Boom da corrida de rua eleva o risco de lesões; veja como se prevenir

Com quase 12 milhões de brasileiros concluindo provas entre 2023 e 2025, cresce a preocupação com lesões por sobrecarga; ortopedista do Einstein explica como treinar sem se machucar

A corrida de rua nunca esteve tão em alta. O número de praticantes e de provas cresce ano após ano, impulsionado pela busca por saúde e qualidade de vida. No Brasil, estima-se que quase 12 milhões de pessoas concluíram corridas de rua entre 2023 e 2025. Junto com essa popularização, porém, aumenta a preocupação com as lesões por sobrecarga, especialmente entre corredores iniciantes e amadores.
O problema, segundo os especialistas, não está na corrida em si, mas na forma como muitas pessoas começam a praticá-la, sem o preparo necessário. “A corrida é uma das atividades físicas mais democráticas que existem, basta colocar um tênis e sair de casa”, afirma o ortopedista Moisés Cohen, do Hospital Israelita Albert Einstein. Ele lembra, porém, que “correr também é um gesto esportivo repetitivo, de impacto, que exige adaptação”.
A cada passada, o corpo absorve e devolve energia. Quando a carga aumenta de forma gradual, músculos, tendões, ossos e articulações conseguem se adaptar. O problema aparece quando o corredor tem pressa e amplia ao mesmo tempo a distância, a velocidade e a frequência dos treinos, sobretudo sem acompanhamento profissional.
Lesões mais comuns
Síndrome femoropatelar (dor na frente do joelho)
Síndrome da banda iliotibial (dor na lateral do joelho)
Canelite
Tendinopatia do tendão de Aquiles
Fascite plantar
Lesões musculares e fraturas por estresse
Cohen resume o equilíbrio necessário com uma analogia: “Cada treino representa um débito. O descanso, o fortalecimento muscular, uma boa alimentação e o sono adequado funcionam como créditos. Quando os débitos passam dos créditos, a lesão aparece.”
Dor esperada x sinal de lesão
Um erro comum é achar que sentir dor faz parte do esporte. A dor muscular tardia costuma ser difusa, simétrica e desaparece em até dois dias; já dores localizadas, que voltam sempre no mesmo ponto, pioram durante a corrida, alteram a passada ou persistem no dia seguinte, precisam ser investigadas — assim como inchaço, perda de força e dor óssea localizada. “O corredor não precisa ter receio de toda dor, mas precisa respeitar a dor que muda a mecânica, se repete e progride”, orienta Cohen.
Como reduzir o risco
Ao contrário do que muitos imaginam, a prevenção não começa pela compra de um tênis novo. “O tênis influencia, é importante, mas costuma ser superestimado. Nenhum modelo compensa treino exagerado, falta de descanso ou fraqueza muscular”, alerta o ortopedista. Ele aponta três pilares:
Aumentar a carga gradualmente, sem progressões rápidas de distância, velocidade e frequência
Investir em fortalecimento muscular (glúteos, quadril, core, quadríceps, panturrilhas e pés) — para Cohen, “a musculação para o corredor não é uma questão estética; é um seguro de vida esportiva”
Respeitar os sinais do corpo, diferenciando dor real de desconforto normal
Para quem está começando, a recomendação é alternar caminhada e corrida, treinar duas ou três vezes por semana, manter um ritmo confortável e evitar provas antes de construir uma base adequada. “Quem respeita o tempo de adaptação do corpo aumenta as chances de continuar correndo por muitos anos, com saúde e prazer”, conclui Cohen.
Fonte: matéria de Fernanda Bassette, da Agência Einstein, com declarações do ortopedista Moisés Cohen, do Hospital Israelita Albert Einstein. Conteúdo reproduzido com autorização.



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