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Havan: como a rede construiu um império do varejo no Brasil

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
27 de jul.
4 min de leitura

Atualizado: 29 de jul.

Da pequena loja de tecidos em Santa Catarina à maior rede de lojas de departamentos do país, a Havan transformou crédito, variedade e marketing em um modelo de negócios bilionário.


Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.
Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

Poucas empresas brasileiras conseguiram criar uma identidade tão forte quanto a Havan. As fachadas inspiradas na Casa Branca, as réplicas da Estátua da Liberdade e a figura do empresário Luciano Hang transformaram a marca em uma das mais reconhecidas do varejo nacional.


O crescimento impressiona. Fundada em Brusque (SC), em 1986, como uma pequena loja de tecidos, a empresa evoluiu para uma gigante com centenas de lojas espalhadas pelo país e forte presença no Paraná, justamente o primeiro estado a receber uma filial fora de Santa Catarina, em 1995.


O sucesso, porém, vai muito além da arquitetura chamativa. Especialistas apontam que a combinação entre grande variedade de produtos, logística eficiente, marketing agressivo e crédito próprio explica boa parte da expansão da rede.


Da venda de tecidos ao varejo de praticamente tudo


Nos primeiros anos, a Havan comercializava apenas tecidos. A mudança ocorreu na década de 1990, quando passou a ampliar rapidamente seu mix de produtos, incorporando eletrodomésticos, eletrônicos, brinquedos, ferramentas, decoração, cama, mesa, banho, confecções e utilidades domésticas.


Hoje, uma única loja reúne centenas de milhares de itens destinados a diferentes perfis de consumidores. A estratégia reduz a necessidade de o cliente visitar vários estabelecimentos e aumenta o valor médio de cada compra.


Outro diferencial é o investimento em centros de distribuição altamente automatizados, permitindo reposição rápida de mercadorias e redução de custos logísticos. A eficiência operacional tornou-se uma vantagem competitiva importante em um setor de margens apertadas.


O crediário virou um dos motores do crescimento


Embora muita gente associe o faturamento apenas à venda de produtos, o sistema financeiro da empresa também desempenha papel relevante.


O Cartão Havan funciona como um cartão próprio (private label), oferecendo parcelamentos sem juros e promoções exclusivas. Entre elas está o conhecido "Pula-Pula", campanha em que clientes habilitados podem adiar o pagamento da primeira parcela por cerca de 60 dias, estimulando o consumo em datas estratégicas.


Na prática, o crédito aumenta o poder de compra do consumidor. Para famílias que não possuem cartão bancário com limite elevado, o crediário facilita a aquisição de eletrodomésticos, móveis, eletrônicos e outros produtos de maior valor.


Nos últimos anos, entretanto, a empresa passou a ser mais seletiva na concessão de crédito. Segundo Luciano Hang, a carteira chegou a cerca de R$ 6 bilhões durante a fase de maior expansão, mas foi reduzida para diminuir a inadimplência. Em 2025, aproximadamente 40% das vendas ainda eram financiadas pelo sistema próprio, percentual inferior aos cerca de 60% registrados anteriormente. A reorganização financeira permitiu reduzir dívidas bancárias e melhorar a geração de caixa.


A principal fonte de lucro não está apenas nas vendas


No varejo moderno, lucro não depende apenas da margem sobre os produtos.


Especialistas em comércio destacam cinco pilares da rentabilidade da Havan:

  • grande volume de vendas;

  • negociação direta com fabricantes;

  • forte participação das marcas próprias;

  • receitas provenientes das operações financeiras do cartão;

  • elevada eficiência logística.


A empresa também obtém ganhos financeiros com juros e serviços relacionados ao crédito, embora essa receita varie conforme a inadimplência e a política de concessão adotada.

Segundo dados divulgados pela própria companhia e por agências de classificação de risco, a Havan apresentou forte crescimento operacional nos últimos anos, mantendo classificação elevada de crédito e resultados robustos.


Qualidade dos produtos divide opiniões


A estratégia comercial da Havan procura atender diferentes faixas de renda.

Nas prateleiras convivem marcas nacionais conhecidas, produtos importados, linhas premium e itens de entrada com preços bastante competitivos.

Essa diversidade faz com que a percepção sobre qualidade varie conforme a categoria adquirida.


Produtos de grandes fabricantes costumam receber avaliações semelhantes às encontradas em outras redes varejistas. Já alguns itens importados de menor preço apresentam durabilidade inferior, situação comum em praticamente todo o segmento de lojas de departamento.


Ao mesmo tempo, muitos consumidores destacam como diferenciais a facilidade para troca, a disponibilidade imediata dos produtos e o atendimento presencial.


Quem disputa espaço com a Havan


A concorrência aumentou significativamente nos últimos anos.


Entre os principais competidores estão:

  • Magazine Luiza;

  • Casas Bahia;

  • Lojas Americanas (em processo de reestruturação);

  • Mercado Livre, no comércio eletrônico;

  • Amazon Brasil;

  • Leroy Merlin, no segmento de utilidades e construção;

  • Carrefour e Atacadão em algumas categorias de bens duráveis.


Cada concorrente atua com estratégias diferentes. Enquanto alguns apostam fortemente no comércio eletrônico, a Havan continua priorizando as lojas físicas, responsáveis pela maior parte das vendas.


O endividamento preocupa?


Durante o ciclo acelerado de expansão, a empresa aumentou significativamente suas operações financeiras.


Isso levou parte do mercado a observar com atenção o crescimento da carteira de crédito e das obrigações relacionadas ao financiamento de clientes.


Segundo análise da agência Fitch Ratings, parte relevante dessa dívida está vinculada justamente ao negócio financeiro do cartão próprio e não ao varejo tradicional. A classificação de risco permaneceu elevada, indicando capacidade considerada sólida para honrar compromissos financeiros.


Nos resultados mais recentes, Luciano Hang afirmou que a companhia encerrou 2025 com caixa fortalecido após reestruturar a política de crédito e reduzir o nível de endividamento bancário.


Onde encontrar lojas da Havan no Paraná


O Paraná é um dos estados mais importantes para a expansão da empresa. Entre as unidades estão:

  • Curitiba – Barigui (Rua General Mário Tourinho);

  • Curitiba – Prado Velho (Rua Orestes Camilli);

  • Curitiba – Portão (Shopping Palladium);

  • Curitiba – Santa Cândida (Av. Marechal Mascarenhas de Moraes);

  • São José dos Pinhais;

  • Londrina;

  • Maringá;

  • Cascavel;

  • Foz do Iguaçu;

  • Ponta Grossa;

  • Guarapuava;

  • Paranavaí;

  • Umuarama;

  • Campo Mourão;

  • Apucarana;

  • Arapongas;

  • Toledo;

  • Francisco Beltrão;

  • Pato Branco;

  • Paranaguá;

  • entre diversas outras cidades do estado.


A presença em cidades médias tornou-se uma das marcas da estratégia da rede, que busca municípios com potencial de consumo regional e grande fluxo de clientes.


A trajetória da Havan demonstra como o varejo brasileiro mudou nas últimas décadas. O consumidor já não procura apenas preço baixo. Crédito, conveniência, experiência de compra e variedade passaram a ter peso semelhante na decisão. Resta saber se, diante da concorrência crescente do comércio eletrônico e das mudanças no comportamento do consumidor, o modelo baseado em grandes lojas físicas continuará mantendo o mesmo ritmo de expansão nos próximos anos.


Edição: Marcos Paulo Assis

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