*Balanço da Secretaria de Estado da Saúde foi divulgado no Dia Mundial da Trombose; especialistas e órgãos de saúde explicam o mecanismo da doença, os fatores de risco e os sinais de alerta.*
Os hospitais do Paraná que atendem pelo SUS registraram 2.265 internamentos por trombose venosa entre janeiro e julho de 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR). O balanço foi divulgado em 13 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Trombose.
A trombose acontece quando se forma um coágulo dentro de um vaso sanguíneo. Veja abaixo, com base em informações de órgãos de saúde e sociedades médicas, por que isso ocorre e o que é preciso observar.
Como o coágulo se forma
A explicação mais conhecida é a chamada tríade de Virchow, teoria do patologista alemão Rudolf Virchow (1821-1902). Ela reúne três categorias de fatores: lesão na parede interna do vaso (o endotélio), redução do fluxo de sangue (estase) e alterações no sangue que aumentam a tendência à coagulação.
Esses elementos podem atuar isoladamente ou combinados e valem tanto para a trombose venosa quanto para a arterial. A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna afirma que o dia 13 de outubro homenageia o nascimento de Virchow, o que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) também confirma.
Os Manuais MSD, na versão para o público, apontam os mesmos três fatores para a trombose venosa profunda (TVP). Segundo o material, no repouso prolongado ou com as pernas paradas o sangue circula mais devagar, porque os músculos da panturrilha deixam de empurrá-lo até o coração. Em idosos, a desidratação pode acelerar a coagulação.
Quem tem mais risco
De acordo com o Ministério da Saúde, a trombose ocorre geralmente após cirurgia, corte ou longos períodos sem movimento. É mais frequente depois de procedimentos ortopédicos, oncológicos e ginecológicos. Pacientes de cirurgias de joelho e quadril e vítimas de trauma, como fraturas, formam os principais grupos de risco.
O ministério também informa que, entre 20 e 40 anos, a incidência é um pouco maior nas mulheres, pela maior exposição a anticoncepcionais e a gestações. Homens também podem ter a doença.
A Sesa-PR cita ainda obesidade, tabagismo, trombofilia (tendência a coagular mais) e histórico familiar. O Manual MSD, em versão para profissionais, inclui idade acima de 60 anos, câncer, reposição hormonal, insuficiência cardíaca, cateteres venosos de demora, infecções e imobilidade, como em viagens longas de carro ou avião. O manual diz que o SARS-CoV-2 parece favorecer a formação de coágulos.
Sobre hormônios, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que anticoncepcionais ou reposição oral podem ser fator de risco, mas o diagnóstico é feito caso a caso. A entidade recomenda avaliar o risco com o obstetra durante a gravidez e logo após o parto. Material do MDS Group lembra que nem toda mulher que usa anticoncepcional terá trombose: o risco depende do tipo de método e de fatores como histórico, tabagismo e idade.
O hospital Einstein diz que o excesso de peso pode afetar o fluxo sanguíneo e a coagulação, e que pessoas com obesidade costumam ter outros fatores, como sedentarismo, hipertensão e diabetes.
Sinais e complicações
A trombose é mais comum nas pernas, segundo a Sesa-PR, com inchaço, dor e endurecimento. A diretriz da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indica que 80% a 95% dos casos de TVP ocorrem nos membros inferiores. Entre os sinais listados estão dor, edema, vermelhidão, cor arroxeada, dilatação das veias superficiais, aumento de temperatura e músculo endurecido.
A SBACV cita o relato de um médico, identificado como Dr. Naves, segundo o qual a fase inicial pode ter poucos sintomas, mas o inchaço em apenas uma perna merece atenção maior. O diagnóstico pode ser clínico, porém exige exames complementares.
O maior risco, segundo a Rádio Senado, é o coágulo se soltar e provocar embolia pulmonar, que pode ser fatal. De acordo com o Tua Saúde, falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue, tontura ou desmaio podem indicar esse quadro.
A SBACV aponta ainda a síndrome pós-trombótica como possível sequela: a perna fica mais inchada, escurecida e, com o tempo, pode ter feridas. O secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirmou que a doença tem complicações graves e que, mesmo tratada, pode causar problemas e até impedir a locomoção.
A Sesa-PR também informou 2.217 trombólises, procedimento usado em casos de infarto e AVC, no período.
Fontes: Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, Ministério da Saúde, Manuais MSD, SBACV, Febrasgo, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, TJDFT, Rádio Senado, Rádio USP, Einstein, Tua Saúde e MDS Group.



