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Eleições no Paraná ganham intensidade com Moro, Sandro Alex e Requião Filho

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
há 42 minutos
6 min de leitura

A licença de Ratinho Junior, a reação de Sergio Moro, o desempenho de Requião Filho nas pesquisas e a pressão sobre Sandro Alex movimentaram a política paranaense.


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A eleição para o Governo do Paraná entrou em uma etapa de forte movimentação política. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, os principais grupos que disputam o Palácio Iguaçu intensificaram articulações, ajustaram estratégias de comunicação e passaram a expor com mais clareza suas diferenças sobre o futuro do Estado. A disputa, que durante meses foi marcada pela formação de alianças e pela construção das candidaturas, ganhou uma dimensão mais concreta à medida que os eleitores começam a definir suas escolhas.


No centro dessa movimentação está o governador Ratinho Junior. Depois de quase oito anos à frente do Executivo estadual, ele deixou temporariamente o cargo nesta semana para participar diretamente da campanha de Sandro Alex, candidato do PSD à sua sucessão. O gesto tem significado político evidente: o grupo que governa o Paraná decidiu colocar sua principal liderança em campo para defender a continuidade do projeto administrativo.


A entrada mais ostensiva de Ratinho Junior na campanha ocorre ao mesmo tempo em que Sergio Moro procura consolidar sua candidatura ao Palácio Iguaçu e Requião Filho tenta ampliar seu espaço entre os eleitores. Sandro Alex, apoiado pelo governador, precisa transformar a força política e administrativa do grupo governista em votos próprios. Não se trata de uma operação automática. O eleitor que aprova um governo não necessariamente escolhe o candidato indicado pelo governante.


É nessa diferença entre aprovação administrativa, transferência de votos e escolha individual que está boa parte da disputa paranaense.


Uma eleição que aparece diferente conforme a pesquisa


Os números divulgados nesta semana ajudam a explicar a movimentação dos partidos, mas também recomendam cautela. Paraná Pesquisas, AtlasIntel e Neokemp apresentaram cenários significativamente diferentes para a corrida pelo governo. Em alguns levantamentos, Sergio Moro aparece à frente; em outro, Requião Filho surge em primeiro lugar. Sandro Alex também apresenta resultados distintos conforme o instituto e o período de entrevistas.


A divergência não significa necessariamente que uma pesquisa esteja correta e outra errada. Cada levantamento representa uma amostra do eleitorado em determinado momento e utiliza metodologia própria. Datas de coleta, tamanho e composição da amostra, questionário e método de abordagem podem influenciar os resultados. Por isso, comparar números de institutos diferentes exige mais cuidado do que simplesmente observar quem aparece na primeira colocação.


O dado mais relevante é que as pesquisas oferecem fotografias diferentes de um eleitorado que ainda pode mudar de posição. Para os candidatos, isso significa adaptar discurso, presença regional e comunicação. Para o eleitor, significa evitar que um único levantamento seja interpretado como antecipação do resultado.


Ratinho Junior troca o Palácio Iguaçu pelo palanque


A decisão mais significativa da semana foi a licença de Ratinho Junior para participar diretamente da campanha de Sandro Alex. O governador se afastou temporariamente do cargo e o vice-governador Darci Piana assumiu o comando do Executivo estadual durante o período.


A licença não é apenas uma formalidade administrativa. Politicamente, representa a entrada direta do governador na tentativa de transferir para seu candidato parte do capital acumulado durante sua administração.


Reportagens publicadas nesta semana mostram Ratinho Junior elevando o tom contra Sergio Moro e participando de uma agenda eleitoral mais intensa em favor de Sandro Alex. A mudança chama atenção porque o governador vinha adotando uma postura mais contida na disputa.


O desafio está justamente na transferência de votos. Aprovação de governo não significa automaticamente transferência de preferência eleitoral. O eleitor pode reconhecer avanços em determinadas políticas públicas, serviços ou indicadores econômicos e, ainda assim, escolher outro candidato para administrar o Estado.


É essa equação que a candidatura de Sandro Alex precisa resolver.


Moro transforma a disputa em debate sobre continuidade e mudança


Sergio Moro também passou a enfrentar uma situação politicamente mais complexa. Ao mesmo tempo em que procura consolidar sua candidatura ao governo, o senador tenta dialogar com setores que reconhecem resultados da atual administração estadual.


A estratégia aparece inclusive na comunicação eleitoral. Moro tem utilizado referências positivas ao governo Ratinho Junior, enquanto o grupo governista procura apresentar o candidato do PL como uma opção capaz de estabelecer uma relação diferente com Brasília. A campanha de Sandro Alex, por sua vez, explora a ideia de continuidade administrativa.


Esse movimento mostra que a eleição não está organizada apenas em torno de rótulos partidários ou ideológicos.


Há uma disputa pelo eleitor que reconhece resultados da atual gestão, mas pode desejar mudanças em determinadas áreas; e também por aquele que considera necessário alterar prioridades, métodos ou composição política. Segurança pública, saúde, educação, pedágios, concessões, infraestrutura e relação com o governo federal tendem a ganhar espaço no debate.


Quanto mais a campanha se aproxima da decisão, menos espaço deveria existir para acusações sem comprovação e mais para propostas que possam ser examinadas pelo eleitor.


Requião Filho procura consolidar um espaço próprio


Requião Filho aparece como outro personagem importante da disputa. O candidato do PDT ocupa posição competitiva em diferentes levantamentos e chegou a liderar o cenário estimulado da pesquisa Neokemp.


Sua campanha procura construir uma identidade própria, explorando críticas ao atual grupo político e ao modelo de administração estadual defendido por Ratinho Junior e Sandro Alex.


O desafio é transformar desempenho nas pesquisas em presença eleitoral consistente em um Estado de dimensões continentais. O Paraná possui realidades econômicas e sociais muito diferentes entre Curitiba, Região Metropolitana, Norte, Noroeste, Oeste, Sudoeste, Campos Gerais e litoral.


A capacidade de dialogar com municípios médios e pequenos, setores produtivos, trabalhadores, agricultores e eleitores das periferias será tão relevante quanto o desempenho na capital.


Senado tem nove candidatos para duas vagas


A disputa pelo Senado ocorre paralelamente e apresenta uma característica que merece atenção. O Paraná possui nove candidatos concorrendo a duas vagas.


O Tribunal Regional Eleitoral registrou oito candidaturas ao governo e nove ao Senado. No total, o Estado recebeu 1.063 pedidos de registro de candidatura para todos os cargos em disputa. São 414 candidatos a deputado federal e 606 a deputado estadual, além dos concorrentes ao Executivo e ao Senado.


Para o Senado, o eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes. O TRE-PR alerta que, caso a mesma pessoa seja escolhida nas duas votações, apenas o primeiro voto será considerado válido; o segundo será anulado.


A regra cria uma eleição peculiar. Um candidato pode ser competitivo individualmente e, ao mesmo tempo, depender da combinação de votos produzida pela segunda escolha do eleitor.


Nos bastidores, isso abre espaço para alianças que nem sempre coincidem integralmente com as chapas para governador. Prefeitos, deputados, partidos e lideranças regionais podem apoiar combinações diferentes para as duas cadeiras.


A guerra jurídica ganhou espaço


Outro aspecto que merece acompanhamento é a judicialização da eleição.

Levantamento do Plural Jornalismo identificou centenas de processos envolvendo candidatos no Paraná, incluindo disputas entre campanhas que chegaram à Justiça Eleitoral. Um dos episódios recentes envolveu decisão do TRE-PR relacionada a uma propaganda da campanha de Sandro Alex contra Sergio Moro.


A judicialização não é necessariamente um problema. A Justiça Eleitoral existe justamente para analisar abusos, propaganda irregular e conflitos entre candidaturas.


A dificuldade aparece quando a disputa judicial passa a substituir o debate político. Para o eleitor, acusações e decisões precisam ser apresentadas com precisão: quem fez a afirmação, qual foi a decisão, qual fundamento foi utilizado e se existe recurso.


Em uma campanha marcada pela velocidade das redes sociais, transformar uma decisão provisória em uma condenação definitiva na comunicação eleitoral pode distorcer a compreensão dos fatos.


O dinheiro da campanha também merece fiscalização


As eleições movimentam milhões de reais e a origem e aplicação desses recursos deveriam interessar tanto quanto os discursos dos candidatos.


Levantamento publicado pelo Bem Paraná mostrou que a disputa pelas duas cadeiras do Senado já havia movimentado mais de R$ 16 milhões em despesas após aproximadamente um mês de campanha.


A fiscalização não deve se limitar aos valores totais. É preciso observar quem financia as candidaturas, quanto cada grupo recebe, quais fornecedores concentram os pagamentos e como os gastos evoluem até o encerramento da campanha.


O TSE disponibiliza dados de candidatos, bens, coligações, propostas e informações eleitorais em sua base de dados aberta. O acompanhamento desses registros permite que imprensa e sociedade civil façam uma leitura mais concreta das campanhas.


Para o cidadão, a questão é simples: uma campanha milionária precisa ser explicada com a mesma transparência que se exige de um governo.


A contagem regressiva já começou


O calendário oficial estabelece 4 de outubro de 2026, domingo, como data do primeiro turno das eleições gerais. No Paraná, os eleitores escolherão presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. Um eventual segundo turno para governador e presidente está marcado para 25 de outubro.


A proximidade da votação reduz progressivamente o espaço para mudanças de estratégia. Partidos e candidatos já precisam concentrar esforços na apresentação das propostas, na mobilização de suas bases e na conquista dos eleitores que ainda não definiram o voto.


Para o eleitor, a quantidade de escolhas exige atenção. São seis cargos diferentes na urna, com funções, responsabilidades e poderes distintos. A disputa pelo governo estadual, portanto, é apenas uma parte de uma eleição que também definirá a composição da bancada paranaense na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, além das duas cadeiras do Senado.


O eventual segundo turno, caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos na disputa pelo governo, será realizado em 25 de outubro. A Justiça Eleitoral já estabeleceu as regras e os procedimentos para essa segunda etapa, caso ela seja necessária.


A política paranaense chega, assim, a um período em que decisões de campanha terão impacto direto sobre a percepção dos eleitores. O que ainda pode mudar não é o calendário, mas a posição de cada candidatura diante de um eleitorado que será chamado às urnas em poucas semanas.





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