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Mel de Capanema conquista Indicação Geográfica e valoriza a identidade paranaense

Confira a conquista da Indicação Geográfica para o Mel de Capanema, que valoriza a apicultura e a identidade do sudoeste do Paraná.

Mel de Capanema em pote com selo de Indicação Geográfica
As práticas tradicionais de manejo, colheita e beneficiamento adotadas pelos apicultores contribuem para preservar características únicas que o mel carrega. Foto: Carina Pelegrini
Nesta matéria
  1. Trajetória até o reconhecimento
  2. Influência do território e pesquisa científica
  3. Valorização e novos mercados
  4. Articulação e apoio institucional
  5. Paraná é líder em Indicações Geográficas
  6. Visualizar todas as imagens em alta resolução

Reconhecimento concedido pelo INPI destaca características únicas do produto, fortalece a apicultura regional e eleva para 29 o número de Indicações Geográficas do Paraná

O Mel de Capanema, produzido no sudoeste do Paraná, recebeu nesta terça-feira (20) o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento valoriza as características singulares do mel, como a coloração clara e o sabor suave, que estão diretamente relacionadas às condições naturais da região, à diversidade de floradas nativas e ao conhecimento dos apicultores locais. Com essa conquista, o Paraná alcança 29 Indicações Geográficas.

O registro, identificado pelo número BR412025000004-3, reconhece a relação entre as características do mel e seu território de origem. O pedido foi protocolado em março de 2025 pela Associação dos Apicultores de Capanema e Região (Apic). Com a concessão, os produtores da área delimitada poderão utilizar o selo da IG em seus produtos, desde que atendam às exigências técnicas e estejam sujeitos ao controle do conselho regulador.

Quadro de mel com abelhas em área rural com vegetação e rio ao fundo.
Foto: Divulgação

Trajetória até o reconhecimento

O processo para obtenção da Indicação Geográfica ganhou força em 2018, com ações da Prefeitura de Capanema e do Sebrae/PR voltadas à profissionalização da apicultura. Desde então, os produtores avançaram em assistência técnica, boas práticas de produção, organização coletiva e rastreabilidade. A criação da Apic, o desenvolvimento da marca coletiva Parque Iguassu e a realização de pesquisas científicas também fizeram parte desse processo.

Uma das etapas para a obtenção da IG é o diagnóstico técnico de potencialidade, realizado com o apoio do Sebrae/PR, que avalia a relação do produto com o território, a organização dos produtores e as características que o diferenciam. Esse levantamento ajuda a identificar os elementos que conferem identidade à produção local e orienta as ações necessárias para buscar o reconhecimento.

Influência do território e pesquisa científica

Estudos conduzidos pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Dois Vizinhos, demonstraram a influência das floradas nativas, especialmente de cambará e louro-branco, e das condições naturais da região, próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, nas características do mel. As práticas tradicionais de manejo, colheita e beneficiamento adotadas pelos apicultores também contribuem para preservar essas características. As pesquisas fundamentaram o pedido de Denominação de Origem, modalidade que exige a comprovação do vínculo entre as qualidades do produto e o meio geográfico.

O presidente da Apic, Cleiton Cesar Lagemann, afirmou: “A conquista da IG é uma marca histórica para nós. Este reconhecimento valoriza não apenas a qualidade e a origem dos nossos produtos, mas também toda a tradição, o saber-fazer e o trabalho de muitas famílias conectadas com o campo”.

Para a consultora do Sebrae/PR, Alyne Chicocki, o reconhecimento representa uma oportunidade para transformar os diferenciais do território em vantagens competitivas para os produtores.

“Esse reconhecimento valoriza uma combinação muito especial: a diversidade de floradas de Capanema, as condições naturais da região e o conhecimento e o cuidado dos apicultores. É desse conjunto que vêm as características que tornam nosso mel tão especial. A conquista é resultado de um trabalho coletivo entre produtores e instituições parceiras e abre novas oportunidades para ampliar a visibilidade do produto, conquistar mercados e gerar mais renda para as famílias produtoras”, destacou Alyne.

Valorização e novos mercados

A Apic reúne 25 produtores e registra uma produção anual de mais de 60 toneladas de mel. No município, a atividade envolve mais de 130 apicultores, distribuídos por diferentes comunidades rurais, e representa uma importante fonte de renda para pequenas propriedades familiares, segundo o INPI.

Entre os associados, Ezequiel Balzan vê na conquista novas oportunidades para toda a cadeia produtiva. Ele comentou: “A IG é resultado de um trabalho coletivo. Além de valorizar a qualidade e a origem do nosso mel, esse reconhecimento destaca a importância da apicultura para o meio ambiente. É uma conquista que beneficia toda a cadeia produtiva, fortalece a nossa região e nos traz uma infinidade de novas possibilidades”.

Para a apicultora Adrieli Possatto, a conquista marca uma nova etapa, com expectativas de maior valorização e ampliação da presença do mel em outros mercados.

“Acreditamos que será um divisor de águas na comercialização e na divulgação dos nossos produtos para outras regiões, trazendo ainda mais visibilidade do município como uma referência na produção da apicultura e na meliponicultura”, pontuou a produtora.

Articulação e apoio institucional

A conquista da IG envolveu a articulação entre apicultores e diferentes instituições, como o Sebrae/PR, a Prefeitura de Capanema, a Cresol, o Instituto Federal do Paraná (IFPR – Campus Capanema), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e a UTFPR.

O gerente regional do Sebrae/PR, Cesar Giovani Colini, destacou: “O reconhecimento da IG do Mel de Capanema, especialmente na modalidade de Denominação de Origem, é motivo de orgulho para todo o território. Esse resultado traduz um trabalho coletivo, pesquisa científica e demonstra como a valorização dos territórios pode gerar oportunidades de mercado”.

A professora Milene Oliveira Pereira, da UTFPR – campus Dois Vizinhos, explicou que a combinação entre os fatores naturais e o trabalho dos produtores contribui para a singularidade do mel.

“O Mel de Capanema é um produto único pela identidade dos produtores de mel locais com o Parque e com o Rio Iguaçu. São propriedades inseridas em um terroir (termo em francês que resume a relação entre clima, relevo, temperatura, umidade e solo de um determinado lugar) único, com bioma característico de Mata Atlântica, rico em fauna e flora”, pontuou Milene.

Paraná é líder em Indicações Geográficas

Com a conquista do Mel de Capanema, o Brasil passa a contar com 172 Indicações Geográficas nacionais, das quais 29 estão no Paraná, estado com o maior número de registros. No país, são 137 Indicações de Procedência (IP) e 35 Denominações de Origem (DO).

No Paraná, além do Mel de Capanema, já são reconhecidos produtos como as cervejas artesanais de Guarapuava, o pão no bafo de Palmeira, o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o café da Serra de Apucarana, as tortas de Carambeí, as ostras do Cabaraquara, a ponkan de Cerro Azul, as broas de centeio de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, a carne de onça de Curitiba, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity, o queijo colonial do Sudoeste do Paraná, o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e a aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os vinhos de Bituruna, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a erva-mate São Matheus, a camomila de Mandirituba, as uvas finas de Marialva, os cafés especiais do Norte Pioneiro, o morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.

Há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, outra Indicação Geográfica concedida.

Fonte: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Associação dos Apicultores de Capanema e Região (Apic), Sebrae/PR, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

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Fonte: Rodrigo Bortot <rodrigo.bortot@partners360.com.br>

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