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Moro vence no primeiro turno e muda o eixo de poder da política do Paraná

há 2 dias
6 min de leitura

A vitória de Sergio Moro, a eleição de Filipe Barros e Deltan ao Senado e a renovação da Alep redesenham o poder paranaense.


Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

A política do Paraná amanhece nesta segunda-feira diante de um cenário completamente diferente daquele projetado no início da campanha. Sergio Moro (PL) foi eleito governador no primeiro turno, com 50,10% dos votos válidos, enquanto Sandro Alex (PSD) terminou com 25,35% e Requião Filho (PDT), com 23,48%. No Senado, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistaram as duas vagas em disputa.


O resultado é mais do que uma vitória individual. Ele altera a correlação de forças entre os principais grupos políticos do Estado, enfraquece a tentativa de continuidade do grupo de Ratinho Junior e coloca no centro do poder uma aliança política que combina PL, Novo e setores da direita paranaense. A partir de janeiro, Moro terá de transformar uma vitória eleitoral apertada no limite dos 50% em uma base política capaz de governar.


O dado mais revelador é que a eleição não terminou com uma simples troca de nomes no Palácio Iguaçu. O eleitorado também produziu uma mudança expressiva no Legislativo estadual e na representação do Paraná em Brasília.


Moro ganhou, mas a eleição mostrou um Paraná dividido


A vitória de Moro foi expressiva, mas não deve ser interpretada como uma autorização para ignorar quase metade do eleitorado. A diferença para Sandro Alex e Requião Filho foi suficiente para evitar o segundo turno, mas os dois adversários somaram, juntos, 48,83% dos votos válidos.


Esse detalhe será relevante na montagem do governo.


A última pesquisa Quaest antes da votação apontava Moro com 43% dos votos válidos, Sandro Alex com 29% e Requião Filho com 27%. A pesquisa tinha margem de erro de dois pontos percentuais e foi realizada entre 2 e 3 de outubro.


A fotografia final das urnas confirmou a liderança de Moro, mas também mostrou que a disputa estava longe de ser uma eleição de candidato único. Sandro Alex conseguiu preservar uma parcela significativa do eleitorado governista, enquanto Requião Filho manteve a presença eleitoral da família Requião em uma disputa que, até os últimos dias, apresentava possibilidade de segundo turno.


O resultado final, portanto, combina vitória contundente de Moro com uma sociedade politicamente dividida.


A transferência de votos de Ratinho Junior não aconteceu como esperado


Nos bastidores, uma das questões centrais da eleição era saber se a força acumulada por Ratinho Junior seria suficiente para eleger seu sucessor. O governador apoiou Sandro Alex, que carregou para a campanha a estrutura política do PSD e a associação com uma administração que chega ao fim com forte presença nos municípios.


A resposta das urnas foi negativa.


Isso não significa que Ratinho Junior tenha perdido toda a influência política no Paraná. O PSD continua com presença relevante e o governador mantém capital político próprio. O que a eleição demonstrou foi algo mais específico: a popularidade de um governador não se transfere automaticamente para seu sucessor.


A candidatura de Sandro Alex enfrentou ainda um problema adicional: precisava defender o legado do governo e, ao mesmo tempo, convencer o eleitor de que representava uma mudança suficiente para justificar seu próprio mandato. Moro explorou justamente essa ambiguidade durante a campanha.


Agora, Ratinho Junior terá de administrar uma transição política mais complexa. O grupo que comandou o Estado nos últimos anos deixa o Palácio Iguaçu sem controlar a sucessão.


Moro promete continuidade, mas também redução da máquina


Uma das primeiras declarações do governador eleito ajuda a indicar o tom da transição. Após a confirmação do resultado, Moro afirmou que pretende manter obras e projetos da administração atual e buscar uma transição sem ruptura com Ratinho Junior.


A declaração merece atenção porque reduz o risco de uma mudança abrupta na administração pública. Obras em andamento, contratos, programas de infraestrutura e investimentos estaduais não podem ser tratados como propriedade de um grupo político.

Ao mesmo tempo, Moro reafirmou uma promessa de campanha de reduzir o número de secretarias e diminuir gastos burocráticos. Também afirmou que pretende priorizar critérios técnicos na composição do governo.


Aqui estará um dos primeiros testes da nova administração.


Reduzir secretarias pode produzir economia, mas não é sinônimo automático de eficiência. O resultado dependerá de quais estruturas serão fundidas, quais funções serão preservadas e se a reorganização não provocará perda de capacidade administrativa.


O discurso de eficiência terá de aparecer nos números do orçamento, na qualidade dos serviços e na capacidade de execução do Estado.


PL conquista o governo e duas cadeiras no Senado


O desempenho do PL foi um dos grandes fatos políticos da eleição.


Moro venceu para governador e Filipe Barros conquistou uma das duas vagas ao Senado. Deltan Dallagnol, do Novo, ficou com a outra cadeira. O TRE-PR confirmou oficialmente os dois nomes eleitos para o Senado.


A fotografia é particularmente significativa porque, antes da eleição, a disputa pelas duas vagas era considerada uma das mais abertas do Paraná. Na pesquisa Quaest divulgada na véspera, Filipe Barros aparecia com 25% dos votos válidos, enquanto Alexandre Curi e Deltan tinham 21% cada e Gleisi Hoffmann, 15%.


A urna produziu, portanto, uma combinação politicamente poderosa: Moro no governo, Filipe Barros no Senado e Deltan em Brasília.


Isso aumenta a capacidade de articulação do novo governo, mas também eleva a responsabilidade dos eleitos. Uma bancada alinhada pode ajudar a liberar investimentos e defender interesses estaduais, mas precisa demonstrar que a sintonia política será acompanhada de resultados concretos para o Paraná.


A Assembleia terá 23 novos deputados


Outra transformação que merece atenção está na Assembleia Legislativa.

A partir de 2027, 23 das 54 cadeiras da Alep serão ocupadas por novos nomes, o equivalente a uma renovação de 42,6%. Entre os mais votados estão Paulo Melo e Jessicão, ambos do PL.


A mudança é relevante porque a Assembleia será decisiva para o novo governo.

Moro poderá chegar ao Palácio Iguaçu com uma onda eleitoral favorável, mas não terá automaticamente uma maioria parlamentar. A composição das comissões, a eleição da Mesa Diretora e a distribuição das lideranças serão movimentos fundamentais nos próximos meses.


O perfil dos novos deputados também chama atenção. A lista reúne nomes ligados à política tradicional, lideranças municipais, representantes de movimentos de direita, profissionais de diferentes áreas e figuras conhecidas da comunicação e das redes sociais.


A renovação pode significar oxigenação. Também pode produzir inexperiência. O resultado dependerá da capacidade dos novos parlamentares de transformar votação em atuação legislativa consistente.


Velhos nomes ficam pelo caminho


A eleição também funcionou como uma espécie de peneira para lideranças tradicionais.

Beto Richa, Roberto Requião e Luciano Ducci estão entre os nomes conhecidos que não conseguiram retornar à Câmara dos Deputados.


A derrota de figuras com longa trajetória política mostra que o eleitorado paranaense não está mais necessariamente preso às estruturas tradicionais de poder. A força das redes sociais, a personalização das campanhas e a identificação ideológica passaram a ter peso considerável na formação do voto.


Isso não significa que a política tradicional tenha acabado. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais, estruturas partidárias e grupos econômicos continuam fundamentais para uma eleição estadual. O que mudou é a relação entre essas estruturas e o eleitor.


O voto pode ser mobilizado hoje por uma combinação de presença territorial e comunicação digital que desafia os antigos caciques partidários.


O novo governo começa sob uma cobrança maior


Moro terá uma vantagem importante: chega ao cargo com uma vitória no primeiro turno e com aliados eleitos para o Congresso. Mas também assume uma cobrança proporcionalmente maior.


O governador eleito prometeu uma gestão técnica, redução da burocracia e continuidade de projetos considerados positivos da atual administração.


A população, entretanto, não votou apenas em discursos nacionais ou em disputas ideológicas. No cotidiano, o julgamento do governo será feito por questões muito mais concretas: qualidade dos hospitais, segurança, estradas, escolas, empregos, ambiente de negócios, impostos, atendimento público e capacidade de investimento.


O Paraná possui uma economia diversificada e uma forte presença do agronegócio, da indústria e dos serviços. Uma administração estadual eficiente pode facilitar investimentos e melhorar a competitividade. Uma gestão politicamente conflituosa ou administrativamente frágil pode desperdiçar uma oportunidade importante.


O desafio de Moro será provar que a força eleitoral que o levou ao Palácio Iguaçu pode ser convertida em gestão.


A nova disputa começa agora


A eleição terminou, mas os bastidores apenas começaram a se movimentar.


Moro terá de escolher secretários, organizar a transição, negociar com a Assembleia e definir sua relação com prefeitos de diferentes partidos. Ratinho Junior precisará reconstruir seu espaço político depois de não conseguir eleger o sucessor. O PSD terá de decidir se será oposição, independência ou parceiro pontual do novo governo.


No Legislativo, os novos deputados disputarão espaço, comissões e protagonismo. Em Brasília, os novos senadores precisarão mostrar se a proximidade política com o governador será utilizada para defender projetos estruturantes ou apenas para reproduzir a polarização nacional.


Há ainda uma questão maior: o Paraná está inaugurando um novo ciclo político ou apenas trocando o grupo que ocupa o centro do poder?


A resposta não estará nos discursos da noite da eleição. Ela aparecerá nos primeiros meses de governo, no orçamento, nas nomeações, nas prioridades de investimento e, principalmente, na capacidade de entregar resultados sem transformar adversários políticos em inimigos institucionais.


O eleitor fez sua escolha. Agora começa a parte mais difícil da democracia: cobrar quem venceu.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br  

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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