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Câncer de próstata matou 18,5 mil homens no Brasil em 2025, diz SBU

Câncer de próstata matou cerca de 18,5 mil homens no Brasil em 2025, diz SBU. Veja dados do Paraná, sintomas e exames no Novembro Azul. Saiba mais.

Câncer de próstata matou 18,5 mil homens no Brasil em 2025, diz SBU
Homem segura laço azul, símbolo da campanha Novembro Azul de conscientização sobre o câncer de próstata. Foto: Divulgação/arede.info
Nesta matéria
  1. Mortes em alta no Brasil
  2. Uma doença silenciosa no início
  3. O cenário no Paraná
  4. Exames e quando começar
  5. Ministério da Saúde tem posição diferente
  6. Novembro Azul e saúde masculina
  7. Novas opções de tratamento
  8. Fontes

Dados do Ministério da Saúde divulgados pela SBU apontam alta de 20% em dez anos; veja sintomas, exames e as divergências sobre rastreamento

O câncer de próstata matou cerca de 18,5 mil homens no Brasil em 2025, o equivalente a 50 mortes por dia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) na abertura da campanha Novembro Azul. No Paraná, o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) registrou 1.130 óbitos pela doença em 2024, de acordo com os dados reunidos para esta matéria.

Os números reforçam o alerta da SBU sobre o diagnóstico precoce, já que a doença costuma não dar sinais no início. A entidade promove a campanha neste mês para conscientizar a população masculina.

Mortes em alta no Brasil

De acordo com a SBU, os óbitos de 2025 são 20% maiores do que os registrados há dez anos, quando foram 15,4 mil. Entre 2017 e setembro deste ano, o país somou mais de 160 mil mortes pela doença, segundo a entidade, que fala em tendência de alta.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou 17.258 óbitos em 2023 e 17.587 em 2024, aumento de cerca de 2%. O número de 2025 vem do SIM, do Ministério da Saúde, repassado pela SBU.

Para este ano, a previsão citada pela SBU é de mais de 77 mil novos casos no país, o que faz do câncer de próstata o tipo mais comum entre os homens. O Inca estima 77.920 casos novos por ano no triênio 2026–2028, projeção divulgada em 4 de fevereiro de 2026.

Uma doença silenciosa no início

Segundo a SBU, quando diagnosticado na fase inicial, o câncer de próstata tem 90% de chance de cura. O problema, de acordo com a entidade, é que nessa etapa o paciente ainda não percebe sinais da doença.

Conforme a Agência Brasil, os sintomas costumam surgir apenas em estágios mais avançados. Entre eles estão sangue na urina ou no sêmen, aumento da frequência urinária, fluxo urinário fraco ou interrompido, disfunção erétil e dores nos ossos.

O presidente da SBU, Roni Carvalho Fernandes, defende que a doença seja procurada antes dos sintomas.

“Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode levar a uma perda da chance de cura. Esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico”, alertou.

O cenário no Paraná

Pelos dados do SIM, o Paraná registrou 1.042 mortes por câncer de próstata em 2021, 1.058 em 2022, 1.140 em 2023 e 1.130 em 2024, o que dá em média três homens por dia no último ano. O estado concentrou 1.130 dos 3.007 óbitos da região Sul em 2024.

No mesmo ano, entre os municípios paranaenses, Curitiba somou 185 mortes. Maringá teve 48, Londrina 47, Cascavel 28 e São José dos Pinhais 26.

Para 2026–2028, o Inca estima 3.370 casos novos de câncer de próstata por ano no Paraná. O número é uma projeção, não uma contagem de pacientes já diagnosticados. No estado, o câncer de próstata é o que mais afeta os homens, seguido pelo de traqueia, brônquios e pulmão, segundo o instituto.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Maria Goretti David Lopes, afirmou que ainda existe uma cultura "totalmente errada" de o homem não se cuidar ou procurar o médico só quando já está doente.

Exames e quando começar

A SBU recomenda que homens a partir de 50 anos procurem um urologista para avaliação individualizada. Para quem tem histórico familiar da doença, para homens negros e para obesos, a orientação é começar aos 45 anos.

A investigação envolve dois exames de rotina: o PSA (antígeno prostático específico), proteína produzida pela próstata cujos níveis elevados podem indicar alterações, medida em exame de sangue, e o toque retal.

A Sesa orienta investigar a partir dos 45 anos quem tem histórico familiar e a partir dos 50 os demais, com PSA e toque retal nas unidades básicas de saúde (UBS).

Ministério da Saúde tem posição diferente

Há divergência sobre o rastreamento em pessoas sem sintomas. Nota técnica de 2023 do Ministério da Saúde, assinada também pelo Inca, recomenda não fazer rastreamento populacional. O argumento é que a prática aumenta o número de diagnósticos sem reduzir de forma significativa a mortalidade específica e pode trazer danos à saúde.

Uma nota técnica do Inca de 2025 reiterou que o ministério não recomenda o rastreamento em pessoas assintomáticas. A SBU, ao contrário, recomenda o PSA a partir dos 50 anos. A nota conjunta de 2023 provocou reação de sociedades médicas e de especialistas.

Novembro Azul e saúde masculina

A campanha Novembro Azul busca conscientizar os homens sobre os riscos do tumor, que afeta a glândula responsável por produzir o líquido do sêmen que nutre e protege os espermatozoides.

Para Fernandes, o comportamento masculino ainda é um obstáculo. “O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce também é uma atitude de homem”, explicou.

Segundo o presidente da SBU, a entidade notou, nas últimas duas décadas, uma preocupação maior dos homens com a saúde urológica e reprodutiva. De acordo com a Agência Brasil, porém, o desafio continua grande.

Novas opções de tratamento

Segundo as informações reunidas, a cirurgia de próstata assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2026. No mesmo ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação.

O HIFU é uma técnica pouco invasiva que direciona ondas de ultrassom para destruir o tecido canceroso, concentrando energia no ponto exato do tumor. Já a crioablação usa agulhas finas inseridas na região afetada para injetar um gás congelante, que provoca a morte das células do tumor.

Fontes

Dados e declarações da SBU, do Ministério da Saúde (SIM), do Inca e da Sesa-PR, conforme divulgados pela Agência Brasil e reproduzidos por A Rede, Tribuna do Interior, Diário do Sudoeste, O Maringá e Tribuna do Paraná.

Fonte: Radar Paranashop

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