Termo registrou mais de 100 buscas no Google Trends; nova regra da Anvisa, estudos sobre memória após os 50 anos e preços em Curitiba ajudam a entender o tema.
A creatina está em alta nas buscas no Paraná, segundo o Google Trends, em levantamento de 1º de novembro de 2026, às 23h08. O termo somou mais de 100 buscas no estado. O dado do Trends não explica o motivo do interesse. No mesmo período, o suplemento foi tema de reportagens em veículos nacionais, como a R7 (Domingo Espetacular) e o Tua Saúde.
Este texto reúne o que dizem fontes oficiais, estudos científicos e publicações do setor sobre regras, segurança, evidências e consumo. Não foram encontrados dados específicos do Paraná sobre vendas ou fiscalização de creatina.
Nova regra da Anvisa traz alegação para maiores de 55 anos
A Anvisa publicou a Instrução Normativa (IN) nº 470/2026, que atualiza a IN nº 28/2018 e muda regras para suplementos alimentares: constituintes autorizados, limites de uso, alegações permitidas e rotulagem. A norma entrou em vigor na data da publicação. Essa data não consta nas fontes consultadas.
Entre as mudanças está uma nova alegação para a creatina. Segundo o site BHB Food, o texto permite informar que o consumo diário da substância, com treino de resistência regular, pode aumentar o efeito do treino na força muscular de adultos com mais de 55 anos.
A alegação só vale para suplementos que atendam ao mínimo previsto no Anexo III da IN 28/2018 e não ultrapassem o máximo do Anexo IV. A norma também autoriza uma alegação para o 6-MBOA, ligada à melhora da qualidade do sono.
A Soldiers Nutrition, fabricante de suplementos, comentou a regra em publicação do Estado de Minas (Mundo Corporativo, outubro de 2026). O subtítulo diz que a nova alegação reconhece a relação entre consumo diário de creatina, treino de resistência e força muscular em adultos acima de 55 anos.
Sobre a dose diária, o blog de uma nutricionista (Nutriconsulta) afirma que a IN nº 373/2025 oficializou o limite de até 5 g para adultos, ante recomendação anterior de 3 g. O site Prensa de Babel também menciona atualização para até 5 g diários. A informação não foi confirmada em norma ou comunicado da Anvisa.
Fiscalização: lotes de creatina em goma foram suspensos
A Resolução 2.509/2026 da Anvisa, publicada no Diário Oficial da União, suspendeu a comercialização, a distribuição, a divulgação e o consumo de três lotes da creatina em gomas mastigáveis sabor uva verde, da Idn Labs Indústria Farmacêutica & Food Supplements Ltda. Os lotes são 0061.02.2026, 0367.11.2025 e 0012.01.2026.
A empresa comunicou o recolhimento por teor de creatina fora dos limites. Segundo a Anvisa, os produtos também tinham irregularidades de rotulagem, com alegações não autorizadas e divergências quanto ao fabricante.
Em nota, a Idn Labs afirmou que se trata de ajustes regulatórios pontuais, sem desvio de qualidade, pureza ou segurança.
Análise de 41 produtos incluiu o Paraná
Em abril de 2025, a Anvisa divulgou resultados da análise de 41 suplementos de creatina, de 29 fabricantes. Os critérios foram teor de creatina, adequação de rotulagem e presença de matérias estranhas.
O Paraná está entre os estados participantes, ao lado de São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo. As amostras foram coletadas em triplicata pelas vigilâncias sanitárias locais, e as análises foram feitas pelo INCQS/Fiocruz.
Só uma marca teve teor abaixo do previsto. A amostra está em processo administrativo, e a Anvisa não divulgou o nome. Todos os produtos passaram no quesito matérias estranhas. Já 40 dos 41 apresentaram erro ou incorreção no rótulo. Segundo a CNN Brasil, os problemas mais comuns foram propriedades não autorizadas atribuídas à creatina, palavras ou imagens que induzem a erro e tabela nutricional fora do padrão.
Segundo a Anvisa, apenas o Creatine Monohydrate – 100% Pure, da Atlhetica Nutrition (fabricado pela ADS Laboratório Nutricional Ltda.), foi satisfatório em todos os ensaios. A lista completa de marcas foi publicada pelos portais Terra e InfoMoney. Nas marcas que não foram a reprovada no teor, o problema encontrado foi de rótulo.
O que os estudos dizem sobre memória e cognição
O Tua Saúde publicou em 1º de novembro matéria sobre pesquisas que investigam se a creatina pode ajudar a preservar memória e raciocínio após os 50 anos. Segundo o site, a resposta ainda não é definitiva. A substância é produzida naturalmente pelo corpo e também obtida por alimentos como carne e peixe. Nos músculos, ajuda a gerar energia rápida, e a hipótese é que também possa dar suporte a tarefas mentais que exigem muita energia.
A revisão sistemática Creatine and Cognition in Aging, publicada na Nutrition Reviews, incluiu seis estudos, com 1.542 participantes. Cinco relataram relação positiva entre creatina e cognição, sobretudo em memória e atenção. Dois foram intervenções com creatina monohidratada, e quatro avaliaram o consumo pela alimentação.
Os autores ressaltam que apenas um estudo teve qualidade metodológica considerada boa e pedem ensaios clínicos maiores e mais controlados. Em meta-análise na Frontiers in Nutrition, citada pelo Tua Saúde, os resultados foram mais consistentes para memória e desempenho geral em alguns grupos, mas com muita variação de dose, duração e perfil dos participantes.
Um ensaio clínico de 2026 na revista Nutrients avaliou 29 adultos saudáveis após 21 horas sem dormir. Eles receberam dose única de creatina monohidratada de 0,2 g por quilo de peso ou placebo. A creatina reduziu a piora em tarefas de lógica, números, processamento de linguagem e atenção sustentada, com melhora de até 12% em alguns resultados. A amostra foi pequena e formada por adultos saudáveis.
As fontes consultadas são unânimes na cautela: o efeito observado é descrito como modesto, e a creatina não deve ser tratada como remédio para esquecimento, tratamento para demência ou forma garantida de evitar Alzheimer. Segundo o Tua Saúde, quem percebe falhas frequentes de memória deve procurar um profissional de saúde, em vez de recorrer a suplementos por conta própria.
Consumo: pesquisa de fabricante aponta creatina como mais desejada
Pesquisa da Soldiers Nutrition ouviu 2.735 pessoas de todas as regiões do Brasil entre 29 de setembro e 10 de outubro de 2025. A creatina foi o suplemento mais desejado para o ano seguinte, com 57,8%, à frente do whey (31,3%), das vitaminas (6,4%) e dos pré-treinos (2,7%). O levantamento foi feito pela própria empresa.
Na divisão regional, Nordeste e Centro-Oeste lideraram a preferência por creatina, com 63,8% cada. Sul (35,7%) e Sudeste (33,2%) concentraram a maior preferência por whey. A pesquisa não traz dado específico do Paraná.
Segundo a pesquisa, o perfil predominante é de homens (63%), de 25 a 44 anos, do Sudeste (58%), que treinam mais de cinco vezes por semana (51%) e suplementam diariamente (75%).
Matéria da Agência Edicase, publicada em veículos como O Povo, A Gazeta e Tribuna PR por volta de 12 de outubro, traz a avaliação de um especialista, cujo nome não consta no trecho consultado. Segundo a reportagem, ele afirma que a creatina é um suplemento com evidências científicas e que quem não pratica atividade física não deveria começar a usá-lo só porque o produto ficou popular nas redes.
Comparação entre marcas e preços
Em comparação publicada pelo MKT Esportivo, o Meu Esporte analisou Growth Supplements e Soldiers Nutrition, duas marcas conhecidas de creatina monohidratada, a forma mais estudada do suplemento. O texto usou informações nutricionais, análises laboratoriais publicadas e preços consultados em novembro de 2026.
A conclusão é que as duas tiveram resultados laboratoriais favoráveis nas amostras consultadas, e a Soldiers oferecia menor custo por grama nos preços encontrados. O texto ressalta que isso não significa que uma marca gere mais resultado muscular do que a outra. Os preços foram colhidos em 1º de novembro nos sites oficiais, no Pix, e a Growth aparecia como indisponível. Segundo a publicação, uma análise de julho de 2025 da creatina de 250 g da Growth encontrou cerca de 2,97 g de creatina para porção declarada de 3 g, resultado válido para o lote analisado.
Em Curitiba, lojas virtuais anunciam creatina em pó com preços diferentes. Os valores abaixo vêm dos sites das lojas, sem data de coleta, e podem ter mudado:
CW Trends (retirada na Rua Anita Garibaldi, 1874, Boa Vista): Black Skull 300 g a R$ 49,90 no Pix ou boleto; Dark Lab 300 g a R$ 39,90; Dark Lab 1 kg a R$ 99,90. Outra página da mesma loja mostra Black Skull 300 g a R$ 39,90 e Dark Lab 300 g a R$ 49,90. A loja diz entregar no mesmo dia em Curitiba.
CWB Suplementos: Dux Nutrition 300 g a R$ 69,90 no Pix (R$ 77,67 no cartão).
Curitiba Suplementos: Max Titanium 300 g a R$ 68,19 à vista; Integralmédica Hardcore 300 g a R$ 57,92 à vista.
Curitiba Nutrition: Black Skull 300 g a R$ 79,90 no Pix.
No varejo paranaense, segundo o BHB Food, a creatina VidUp, em potes de 300 g, sem glúten e sem açúcar, está entre os produtos mais vendidos das Farmácias Nissei. Marcelo Damari, diretor de vendas da rede, disse que a creatina deixou de ser restrita a atletas e passou a ser indicada para diferentes públicos.
O que ainda falta saber
Não foram encontrados posicionamento, ação de fiscalização ou apreensão de creatina da Vigilância Sanitária do Paraná ou de Curitiba, do Procon-PR ou do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-8). Também não há data conhecida para adequação de rótulos à IN 470/2026 nem para novas análises da Anvisa.
Fontes: Google Trends; Anvisa (via Agência Gov e publicações do setor); MKT Esportivo; Tua Saúde; Nutrition Reviews; Frontiers in Nutrition; Nutrients; Estado de Minas; BHB Food; CNN Brasil; Terra; InfoMoney; sites das lojas citadas.



