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Varizes: cirurgiã desfaz mitos; no Paraná, cirurgias no SUS caíram 84% em 2021

Segundo a médica Aline Lamaita, genética, idade e sexo pesam mais que calça justa ou salto alto. No Paraná, a SBACV aponta queda de 84% nas operações pelo SUS em 2021.

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Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Foto: Imagem gerada por IA/Paranashop
Nesta matéria
  1. O que pesa mais no risco
  2. Calça justa e salto alto
  3. Números no Brasil e no Paraná
  4. O que a Saúde estadual informa

Médica afirma que hábitos do dia a dia agravam o problema, mas não o originam; dados da SBACV mostram o tamanho do impacto da pandemia nas cirurgias no Paraná.

Genética, idade e sexo são os três principais fatores de risco para as varizes, e hábitos como usar calça justa ou salto alto não estão entre as causas diretas da doença. A avaliação é da cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), em material divulgado em março de 2021 e retomado agora pelo Paranashop. O tema interessa ao Paraná, onde as cirurgias de varizes pelo SUS caíram 84% em 2021 em relação a 2019, segundo a SBACV.

O que pesa mais no risco

As varizes são veias dilatadas e tortuosas que perderam a função, o que provoca danos estéticos e circulatórios. De acordo com a médica, o fator genético é o preponderante, e o envelhecimento funciona como agravante.

As mulheres são mais propensas, por influência hormonal, já que têm as veias mais flácidas que as dos homens, explicou a especialista. Ela também citou gravidez, obesidade e permanecer muito tempo em pé, ou sentado com as pernas cruzadas ou curvadas, como situações que podem comprometer a circulação.

Segundo Lamaita, as varizes do sistema venoso externo podem causar dor, ardência, sensação de peso nas pernas e tornozelos e coceira. Dependendo do grau, podem levar a úlceras varicosas. A médica ressalta que não existe prevenção absoluta, mas há medidas para retardar o aparecimento do problema ou melhorar a circulação.

Calça justa e salto alto

Sobre a calça justa, a cirurgiã afirma que o receio é um mito. Segundo ela, a circulação só fica comprometida se a peça apertar a ponto de funcionar como um garrote. Já as meias de compressão elástica, de uso medicinal, são "extremamente benéficas" para a circulação, nas palavras da médica.

Quanto ao salto alto, ela responde que não provoca varizes, pois não há consenso na literatura científica de que o uso prolongado cause a doença. Ressalva, porém, que alguns estudos sugerem prejuízo no retorno venoso, e que o uso contínuo altera a postura, encurta o tendão de Aquiles e provoca problemas ortopédicos.

Para quem usa salto com frequência, existe consenso entre os médicos de que o mais adequado é alternar a altura dos sapatos, segundo Lamaita.

Números no Brasil e no Paraná

Uma estimativa da SBACV, repetida pela imprensa, indica que cerca de 38% dos brasileiros convivem com varizes: 45% das mulheres e 30% dos homens. Um estudo do Hospital Israelita Albert Einstein, divulgado em julho de 2026, aponta que entre 30% e 40% dos adultos têm algum grau de insuficiência venosa crônica. Há estimativas menores: uma revisão internacional com 32 estudos calculou em 19% a prevalência de varizes clinicamente definidas entre adultos.

O levantamento do Einstein, publicado na revista Annals of Vascular Surgery, analisou mais de 1,2 milhão de cirurgias de varizes entre 2015 e 2023, com dados da ANS e do DATASUS. Mulheres representaram 78% das operações. A região Sul concentrou 17,5% dos procedimentos, contra 62% do Sudeste.

O estudo também apontou desigualdade de acesso. Cerca de 75% da população depende exclusivamente do SUS, mas a taxa de cirurgias na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior. O cirurgião vascular Bruno Jeronimo Ponte, um dos autores, afirmou que o trabalho é um primeiro passo e que os dados devem orientar políticas públicas.

No Paraná, a SBACV informou que as cirurgias de varizes pelo SUS caíram 84% em 2021 em relação a 2019, durante a pandemia. A média nacional da queda foi de 69%, e a da região Sul, de 71%.

O que a Saúde estadual informa

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) implantou em 2022 o programa Opera Paraná, cujos procedimentos incluem o tratamento cirúrgico de varizes. Segundo a Sesa, as cirurgias pelo SUS no estado subiram 107% entre 2021 e 2024, de 331.787 para 687.245. Esse número se refere ao conjunto das cirurgias, e não só às de varizes.

Em balanço apresentado em 20 de outubro na Assembleia Legislativa, a Sesa informou que a fila de cirurgias eletivas no sistema CARE caiu 41% no segundo quadrimestre de 2026, acima da meta de 26%. O secretário César Neves disse que o estado realiza cerca de 2,2 mil cirurgias eletivas por dia. Os balanços não detalham a fila específica de varizes.

A Secretaria da Saúde mantém um serviço de consulta à posição na fila de consultas, exames e cirurgias, com base na Lei estadual nº 21.242/2022.

Em 15 de agosto de 2026, a SBACV promoveu o mutirão gratuito "Brasil Sem Varizes", com clínicas e hospitais participantes. O Paraná estava entre os estados com unidades listadas pela entidade.

Fontes: material de 2021 com a cirurgiã vascular Aline Lamaita; SBACV; Hospital Israelita Albert Einstein; Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.

Fonte: Arquivo do Paranashop (Internet Archive)

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