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Botox para bruxismo: aplicação exige avaliação e não substitui diagnóstico da causa

  • Foto do escritor: Editor Paranashop
    Editor Paranashop
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Procedimento ganha espaço nas redes sociais e consultórios, mas aplicação indiscriminada não resolve a origem do problema e pode trazer consequências ao longo do tempo


A popularização da toxina botulínica como alternativa para aliviar sintomas associados ao bruxismo tem chamado a atenção de especialistas da área odontológica.

Embora o procedimento tenha ganhado espaço pela praticidade, rapidez e apelo estético, a aplicação não elimina o comportamento de apertar ou ranger os dentes e deve ser avaliada com cautela.


Segundo Bianca Cavalcante de Leão, especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial e docente dos cursos de graduação e pós-graduação em Odontologia da Universidade Positivo (UP), é importante compreender primeiro o que caracteriza o bruxismo.


“O que acontece hoje é que esse mercado cresce muito mais pela demanda estética e financeira do que por ciência sólida. A toxina pode reduzir temporariamente a atividade muscular e até alterar aspectos estéticos do rosto, mas ela não elimina o bruxismo”, afirma.

Aplicação não elimina o apertamento


Segundo a especialista, mesmo após a aplicação da toxina botulínica, o paciente pode continuar apresentando o comportamento de apertar ou ranger os dentes.

Isso significa que problemas associados ao bruxismo, como desgaste dental, dores e fraturas, podem continuar ocorrendo.

“Quando a toxina é aplicada, ocorre uma paralisia temporária da musculatura. Isso pode aliviar sintomas em alguns casos específicos, mas o paciente continua com o comportamento de apertamento. Ou seja: ele segue causando danos às estruturas dentárias”, explica.

Eficácia para dor é discutida


Bianca também chama atenção para estudos que avaliam a eficácia da toxina botulínica no controle da dor relacionada ao bruxismo.

“Existem revisões sistemáticas mostrando que, para dor, a toxina não apresentou resultados superiores ao placebo. Por isso, precisamos ter muito cuidado com a banalização desse procedimento.”

Segundo a especialista, a resposta pode variar de acordo com cada caso e a toxina não deve ser considerada automaticamente como solução para todos os pacientes com bruxismo.


Uso prolongado merece atenção


Outro ponto destacado no material é o impacto potencial de aplicações repetidas por períodos prolongados.

“O uso prolongado pode causar atrofia muscular e, mais grave do que isso, perda de densidade óssea na mandíbula. Ainda não temos estudos avaliando décadas de aplicação contínua, então precisamos discutir esses riscos com muita responsabilidade”, alerta.

Diante da ausência de dados de longo prazo sobre aplicações contínuas por décadas, a orientação é avaliar cuidadosamente riscos e benefícios.


Toxina não deve ser primeira opção


Segundo Bianca, a toxina botulínica não deve ser considerada tratamento de primeira linha para o bruxismo.

A aplicação pode ser avaliada em situações específicas, como pacientes com dor muscular severa e refratária, especialmente quando abordagens conservadoras já foram tentadas sem resultado satisfatório.

“O diagnóstico é a chave de tudo. Antes de qualquer aplicação, o paciente precisa procurar um especialista em dor orofacial e disfunção temporomandibular.”

A especialista também recomenda cautela diante de promessas de soluções rápidas.

“É importante desconfiar de soluções rápidas e da ideia de ‘toxina terapêutica’. Esse termo, da forma como vem sendo usado comercialmente, não existe”, conclui.

Diagnóstico deve orientar o tratamento


O bruxismo pode envolver diferentes fatores e manifestações, e o tratamento adequado depende de avaliação individual.

Antes de optar pela toxina botulínica ou qualquer outro procedimento, a recomendação é procurar um profissional habilitado para investigar o quadro e definir a estratégia mais adequada para cada paciente.


Fonte: Universidade Positivo

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