao longo do dia, principalmente após suar, nadar ou se secar.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano no Brasil entre 2026 e 2028, mais de 30% dos diagnósticos de câncer. A publicação foi divulgada em 4 de fevereiro de 2026, Dia Mundial do Câncer, e projeta cerca de 781 mil casos de câncer por ano no país.
Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia, L'Oréal Brasil, dermatologista Lauren Morais, TRE-PR, SBCO, INCA, Skin Cancer Foundation e UAI.



