Google Trends mostra o que está mobilizando as buscas no Brasil
Futebol concentra as maiores ondas de pesquisa, enquanto eleição, clima, entretenimento e tecnologia revelam as diferentes preocupações dos brasileiros.

O futebol transformou o Google em uma arquibancada digital neste domingo (20). Entre os assuntos que mais cresceram nas buscas brasileiras nas últimas 24 horas, confrontos do Campeonato Brasileiro ocupam grande parte do painel, com “Grêmio x Palmeiras” na liderança. A lista também registra movimentos ligados à eleição de 2026, ao tempo severo, ao entretenimento, à loteria e a dúvidas sobre tecnologia. O resultado oferece uma fotografia instantânea do que despertou a curiosidade dos brasileiros — mas não deve ser confundido com uma pesquisa de opinião.
O painel Em alta do Google Trends, consultado pelo Paranashop, reúne as pesquisas que apresentaram crescimento acima do comportamento habitual. Na consulta realizada em 20 de setembro, “Grêmio x Palmeiras” aparecia com mais de 50 mil pesquisas e alta de 1.000%. “Corinthians x Fluminense” ultrapassava 5 mil, enquanto “Deltan Dallagnol” passava de 2 mil. Também figuravam entre os destaques “Real Madrid”, “alerta vermelho: tempestade”, “Pabllo Vittar”, “onde assistir Vasco x Coritiba” e “Lula Flávio Bolsonaro”.
A própria ferramenta faz uma distinção importante: uma tendência pode estar ativa ou ter registrado um pico e posteriormente retornado ao nível normal de pesquisas. Por isso, o ranking deve ser lido como um retrato de comportamento digital durante determinado intervalo, e não como uma lista permanente dos assuntos mais importantes do país.]
Futebol domina a conversa digital
A liderança de “Grêmio x Palmeiras” tem relação direta com a 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto foi marcado para a manhã deste domingo, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, e atraiu forte interesse antes da partida. O jogo terminou empatado em 0 a 0, resultado que deixou o Grêmio com 29 pontos e dentro da zona de rebaixamento.
A lista do Google mostra que não se trata de um fenômeno isolado. “Corinthians x Fluminense”, “EC Vitória x Cruzeiro”, “Flamengo x Bragantino”, “onde assistir Vasco x Coritiba”, “São Paulo x Internacional” e “Remo x Santos” também apareceram entre as tendências. O painel ainda registrou interesse por Real Madrid, Manchester City, futebol internacional e vôlei masculino.
Para o torcedor, a busca tem uma função cada vez mais prática. Antes de uma partida, ele procura horário, transmissão, escalações e situação na tabela. Durante o jogo, procura o placar e os acontecimentos principais. Depois, volta ao buscador para conferir classificação, próximos adversários e repercussão.
A sequência do Brasileirão ajuda a explicar essa concentração. A CBF programou a 28ª rodada para os dias 19 e 20 de setembro, com partidas espalhadas por diferentes horários. Em Curitiba, o Athletico-PR enfrentaria o Bahia na noite deste domingo.
O interesse também chega ao Paraná
O futebol nacional tem uma característica especialmente relevante para os leitores paranaenses: os clubes do Estado aparecem inseridos em uma conversa digital que ultrapassa seus próprios torcedores. O termo “onde assistir Vasco x Coritiba”, por exemplo, passou de 5 mil pesquisas e registrou crescimento de 300% no painel consultado.
Esse comportamento cria uma oportunidade para veículos regionais. Uma busca nacional pode esconder uma necessidade essencialmente local: saber onde assistir ao jogo, como está o clube na tabela, quais são as chances de permanência na Série A ou quando será a próxima partida.
Eleições entram no radar das pesquisas
A política aparece em posição relevante no painel, mas com uma característica diferente do futebol. Em vez de uma série de confrontos esportivos, as pesquisas estão concentradas em acontecimentos específicos.
“Deltan Dallagnol” registrava mais de 2 mil pesquisas, com crescimento de 1.000%. O pico ocorreu após uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral que suspendeu atos da campanha do candidato ao Senado pelo Paraná enquanto tramita recurso relacionado ao registro de candidatura. A decisão foi tomada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques e ainda será submetida ao plenário do TSE.
O episódio ganhou dimensão nacional, mas tem impacto particularmente direto no Paraná porque envolve uma disputa pelo Senado no Estado. A movimentação também acontece em uma fase decisiva do calendário eleitoral: o primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, e o TSE disponibilizou ao eleitor ferramentas oficiais para consultar candidaturas, partidos, patrimônio e prestação de contas.
Outro termo político entre os destaques foi “Lula Flávio Bolsonaro”, com mais de 2 mil pesquisas e crescimento de 600%. O dado demonstra aumento momentâneo de interesse sobre os dois nomes, mas não permite concluir preferência eleitoral, rejeição ou intenção de voto. O Google Trends mede interesse relativo de pesquisa; não substitui uma pesquisa eleitoral com metodologia própria.
Essa diferença é fundamental para interpretar corretamente os números. Uma pessoa pode pesquisar um candidato porque pretende votar nele, porque recebeu uma notícia sobre ele, porque discorda de suas posições ou simplesmente porque quer entender uma decisão judicial. O mecanismo de busca não identifica essa motivação.
Clima e acontecimentos inesperados provocam ondas rápidas
Entre os assuntos que fugiram do universo esportivo, “alerta vermelho: tempestade” chamou atenção. O termo ultrapassou 20 mil pesquisas e apresentou crescimento de 1.000% durante um período de aproximadamente uma hora. Depois, deixou de aparecer como tendência ativa, mostrando como assuntos relacionados ao clima podem produzir picos extremamente rápidos.
O comportamento é conhecido de quem acompanha uma mudança brusca no tempo. Quando uma tempestade se aproxima, a necessidade de informação muda de natureza: o usuário procura previsão, alertas, condições das estradas, possibilidade de alagamentos e impacto sobre compromissos.
Para regiões como o Paraná, onde eventos meteorológicos podem afetar rodovias, agricultura, comércio e atividades ao ar livre, essas ondas de pesquisa também funcionam como sinal de demanda por informação de serviço. O interesse pode começar em uma cidade e ganhar escala conforme imagens e relatos se espalham pelas redes sociais.
O desafio para o jornalismo é separar informação meteorológica confirmada de vídeos antigos, imagens fora de contexto e mensagens alarmistas que circulam nas plataformas digitais.
Entre memes, loteria e tecnologia, aparece o cotidiano
O Google Trends também mostra que o brasileiro não pesquisa apenas notícias duras ou grandes acontecimentos. “Pabllo Vittar” apareceu com crescimento de 300%, impulsionado pela retomada anual do meme “Vai Passar Mal”, associado ao dia 20 de setembro. A brincadeira nasceu em torno da divulgação do primeiro álbum da cantora, lançado em 2017, e se transformou em uma tradição recorrente nas redes sociais.
A presença do termo ajuda a entender como a cultura digital trabalha com memória. Uma referência criada há nove anos pode voltar ao centro das atenções simplesmente porque chegou a determinada data. Não é necessário um lançamento, um novo álbum ou uma grande notícia: o próprio calendário pode reativar o assunto.
Também apareceram “sorteio Lotofácil”, com alta de 400%, e “Play Store”, que registrou crescimento de 75%. São pesquisas muito diferentes, mas que têm algo em comum: respondem a necessidades imediatas. Em um caso, o usuário quer conferir uma possibilidade de prêmio; no outro, pode estar procurando informações sobre aplicativos ou funcionamento da loja digital.
O mesmo painel registrou ainda interesse por UFC, Alexandre Pantoja, signos e competições internacionais. A variedade reforça que não existe um único “assunto do Brasil”. O comportamento de busca é fragmentado e muda conforme hora, região, acontecimento e perfil do usuário.
O que as buscas dizem — e o que elas não dizem
O Google Trends funciona como um termômetro da atenção, mas não como um retrato completo da sociedade. Uma busca que cresce 1.000% pode representar milhares de consultas adicionais ou simplesmente um salto muito grande em relação ao volume habitual daquele termo. O próprio Google trabalha com interesse relativo, e não com uma medição direta da população brasileira.
Para o jornalismo, essa diferença muda a maneira de utilizar os dados. Uma tendência pode servir como ponto de partida para descobrir uma pauta, identificar uma dúvida coletiva ou perceber que determinado acontecimento ganhou repercussão. A confirmação dos fatos, entretanto, precisa vir de fontes confiáveis e documentos, autoridades, entidades esportivas ou personagens envolvidos.
O ranking deste domingo mostra um país que alterna rapidamente entre entretenimento e acontecimentos públicos. Um jogo de futebol pode dominar as pesquisas pela manhã; uma decisão judicial pode provocar uma onda poucas horas depois; uma tempestade pode criar uma busca repentina; e um meme antigo pode ressurgir simplesmente porque chegou a data conhecida pelos usuários.
Essa velocidade também muda a relação entre notícia e audiência. O leitor não espera necessariamente o telejornal da noite para descobrir o que aconteceu. Ele recebe uma informação no celular, abre o Google, procura explicações e, em seguida, compartilha o que encontrou. A disputa pela atenção acontece praticamente em tempo real.
Para veículos regionais, existe aí uma oportunidade que vai além de acompanhar rankings. O verdadeiro valor está em transformar a busca em serviço: explicar o que aconteceu, verificar a informação, localizar seus efeitos no Paraná e oferecer ao leitor aquilo que um algoritmo sozinho não consegue entregar.
No fim, talvez o aspecto mais revelador do Google Trends seja justamente sua instabilidade. O assunto que aparece no topo agora pode desaparecer em poucas horas. A pergunta que permanece para o jornalismo é outra: quando milhões de pessoas começam a procurar a mesma coisa, o que existe por trás dessa curiosidade — e qual informação elas realmente precisam encontrar?
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Edição: Marcos Paulo Assis
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.



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