top of page

Cólica intensa não é normal e pode indicar endometriose, alerta médico do Paraná

Foto do escritor: Editor Paranashop
Editor Paranashop
há 2 dias
3 min de leitura

O cirurgião ginecológico Igor Chiminacio, do Paraná, explica quando a dor menstrual merece investigação e apresenta a “Teoria do Polvo” para entender por que a endometriose provoca dores em diferentes regiões do corpo


A cólica menstrual faz parte da vida de muitas mulheres. Desde a adolescência é comum ouvir que sentir dor durante a menstruação é normal e que basta aprender a conviver com ela. Mas a intensidade do sintoma e o impacto que ele provoca na rotina podem indicar quando é necessário investigar a causa.


Para o cirurgião ginecológico e pesquisador Igor Chiminacio, médico que atua no Paraná, a dor menstrual não deve ser analisada apenas pela presença ou ausência de cólica, mas também pela sua intensidade, frequência e pelos efeitos que provoca no cotidiano.


“Nem toda mulher que sente cólica tem endometriose, mas uma dor intensa e recorrente não deve ser simplesmente normalizada. Sentir dor não é normal”, afirma.


Segundo o médico, um dos obstáculos para o diagnóstico da endometriose é justamente a naturalização desses sintomas. Ele relata atender pacientes que convivem durante anos com dores antes de descobrir a causa — em alguns casos, o intervalo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico chega a oito ou dez anos.


A localização da dor também pode dificultar o reconhecimento da doença. Além da região pélvica, pacientes com endometriose podem apresentar sintomas em áreas como lombar, virilha e pernas, e a relação dessas manifestações com o período menstrual pode ser uma informação importante durante a investigação.


“Antes de olhar uma imagem, eu quero entender o que a paciente sente, quando sente e onde dói. Os sintomas podem dar pistas importantes sobre a localização da doença”, explica.


De acordo com Chiminacio, a investigação da endometriose não depende exclusivamente dos exames de imagem. Embora ultrassonografia e ressonância magnética possam ajudar a identificar e localizar a doença, a avaliação clínica também é considerada importante. A história da paciente, a descrição dos sintomas e o exame físico contribuem para levantar hipóteses e direcionar a investigação — por isso, segundo ele, um exame sem alterações não deve ser interpretado isoladamente.



Uma forma diferente de explicar a anatomia da dor


Para explicar por que a endometriose pode provocar dores em diferentes regiões, Chiminacio desenvolveu o que chama de “Teoria do Polvo”. A comparação parte da anatomia da pelve feminina: o útero é representado como a cabeça de um polvo, enquanto os tecidos que dão sustentação ao órgão, conhecidos como paramétrios, são comparados aos tentáculos.


A proposta é facilitar a compreensão de como a localização da endometriose pode estar relacionada aos diferentes sintomas. Segundo o médico, o comprometimento dessas estruturas pode envolver regiões próximas aos nervos e ajudar a explicar por que a dor nem sempre fica restrita à região pélvica. O conceito foi apresentado por ele no Congresso Global da AAGL, realizado em 2025, em Vancouver, em trabalho publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.


Divulgação Dr. Igor Chiminacio
Divulgação Dr. Igor Chiminacio

Quando a cólica merece investigação?


Não existe uma única característica capaz de determinar se uma cólica está dentro do esperado ou se está relacionada à endometriose. A intensidade da dor, a recorrência e o impacto na rotina são alguns dos aspectos a considerar. Quando a mulher deixa de trabalhar, estudar, praticar atividades físicas ou realizar tarefas do dia a dia por causa da dor menstrual, o sintoma merece atenção.


A recomendação do médico é procurar avaliação diante de dores intensas ou persistentes, especialmente quando se repetem ao longo dos ciclos menstruais ou aparecem acompanhadas de outros sintomas. A principal mensagem, segundo ele, é que sentir dor não deve ser automaticamente considerado parte obrigatória da experiência de menstruar: a investigação adequada ajuda a diferenciar uma cólica comum de sintomas que exigem avaliação mais aprofundada, incluindo a possibilidade de endometriose.


Em tempo, Chiminacio lançou o livro A Endometriose, Deus e as Redes Sociais, que reúne experiências de sua trajetória, reflexões sobre diagnóstico e tratamento da doença e o impacto das redes sociais no acesso das mulheres à informação. Segundo o autor, toda a renda da venda será destinada ao WHR – Women’s Health Research, para fomentar pesquisas em saúde feminina.


Fonte: release da assessoria de imprensa do Dr. Igor Chiminacio (DR Comunicação). As informações médicas são atribuídas ao especialista.

Comentários


bottom of page