Deputados federais do Paraná: eleitos, patrimônio e poder em 2026
Paraná terá 30 deputados federais a partir de 2027, com forte renovação, permanência de veteranos e grandes diferenças patrimoniais.

O Paraná terá 30 deputados federais na legislatura 2027-2030, em uma bancada que combina renovação, experiência política, empresários, representantes da segurança pública e nomes que construíram sua força principalmente nas redes sociais.
O resultado das urnas também alterou a hierarquia eleitoral do Estado. Jeffrey Chiquini, do Novo, foi o candidato mais votado, com 424.814 votos, seguido pelo correligionário Guilherme Kilter, com 269.554. Sargento Fahur, do PL, ficou em terceiro, com 242.327 votos. A relação dos 30 eleitos foi divulgada após a apuração e confirmada por veículos que acompanharam os dados oficiais.
A eleição, entretanto, conta apenas uma parte da história. A nova composição também mostra como partidos, federações, estruturas políticas, exposição digital e reconhecimento público continuam influenciando a disputa por uma cadeira em Brasília.
A declaração de patrimônio acrescenta outra camada à análise. Alguns eleitos possuem milhões de reais em bens e participações empresariais; outros apresentam patrimônio muito menor. Os números, contudo, são declarações feitas à Justiça Eleitoral e não permitem, isoladamente, concluir a origem de eventuais variações patrimoniais.
Os 30 deputados federais eleitos pelo Paraná
A bancada paranaense que assumirá em 2027 ficou formada pelos seguintes nomes:
Nº | Deputado eleito | Partido | Votos |
1 | Jeffrey Chiquini | Novo | 424.814 |
2 | Guilherme Kilter | Novo | 269.554 |
3 | Sargento Fahur | PL | 242.327 |
4 | Ana Júlia | PT | 184.505 |
5 | Beto Preto | PSD | 176.169 |
6 | Zeca Dirceu | PT | 158.278 |
7 | Rosangela Moro | PL | 146.227 |
8 | Aliel Machado | PV | 118.013 |
9 | Renato Freitas | PT | 115.116 |
10 | Delegado Matheus Laiola | União Brasil | 113.580 |
11 | Pedro Lupion | Republicanos | 109.716 |
12 | Felipe Francischini | Podemos | 105.976 |
13 | Carol Dartora | PT | 101.728 |
14 | Paranhos | PSD | 98.678 |
15 | Ricardo Barros | PP | 93.939 |
16 | Leandre | PSD | 89.368 |
17 | Paulo Litro | União Brasil | 88.489 |
18 | Toninho Wandscheer | PP | 87.704 |
19 | Da Costa do Perdeu Piá | Podemos | 86.011 |
20 | Tião Medeiros | PP | 85.757 |
21 | Marcelo Belinati | PP | 83.849 |
22 | Arilson Chiorato | PT | 77.547 |
23 | Vermelho | PL | 71.957 |
24 | Sergio Souza | MDB | 69.265 |
25 | Henrique Mecabô | Novo | 65.650 |
26 | Luizão Goulart | PSD | 63.465 |
27 | Newton Bonin | Republicanos | 54.396 |
28 | Delegado Francischini | PL | 53.042 |
29 | Ricardo Arruda | PL | 51.537 |
30 | Paulo Martins | Novo | 43.981 |
A distribuição partidária mostra uma bancada sem maioria de uma única legenda. PT e PL elegeram cinco deputados cada; Novo, PSD e PP ficaram com quatro cadeiras; União Brasil, Podemos e Republicanos conquistaram duas cada; PV e MDB ficaram com uma cadeira cada.
O desempenho do Novo está entre os principais fatos políticos da eleição. O partido colocou Jeffrey Chiquini e Guilherme Kilter nas duas primeiras posições da votação individual e terminou com quatro representantes na bancada.
Chiquini, além da votação expressiva, chega ao Congresso com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 6,4 milhões. Kilter, segundo os dados eleitorais disponíveis, declarou patrimônio muito inferior, mostrando que a força eleitoral não está diretamente relacionada ao tamanho dos bens declarados.
Nomes conhecidos que ficaram fora
A renovação também aparece entre os candidatos derrotados. Beto Richa, Roberto Requião, Luisa Canziani, Marcelo Rangel, Luiz Nishimori, Tadeu Veneri e Luciano Ducci, entre outros nomes conhecidos, não conquistaram uma das 30 cadeiras destinadas ao Paraná.
Beto Richa já havia exercido os cargos de prefeito de Curitiba, governador do Paraná e deputado federal. Na eleição de 2026, tentou retornar à Câmara, mas não conseguiu mandato.
Roberto Requião, que acumulou uma longa trajetória como vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, prefeito de Curitiba e governador do Paraná, também ficou fora da nova bancada federal.
Luisa Canziani, que havia conquistado dois mandatos consecutivos na Câmara, também não conseguiu retornar. O mesmo ocorreu com Marcelo Rangel, ex-prefeito de Ponta Grossa e ex-deputado estadual.
O resultado mostra que experiência política e reconhecimento público não garantem a eleição. Em um sistema proporcional, o candidato depende também do desempenho de seu partido ou federação e da distribuição das cadeiras conquistadas pela legenda.
Patrimônio revela outra face da nova bancada
A declaração de bens dos candidatos permite observar diferenças muito grandes entre os integrantes da nova Câmara. Os dados, entretanto, precisam ser tratados como uma fotografia patrimonial e não como uma demonstração de renda.
Entre os eleitos, Newton Bonin, do Republicanos, aparece com um dos maiores patrimônios declarados. Sua declaração reúne participações societárias, imóveis e créditos, revelando uma estrutura patrimonial fortemente ligada à atividade empresarial.
Entre os bens declarados estão um apartamento de aproximadamente R$ 10,8 milhões e participações em empresas e administradoras de bens.
Tião Medeiros, do PP, também declarou patrimônio milionário. Seus bens incluem participações societárias, quotas de capital, aplicações financeiras, terrenos e veículos. 7
Na outra ponta estão candidatos com patrimônios muito menores. Guilherme Kilter, por exemplo, declarou aproximadamente R$ 143 mil em bens. Mesmo com uma declaração patrimonial relativamente modesta, terminou como o segundo candidato mais votado do Paraná.
A comparação ajuda a mostrar que patrimônio elevado e sucesso eleitoral são fenômenos relacionados a contextos diferentes. Um candidato pode ter grande patrimônio antes de entrar na política, enquanto outro pode construir sua influência essencialmente por comunicação, militância ou atuação comunitária.
O patrimônio dos parlamentares que disputaram a eleição
Um levantamento publicado pelo Bem Paraná apontou crescimento de 29,3% no patrimônio agregado de um grupo de deputados federais paranaenses comparados entre as eleições de 2022 e 2026. O valor passou de R$ 88,11 milhões para R$ 113,93 milhões.
Esse número precisa ser interpretado com cuidado. Não representa o patrimônio dos 30 deputados eleitos em 2026. O levantamento compara declarações de parlamentares que estavam no grupo analisado anteriormente, incluindo pessoas que disputaram a eleição e não conseguiram novo mandato.
Dilceu Sperafico, por exemplo, declarou patrimônio de R$ 58,45 milhões em 2026, contra R$ 46,44 milhões em 2022. Apesar do patrimônio elevado, ele não está entre os 30 deputados federais eleitos pelo Paraná para a próxima legislatura.
A separação entre os dois grupos é necessária para evitar uma conclusão equivocada. Patrimônio declarado em uma eleição não significa mandato conquistado e também não demonstra, sozinho, enriquecimento provocado pela atividade política.
Empresas e política caminham próximas
A presença de empresários entre candidatos e eleitos é uma característica conhecida da política paranaense. Agronegócio, comércio, indústria e serviços formam uma parte importante da economia estadual e também aparecem na trajetória de diversos políticos.
Possuir empresa ou participação societária não significa irregularidade. A questão relevante para o eleitor está na relação entre a atividade privada e o exercício do mandato.
É possível acompanhar essas relações por meio de dados públicos, incluindo declarações de bens, registros empresariais, prestação de contas eleitorais, contratos públicos e informações sobre emendas parlamentares.
Newton Bonin e Tião Medeiros são exemplos de parlamentares eleitos que declararam participações societárias. Esses dados ajudam a dimensionar seus patrimônios, mas não permitem concluir, isoladamente, que exista conflito de interesses.
A legislação estabelece impedimentos específicos para deputados e senadores em determinadas relações com empresas e contratos públicos. Eventuais conflitos precisam ser examinados caso a caso, com documentação.
O fenômeno do político profissional
A expressão “político profissional” costuma aparecer em discussões eleitorais, mas a realidade é mais complexa. Alguns parlamentares passam grande parte da vida em cargos públicos. Outros entram na política depois de construir carreira empresarial ou profissional.
Há ainda uma nova categoria: políticos cuja principal ferramenta de construção de audiência é a internet.
Guilherme Kilter é um exemplo dessa transformação. Sua presença digital ampliou significativamente o alcance de sua candidatura e ajudou a formar uma base de eleitores antes mesmo da disputa nacional.
Jeffrey Chiquini também chegou ao topo da votação sem possuir uma longa trajetória de mandatos federais. O resultado mostra que um candidato pode construir rapidamente capital político quando consegue combinar comunicação, posicionamento e mobilização eleitoral.
Ricardo Barros representa uma trajetória diferente. Sua carreira inclui sucessivos mandatos e diferentes funções públicas. Zeca Dirceu também pertence ao grupo de políticos com longa experiência eleitoral.
A nova bancada reúne, portanto, duas forças aparentemente opostas: a política tradicional baseada em território, alianças e experiência e uma política mais recente baseada em redes sociais, identidade e comunicação direta com o eleitor.
Como explicar tamanho sucesso?
Não há uma única resposta.
O reconhecimento do nome ajuda. A estrutura partidária também. Alianças municipais, presença em diferentes regiões, capacidade de comunicação, recursos financeiros e identificação ideológica podem ampliar a competitividade de uma candidatura.
O sistema proporcional acrescenta outro elemento. O eleitor vota no candidato, mas a distribuição das cadeiras depende também do desempenho da legenda ou federação. Por isso, nem sempre os candidatos mais votados individualmente ocupam todas as cadeiras.
O dinheiro pode financiar campanha, comunicação e estrutura, mas não explica sozinho o resultado. A própria nova bancada apresenta candidatos com patrimônios muito diferentes que conseguiram chegar à Câmara.
O que existe é uma combinação de fatores: dinheiro, estrutura, reputação, comunicação, ideologia, presença territorial e capacidade de mobilização.
O desafio começa depois da eleição
Os 30 deputados federais eleitos terão agora a tarefa de representar o Paraná em Brasília. A partir da posse, o eleitor poderá acompanhar projetos apresentados, votos em plenário, participação em comissões, emendas parlamentares, articulações políticas e posições adotadas em temas relevantes para o Estado.
O patrimônio também poderá ser acompanhado ao longo do tempo. Uma declaração isolada é uma fotografia; várias declarações formam uma série histórica.
A nova bancada revela um Paraná politicamente plural. Há esquerda e direita, veteranos e estreantes, empresários e políticos com patrimônio mais modesto, representantes de diferentes regiões e diferentes grupos sociais.
A pergunta mais interessante para os próximos quatro anos talvez não seja apenas quanto cada deputado possui, mas como cada um transformará os votos recebidos em atuação parlamentar e quais interesses estarão efetivamente representados em Brasília.
A urna definiu os nomes. Agora começa o período em que o eleitor poderá conferir, com documentos e fatos, se as promessas de campanha se transformarão em trabalho parlamentar.
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Edição: Marcos Paulo Assis
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.


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