Infecções bacterianas da pele costumam começar por pequenas lesões e podem evoluir para quadros graves; entenda as diferenças entre os dois problemas.
Erisipela e celulite infecciosa são infecções bacterianas da pele que provocam vermelhidão, calor, inchaço e dor. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), elas costumam surgir a partir de uma "porta de entrada", como uma ferida, uma micose entre os dedos ou uma picada de inseto.
Os dois quadros atingem com mais frequência as pernas e são mais comuns em idosos, em pessoas obesas e em quem tem circulação debilitada, de acordo com a entidade.
Qual é a diferença entre as duas
A SBD define a erisipela como uma inflamação que atinge a derme e o tecido subcutâneo, com forte envolvimento dos vasos linfáticos. Para a entidade, ela é uma forma superficial da celulite. O Manual MSD também a descreve como um tipo de celulite superficial.
A celulite infecciosa, segundo o MD.Saúde, é uma infecção das camadas mais profundas da pele e do tecido subcutâneo. Em geral, a erisipela tem lesão com bordas bem delimitadas, enquanto na celulite os limites costumam ser pouco definidos.
As fontes consultadas divergem sobre a profundidade de cada infecção. O guia do Einstein trata a erisipela como infecção da epiderme com acometimento dos vasos linfáticos, e a celulite como um quadro mais profundo, que envolve derme e hipoderme.
O mesmo guia reconhece que, na prática clínica, é difícil distinguir os dois quadros. A Medway os trata como dois espectros da mesma doença.
Os especialistas alertam para duas confusões comuns. A celulite infecciosa não tem relação com a celulite estética, ligada à gordura sob a pele. E a erisipela não deve ser confundida com o erisipeloide, infecção causada por outra bactéria, a Erysipelothrix rhusiopathiae, conforme o Manual MSD.
O que causa as infecções
A principal bactéria da erisipela é o estreptococo beta-hemolítico do grupo A, segundo a SBD, embora outras também possam participar. Entre as portas de entrada citadas pela entidade estão úlcera venosa crônica, pé de atleta, picada de inseto, ferimento traumático e manipulação inadequada das unhas.
Na celulite infecciosa, a Dasa aponta Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes como as bactérias mais comuns. A porta de entrada pode ser um corte, um arranhão ou uma picada. A perna é o local mais frequente e, no rosto, o quadro pode surgir após uma infecção dental não tratada.
Um artigo de revisão publicado em 2018 na base bvsalud lista outros fatores predisponentes: eczema, radioterapia, impetigo, varicela e insuficiência venosa.
A dermatologista Beatriz Ribeiro, citada pelo site Cuidados pela Vida, explica que as bactérias vivem na superfície da pele e fazem parte da flora normal. O cirurgião vascular Esdras Marques, do Hospital Jayme da Fonte, diz que qualquer lesão, como frieiras, pode servir de entrada.
Em crianças, a celulite atinge mais a região ao redor dos olhos, segundo a UFMG. Infecções no nariz ou na garganta costumam ser a porta de entrada, e uma das bactérias envolvidas, a Haemophilus influenzae, tem vacina (pentavalente).
Quem tem mais risco
A SBD afirma que a erisipela acomete principalmente as pernas de idosos com circulação venosa e linfática debilitada, mas pode atingir qualquer idade e outras áreas do corpo. Pessoas com baixa imunidade, obesas e com má circulação são as mais suscetíveis. O Governo de Goiás inclui diabéticos entre os grupos mais afetados.
Quem já teve erisipela tem maior probabilidade de ter de novo. Há uma ressalva: a médica Keilla Freitas afirma que um episódio anterior, por si só, não aumenta a chance de novos casos, mas fatores de risco não resolvidos podem provocar outros quadros.
Um estudo brasileiro com 284 casos, referente a 1995 e 1996 e publicado na SciELO, apontou maior incidência entre 60 e 70 anos, mais casos em homens e obesos e predomínio nas pernas. A tinha dos pés foi a principal porta de entrada, e 23 pacientes (8%) precisaram de internação.
Sintomas e sinais de gravidade
Segundo a SBD, o quadro costuma começar de forma súbita, com mal-estar, fadiga, febre e calafrios, antes de aparecerem os sinais na pele. Depois surgem vermelhidão, dor, inchaço e aumento da temperatura no local.
Em casos graves, podem aparecer bolhas, escurecimento da área afetada e septicemia, infecção generalizada com risco de morte. Um artigo da Sanar indica que as bolhas sinalizam gravidade e podem evoluir para necrose e ulceração.
O Governo de Goiás cita como possível sequela o linfedema, um inchaço persistente e endurecido decorrente de surtos repetidos de erisipela.
Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia, Manual MSD, MD.Saúde, Einstein, Medway, Dasa, UFMG, Governo de Goiás, Hospital Jayme da Fonte, Cuidados pela Vida, SciELO, bvsalud e Sanar.



