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Tempestade

Varizes sem cuidado podem evoluir para úlceras e tromboflebite, alertam especialistas

Cirurgiã vascular cita quatro complicações da doença quando não há tratamento. Dados da SBACV mostram que a queda de cirurgias de varizes no SUS foi de 84% no Paraná em 2021.

Varizes sem cuidado podem evoluir para úlceras e tromboflebite, alertam especialistas
Mulher de salto alto massageia a perna, gesto associado a dor e cansaço nas pernas. Foto: Divulgação/web.archive.org

*Médica reforça que dor, inchaço e sensação de peso nas pernas exigem avaliação; levantamento da SBACV aponta queda de 84% nas cirurgias de varizes pelo SUS no Paraná em 2021.*

As varizes, muitas vezes vistas só como problema estético, podem evoluir para complicações circulatórias quando não recebem tratamento. O alerta é da cirurgiã vascular e angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), em material divulgado em setembro de 2021, quando o home office e o sedentarismo da pandemia aumentavam a preocupação com a saúde das veias.

Segundo a médica, as veias dilatadas e tortuosas que perderam a função devem ser avaliadas por um profissional. “As principais complicações das varizes surgem em função da falta de atenção à doença”, afirmou. Ela orienta procurar um médico ao menor sinal de dor, inchaço, sensação de peso ou cansaço nas pernas.

Quatro complicações citadas

De acordo com Lamaita, a ausência de tratamento pode levar a quatro problemas principais.

O primeiro é a insuficiência venosa crônica, que atinge com mais frequência mulheres de mais idade e tem relação com o número de gestações, a obesidade e o histórico familiar. Os sintomas incluem dor, coceira, formigamento, queimação, fadiga, cãibras, inchaço e sensação de peso.

O segundo são as úlceras venosas, feridas abertas que resultam do agravamento da insuficiência venosa crônica. Elas causam dor, exigem cuidado especializado e são difíceis de curar. Segundo a médica, o acompanhamento deve ser permanente após o tratamento, para evitar o retorno das feridas.

O terceiro é a dermatite ocre: o sangue acumulado nas veias extravasa e deixa a pele das pernas com cor acastanhada, parecida com ferrugem. A médica explica que a cor está ligada ao ferro dos glóbulos vermelhos, que se rompem e liberam hemoglobina.

O quarto problema é a tromboflebite, cuja descrição está cortada no texto original recuperado. Segundo material de um serviço de cirurgia vascular, ela ocorre quando o sangue parado coagula dentro da veia e pode, em alguns casos, atingir uma veia profunda e causar trombose venosa profunda, quadro mais grave que exige tratamento imediato.

Fatores de risco e gravidade

O geneticista Marcelo Sady, pós-doutor em Genética e diretor geral da Multigene, afirmou que a causa das varizes é desconhecida, mas que fatores genéticos estão ligados ao seu surgimento. Quem herda veias mais finas, por exemplo, tem mais chance de desenvolver a condição. Menor produção de colágeno e elastina e paredes venosas menos resistentes também contribuem, segundo ele.

Há diferença de gravidade entre os quadros. O Manual MSD afirma que apenas uma pequena parcela das pessoas com varizes tem complicações e que a flebite em varizes, embora em geral dolorosa, raramente é prejudicial. Já outras fontes médicas e comerciais citam o risco de o coágulo se deslocar até os pulmões, o que caracteriza embolia pulmonar. Especialistas distinguem a trombose superficial, em geral sem gravidade, da trombose venosa profunda, potencialmente grave.

Números no Brasil e no Paraná

A SBACV estima que as varizes atinjam em média 38% da brasileira: 30% dos homens e 45% das mulheres. Segundo a entidade, até 70% das pessoas com mais de 70 anos podem ter a doença. A SBACV de São Paulo, por sua vez, fala em até 30% da população.

Sobre as úlceras, um consenso da SBACV publicado em 2021 aponta prevalência de 1% a 2% na população geral e afirma que as úlceras venosas respondem por mais de 70% das feridas crônicas de perna. Um texto do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) cita estimativas de cerca de 3% e ressalta que os registros nacionais são escassos.

Pelo SUS, foram feitas 755.752 cirurgias de varizes entre 2010 e 2020, segundo pesquisa publicada no Jornal Vascular Brasileiro. A região Sul concentrou 23,91% dos procedimentos, ou 180.689.

A pandemia reduziu esse atendimento. Segundo a Agência Brasil, com dados da SBACV, as cirurgias de varizes pelo SUS caíram em média 69% em 2021 em relação a 2019. O Paraná teve queda de 84%, um dos maiores recuos do país, e a região Sul, de 71%.

A mesma agência informou, em 2023, que 45,8 mil mulheres foram internadas por varizes em 2022, alta de 103,4% sobre os 22,5 mil casos de 2021. A SBACV alertou que parte dos casos represados na pandemia podia ainda não ter sido tratada.

Sobre trombose, a CBN Curitiba informou que a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) registrou 2.265 internamentos por trombose venosa entre janeiro e julho em hospitais paranaenses que atendem pelo SUS.

Fontes: Paranashop (matéria de setembro de 2021), SBACV, Agência Brasil, Jornal Vascular Brasileiro, Manual MSD, Cofen e CBN Curitiba.

Fonte: Arquivo do Paranashop (Internet Archive)

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