Ronco também afeta mulheres e pode esconder distúrbios do sono
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Problema tende a se tornar mais frequente após a menopausa e pode estar associado à apneia obstrutiva do sono

Quando se fala em ronco, é comum que o problema seja associado aos homens. Mas o sintoma também faz parte da realidade de muitas mulheres e pode se tornar mais frequente com o avanço da idade, especialmente após a menopausa.
Mais do que um incômodo para quem divide o quarto, o ronco persistente pode indicar alterações importantes na qualidade do sono e até problemas respiratórios que merecem investigação médica.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Lucas Vaz Padial, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, o ronco feminino ainda costuma ser subestimado.
“O ronco feminino muitas vezes acaba sendo subestimado. Algumas mulheres acreditam que isso faz parte do envelhecimento ou sentem vergonha de comentar o assunto, mas ele pode ser um importante sinal de alerta para distúrbios respiratórios do sono, como a apneia obstrutiva do sono”, explica.
Menopausa aumenta o risco
Os fatores hormonais têm influência importante no aparecimento do ronco nas mulheres.
Durante a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio e progesterona diminui a proteção natural que esses hormônios exercem sobre a musculatura das vias aéreas superiores e sobre o mecanismo respiratório.
Com isso, aumenta a tendência ao estreitamento da garganta durante o sono, o que pode favorecer tanto o ronco quanto episódios de apneia.
Além das alterações hormonais, outros fatores também podem contribuir para o problema, como ganho de peso, envelhecimento, rinite, desvio de septo e características anatômicas individuais.
Nem todo ronco é igual
Episódios ocasionais de ronco podem acontecer após uma noite mal dormida, durante um quadro gripal ou após o consumo de bebidas alcoólicas.
O problema merece mais atenção quando se torna frequente.
“Quando o ronco é constante, vem acompanhado de pausas respiratórias, sono agitado ou despertares frequentes, ele pode indicar apneia obstrutiva do sono, condição que reduz a oxigenação durante a noite e compromete a qualidade do descanso”, afirma o médico.
Segundo o especialista, entre as mulheres também pode aparecer outro sintoma associado: dor de cabeça ao acordar, que tende a melhorar ao longo do dia.
Nesses casos, o ronco deixa de ser apenas um desconforto e pode estar relacionado a consequências mais amplas para a saúde.
Sinais que merecem atenção
Além do próprio ronco, alguns sintomas podem indicar a necessidade de avaliação especializada.
Entre eles estão:
pausas na respiração durante o sono;
despertares com sensação de sufocamento;
sono agitado;
cansaço constante;
dor de cabeça ao acordar;
dificuldade de memória;
irritabilidade;
sonolência excessiva durante o dia;
baixa disposição.
A apneia obstrutiva do sono, quando não identificada, pode estar associada a problemas como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes e dificuldade de concentração.
Vergonha pode atrasar o diagnóstico
De acordo com o médico, muitas mulheres demoram mais para procurar atendimento porque ainda associam o ronco a um comportamento predominantemente masculino ou acreditam que o sintoma não merece investigação.
Em outros casos, a procura por atendimento acontece por causa das consequências do problema e não pelo ronco propriamente dito.
Sintomas como fadiga, dificuldade de memória, irritabilidade e baixa disposição podem aparecer antes que a paciente perceba que a qualidade do sono está comprometida.
“É importante observar também se o parceiro percebe pausas na respiração durante o sono ou se há despertares com sensação de sufocamento. Esses sinais justificam uma avaliação especializada”, orienta.
Há tratamento
Na maioria dos casos, o ronco pode ser controlado com o tratamento adequado, de acordo com sua causa.
Entre as medidas recomendadas estão manter peso saudável, praticar atividade física, evitar bebidas alcoólicas próximo ao horário de dormir, tratar obstruções nasais e manter bons hábitos de sono.
Quando necessário, o tratamento pode incluir aparelhos específicos para dormir, terapias ou procedimentos cirúrgicos.
“O mais importante é entender que roncar não deve ser encarado como algo normal. Identificar a origem do problema permite melhorar a qualidade do sono, preservar a saúde e recuperar a qualidade de vida”, conclui Dr. Lucas Padial.
Sobre o Hospital Paulista
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia atua no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta.
Ao longo de sua trajetória, ampliou sua atuação para áreas como Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, Cirurgia Cérvico-Facial, Bucomaxilofacial e Foniatria.



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