Turfe paranaense resiste ao tempo e mantém viva uma tradição centenária em Curitiba
- 12 de jun.
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Do glamour dos grandes prêmios no Prado Velho às corridas atuais no Jockey Club do Paraná, a paixão pelos cavalos ainda reúne criadores, apostadores e admiradores de uma das mais tradicionais atividades esportivas do estado

Durante boa parte do século XX, poucas atividades simbolizavam tanto prestígio social em Curitiba quanto o turfe. As corridas de cavalos atraíam empresários, políticos, comerciantes, famílias tradicionais e apaixonados pelo esporte para tardes de elegância, apostas e confraternização. O turfe paranaense viveu décadas de grande esplendor, movimentando a economia, a criação de cavalos puro-sangue e a vida social da capital.
Embora tenha perdido espaço para novas formas de entretenimento e para outras modalidades esportivas, a tradição permanece viva graças à dedicação de criadores, proprietários, treinadores e frequentadores que continuam lotando arquibancadas em datas especiais e mantendo acesa a história do esporte.
Quando o coração do turfe batia no Prado Velho
Muitos curitibanos desconhecem que uma das áreas mais movimentadas da cidade já foi palco de corridas de cavalos. No início do século XX, o Hipódromo do Prado Velho ocupava a região onde atualmente está localizado o campus da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Na época, a área ainda ficava distante do centro urbano e reunia multidões em dias de corrida. Os eventos atraíam a elite curitibana, que comparecia vestida com trajes elegantes para acompanhar os páreos e participar da intensa vida social que girava em torno do turfe.
Com o crescimento da cidade, o espaço tornou-se insuficiente para as necessidades do esporte. A expansão urbana acabou impulsionando a mudança das atividades para uma nova sede.
O nascimento do Jockey Club do Paraná
Fundado em 1873, o Jockey Club do Paraná é uma das instituições esportivas mais antigas do Brasil.
A transferência das corridas para o Hipódromo do Tarumã consolidou uma nova fase do turfe paranaense. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, o local transformou-se em ponto de encontro da alta sociedade curitibana.
As grandes provas movimentavam apostas expressivas e atraíam criadores de diversas regiões do país. Não era raro encontrar empresários influentes, autoridades e personalidades locais acompanhando os eventos em ambientes que combinavam esporte, negócios e lazer.
O Tarumã tornou-se um símbolo de sofisticação. As arquibancadas cheias, os restaurantes, os camarotes e os tradicionais grandes prêmios ajudaram a construir uma aura de glamour que marcou gerações.
A concorrência da televisão e as mudanças de comportamento
A partir dos anos 1980, o turfe começou a enfrentar desafios cada vez maiores. A popularização da televisão, o crescimento do futebol como espetáculo de massa, a chegada dos shopping centers e o surgimento de novas opções de lazer reduziram gradualmente o público dos hipódromos.
Além disso, os custos de criação e manutenção de cavalos de corrida aumentaram significativamente, tornando o setor mais restrito.
Mesmo assim, o Paraná continuou sendo referência nacional na criação de puro-sangues, mantendo haras importantes e participando das principais competições brasileiras.
Quem ainda frequenta o turfe
Ao contrário do que muitos imaginam, o turfe não desapareceu. O público atual é formado por diferentes perfis.
Há os criadores e proprietários de cavalos, que acompanham de perto o desempenho dos animais. Também estão presentes treinadores, veterinários, profissionais do setor agropecuário e apostadores tradicionais que frequentam o hipódromo há décadas.
Nos últimos anos, eventos gastronômicos, festivais e atividades familiares passaram a integrar a programação do Jockey Club, aproximando novas gerações de uma tradição que parecia destinada ao esquecimento.
Os encontros mantêm um clima muito diferente das grandes multidões do passado, mas preservam o sentimento de pertencimento de quem considera o turfe parte da identidade cultural paranaense.
Raphael Munhoz da Rocha e a memória do esporte
Entre os nomes que ajudaram a registrar a história do turfe no Paraná, destaca-se o jornalista Raphael Munhoz da Rocha.
Durante anos, Raphael manteve uma respeitada coluna especializada no jornal O Estado do Paraná, tornando-se referência para proprietários, criadores, treinadores e aficionados pelas corridas.
Suas análises, comentários e cobertura dos principais páreos contribuíram para documentar uma fase importante do esporte no estado. Em uma época anterior à internet e às redes sociais, suas publicações eram leitura obrigatória para quem acompanhava o universo do turfe.
O trabalho de jornalistas especializados como Raphael ajudou a preservar a memória de personagens, cavalos históricos e momentos marcantes que poderiam ter sido esquecidos com o passar do tempo.
Um patrimônio cultural que ainda galopa
Embora distante do glamour que marcou suas décadas de ouro, o turfe paranaense continua representando uma importante manifestação cultural, esportiva e econômica.
O Hipódromo do Tarumã segue recebendo competições e mantendo uma tradição iniciada há mais de 150 anos. Entre memórias do antigo Prado Velho, histórias de grandes campeões e o entusiasmo dos frequentadores atuais, o turfe permanece como um dos capítulos mais elegantes e singulares da história de Curitiba.
Fontes
Jockey Club do Paraná
Acervo histórico do jornal O Estado do Paraná
Acervos da Biblioteca Pública do Paraná
Instituto Histórico e Geográfico do Paraná
Pesquisas sobre a história do Hipódromo do Prado Velho e do Hipódromo do Tarumã
Registros históricos do turfe brasileiro e paranaense
Artigos e colunas de Raphael Munhoz da Rocha sobre turfe paranaense.



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