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Setembro Roxo: câncer de pâncreas desafia a oncologia e ganha novas terapias

Foto do escritor: Editor Paranashop
Editor Paranashop
há 19 horas
3 min de leitura

Doença costuma apresentar poucos sinais nas fases iniciais e mantém alta mortalidade; no Setembro Roxo, oncologista do Paraná explica sinais de alerta e comenta os avanços recentes em vacinas em estudo e em uma nova terapia oral


Imagem gerada por IA Câncer de pâncreas ainda desafia a oncologia
Imagem gerada por IA Câncer de pâncreas ainda desafia a oncologia

O câncer de pâncreas permanece entre os grandes desafios da oncologia. A doença costuma evoluir de forma silenciosa e, em muitos pacientes, os primeiros sintomas aparecem quando o tumor já está em estágio mais avançado. Durante o Setembro Roxo, período dedicado à conscientização sobre a doença, o Dr. Luciano S. Biela, oncologista do IOP (Instituto de Oncologia do Paraná), chama a atenção para a importância de reconhecer fatores de risco e alterações que merecem investigação.


Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 13.240 novos casos de câncer de pâncreas por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 6.330 em homens e 6.910 em mulheres. Ainda de acordo com o INCA, a Região Sul apresenta as maiores taxas estimadas de incidência do país. Em 2023, último ano informado pelo instituto, 13.507 brasileiros morreram em decorrência da doença.


Sinais que merecem atenção


O pâncreas fica na parte superior do abdome e participa tanto da digestão quanto do controle da glicose. Segundo o INCA, cerca de 90% dos cânceres do órgão são adenocarcinomas, e a incidência aumenta com a idade, sendo mais frequente a partir dos 60 anos. Entre as manifestações que podem aparecer estão perda de peso sem causa aparente, falta de apetite, dor abdominal ou nas costas, fraqueza, náuseas e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos). Como esses sinais também ocorrem em outras condições, a persistência deve ser avaliada por um médico.


De acordo com o Dr. Biela, tabagismo, excesso de gordura corporal, diabetes tipo 2 e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores associados a maior risco, assim como condições genéticas e hereditárias, como a síndrome de Lynch. “Não existe um único sintoma que, isoladamente, indique câncer de pâncreas. O que precisamos observar é o conjunto de sinais, o histórico do paciente e a persistência dessas alterações”, afirma o oncologista.


Pesquisa com vacinas personalizadas


Entre as linhas de pesquisa que despertam interesse está o desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas, especialmente as baseadas em RNA mensageiro. Diferentemente das vacinas preventivas, essa estratégia não busca impedir que uma pessoa saudável desenvolva câncer: o objetivo é usar informações do próprio tumor para estimular o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas.


Um dos trabalhos de maior repercussão investiga a vacina autogene cevumeran, desenvolvida pela BioNTech e pela Genentech. Resultados de longo prazo apresentados na reunião anual de 2026 da American Association for Cancer Research (AACR) acompanharam 16 pacientes operados por adenocarcinoma ductal pancreático que receberam a vacina associada a outras terapias; em oito deles houve resposta imunológica específica. Outro estudo inicial, apresentado na reunião de 2026 da American Society of Clinical Oncology (ASCO), avaliou a vacina RGL-270. A organização dos estudos ressalta que se trata de pesquisas iniciais, com poucos participantes, e que não existe atualmente vacina aprovada para tratar ou prevenir o câncer de pâncreas.


Nova terapia oral aprovada nos EUA


Em 26 de agosto de 2026, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou nos Estados Unidos o daraxonrasib, comercializado como Rasonque, para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que já receberam ao menos uma terapia sistêmica anterior ou que não sejam candidatos a esses tratamentos. Administrado por via oral, o medicamento atua sobre diferentes formas da proteína RAS, historicamente um dos alvos mais difíceis da oncologia.


A decisão da FDA baseou-se no estudo de fase 3 RASolute 302, com 500 pacientes. Segundo os dados divulgados, a sobrevida global mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,7 meses com a quimioterapia padrão — uma redução de 60% no risco de morte. A aprovação nos EUA, porém, não significa disponibilidade automática no Brasil, onde o medicamento precisaria passar pelo processo regulatório, nem se aplica a todos os pacientes.


“Estamos avançando por diferentes caminhos. É importante ter cautela com cada novo resultado, mas também reconhecer que estamos ampliando o conhecimento e as possibilidades de tratamento”, avalia o Dr. Biela. O médico reforça que os avanços não diminuem a importância do diagnóstico, do acompanhamento especializado e das terapias já estabelecidas, e que cada caso depende do estágio da doença e das condições do paciente.


Fonte: declarações do Dr. Luciano S. Biela, oncologista do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná; dados do INCA, da FDA, da AACR e da ASCO. Material enviado pela assessoria (RS Comunicação). Esta matéria tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica.

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