Maiores indústrias do Paraná: produção, empregos e exportações
Cooperativas, montadoras, fábricas de papel, alimentos, veículos, cosméticos e medicamentos formam uma indústria paranaense diversificada e exportadora.

O Paraná tem uma indústria que vai muito além das fábricas instaladas na Grande Curitiba. Enquanto montadoras produzem automóveis e caminhões, cooperativas transformam soja, milho, frango, peixe e suínos em alimentos para o mercado brasileiro e para dezenas de países. Em outras regiões, papel e celulose, medicamentos, cosméticos e eletrodomésticos completam um mapa industrial que ajuda a explicar a força econômica do Estado.
Entre as empresas de maior porte aparecem nomes como Coamo, C.Vale, Lar, Copacol, Klabin, Renault, Volvo, Electrolux, Grupo Boticário e Prati-Donaduzzi. Algumas nasceram no Paraná; outras chegaram ao Estado e transformaram suas unidades locais em plataformas industriais de alcance nacional e internacional.
O ranking das 100 maiores empresas do Paraná elaborado pelo Grupo Amanhã mostra, entre outras gigantes, Electrolux, Copacol e Cocamar entre as empresas paranaenses de maior porte. A metodologia considera indicadores financeiros e permite comparar empresas de diferentes segmentos. A reportagem do Paranashop, entretanto, não reproduz simplesmente a ordem do ranking: o recorte privilegia empresas com atividade industrial relevante no Paraná, escala, geração de empregos, presença nacional e inserção internacional.
Coamo transforma produção agrícola em alimentos e insumos industriais
Fundada em 28 de novembro de 1970, em Campo Mourão, a Coamo nasceu da união de 79 agricultores. O engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini foi um dos principais articuladores da criação da cooperativa, que começou ligada à necessidade de armazenar e comercializar a produção agrícola regional.
Hoje, a Coamo possui mais de 33 mil associados, mais de 9 mil funcionários efetivos e mais de 125 unidades distribuídas por Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em 2025, registrou receita global de R$ 28,716 bilhões e sobra líquida de R$ 2,019 bilhões.
A produção industrial inclui óleo de soja refinado, margarinas e gorduras vegetais, farinha de trigo, café torrado e moído, rações e produtos derivados de algodão. A soja continua sendo a principal matéria-prima recebida, seguida por milho, trigo e café.
A estrutura também inclui terminal marítimo em Paranaguá, conexão fundamental para a movimentação de produtos destinados ao mercado externo.
Direção atual: Airton Galinari, CEO.
Sede: Rua Fioravante João Ferri, 99, Jardim Alvorada, Campo Mourão.
C.Vale amplia a industrialização de proteínas e soja
A C.Vale foi criada em 7 de novembro de 1963 por 24 agricultores, em Palotina. Seis décadas depois, transformou-se em um complexo agroindustrial que combina produção agrícola, proteína animal e processamento industrial.
Em 2025, a cooperativa registrou R$ 25,2 bilhões de faturamento, 15.346 funcionários e 29.683 associados. A produção incluiu 370 mil toneladas de frango, 54,26 mil toneladas de peixes, 72,53 milhões de quilos de suínos e 138,9 mil toneladas de mandioca.
O complexo de Palotina reúne abatedouro de aves, frigorífico de peixes, indústria de termoprocessados e fábricas de rações. A esmagadora de soja inaugurada recentemente acrescentou uma nova etapa à estratégia de agregação de valor.
Nos termoprocessados, a exportação tem peso expressivo. Em 2025, a C.Vale informou que mais de 70% da produção dessa unidade foi destinada ao exterior.
Direção atual: Alfredo Lang, presidente do Conselho de Administração.
Sede/complexo: Avenida Ariosvaldo Bitencourt, 2000, Palotina.
Lar amplia proteínas e chega a 71 países
A Lar Cooperativa Agroindustrial foi fundada em 1964, inicialmente por 55 pequenos agricultores. A sede permanece em Medianeira, mas a operação se espalhou por diferentes estados e hoje envolve agricultura, alimentos, logística e varejo.
Em 2025, a cooperativa alcançou R$ 23,2 bilhões de receita líquida, crescimento de 14,4%. O ano também foi marcado por R$ 1,379 bilhão em investimentos.
A estratégia industrial ganhou novas frentes. Além da tradicional produção de frango, a Lar avançou em suínos e peixes. A cooperativa informou que exportou para 71 países em 2025, utilizando 168 portos.
O portfólio de alimentos inclui cortes de frango, produtos processados, produtos suínos, tilápia e alimentos preparados. A expansão para novas proteínas procura aumentar o valor obtido a partir da produção agrícola dos cooperados.
Direção atual: Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente; Diogo Sezar de Mattia, primeiro vice-presidente; Urbano Inacio Frey, segundo vice-presidente.
Sede: Avenida 24 de Outubro, 59, Área Industrial, Medianeira.
Copacol mantém forte presença na produção de alimentos
A Copacol foi criada em 23 de outubro de 1963, em Cafelândia, a partir da iniciativa do padre Luís Luise e de 32 agricultores. O grupo passou da produção agrícola para uma estrutura integrada que inclui aves, peixes, suínos, leite e grãos.
Em 2025, a cooperativa alcançou R$ 11,1 bilhões de faturamento e manteve aproximadamente 16 mil colaboradores. A produção é destinada ao mercado brasileiro e à exportação.
Frango, tilápia, cortes industrializados, rações, soja, milho e outros produtos formam o núcleo do negócio. A integração entre produtores e indústria permite que boa parte da cadeia seja coordenada pela própria cooperativa.
Direção atual: Valter Pitol, diretor-presidente.
Endereço: Avenida Desembargador Munhoz de Mello, 176, Cafelândia.
Klabin transformou Ortigueira em polo de papel e celulose
A Klabin tem origem em 1899, quando Maurício Klabin, seus irmãos Salomão e Hessel e o primo Miguel Lafer criaram a Klabin Irmãos & Cia. A empresa cresceu até se tornar uma das principais produtoras brasileiras de papel e celulose.
No Paraná, o grande marco foi o complexo industrial de Ortigueira, conhecido como Projeto Puma, inaugurado em 2016. A unidade produz celulose de fibra curta, fibra longa e fluff, além de produtos de papel para embalagens.
O complexo representa uma cadeia que começa na produção florestal e chega à celulose e às embalagens. Parte relevante da produção atende ao mercado internacional.
Direção atual: Cristiano Teixeira, diretor-geral e CEO.
Endereço: Fazenda Apucarana Grande, s/n, Distrito de Ortigueira.
Renault e Volvo colocam o Paraná no mapa automotivo
A indústria automobilística é uma das principais expressões da diversificação industrial paranaense. O Complexo Ayrton Senna, da Renault, foi construído em 1998 e já produziu mais de 4,3 milhões de veículos para os mercados brasileiro e internacional.
Em dezembro de 2025, o complexo tinha 5.120 empregados. A unidade produz atualmente modelos como Kwid, Kardian, Duster, Oroch, Master e Boreal. Em 2025, foram produzidas mais de 194 mil unidades dos modelos listados pela companhia.
A Renault também entrou em uma nova etapa de expansão com a associação com a Geely, que prevê investimentos e novas plataformas de veículos de baixa e zero emissão.
Em Curitiba, a Volvo mantém uma das principais operações industriais do grupo na América Latina. A unidade produz caminhões, chassis de ônibus, motores, transmissões e cabines e tornou-se referência na fabricação de veículos pesados.
Renault — endereço: Estrada da Roseira, BR-277, km 73, São José dos Pinhais.
Volvo — endereço: Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, 2600, Cidade Industrial de Curitiba.
As avaliações públicas do Google devem ser interpretadas com cautela para grandes plantas industriais. No caso de fabricantes de veículos, as fichas podem misturar experiências de funcionários, fornecedores, visitantes e prestadores de serviço, não constituindo avaliação dos veículos produzidos.
Electrolux, Boticário e Prati-Donaduzzi completam o mapa
A Electrolux mantém operações industriais na Região Metropolitana de Curitiba desde 1996, quando incorporou a Prosdócimo. A empresa produz eletrodomésticos e mantém atividades de pesquisa e desenvolvimento no Estado, atendendo ao mercado brasileiro e outras operações do grupo.
O Grupo Boticário tem uma relação ainda mais direta com Curitiba. Miguel Krigsner abriu em 1977 uma pequena farmácia de manipulação na capital paranaense. O negócio se transformou em um grupo de beleza presente em mais de 40 países, com mais de 20 mil colaboradores diretos e mais de 4 mil lojas físicas.
Entre os produtos de maior reconhecimento está a fragrância Malbec, uma das marcas mais associadas ao grupo. O portfólio também inclui produtos de cuidados pessoais, maquiagem, perfumaria e cosméticos de diferentes marcas.
Já a Prati-Donaduzzi representa o avanço da indústria farmacêutica no Oeste do Estado. Fundada em 1993 por Luiz e Carmen Donaduzzi, a empresa começou pequena e hoje possui cerca de 5 mil colaboradores, capacidade produtiva de aproximadamente 17 bilhões de doses por ano e forte presença no mercado brasileiro de medicamentos genéricos.
Electrolux: unidades na Região Metropolitana de Curitiba.
Grupo Boticário: complexo industrial em São José dos Pinhais.
Prati-Donaduzzi: Rua Mitsugoro Tanaka, 145, Centro Industrial Nilton Arruda, Toledo.
O que as avaliações do Google realmente mostram
A pesquisa considerou as avaliações públicas disponíveis no Google para as unidades identificadas, observando nota média, quantidade de avaliações e presença consolidada da empresa. O objetivo não foi criar um ranking de satisfação das indústrias.
Essa distinção é necessária porque uma fábrica não funciona como um restaurante ou uma loja. Uma pessoa pode avaliar positivamente uma sede administrativa, enquanto outra pode avaliar negativamente uma portaria depois de enfrentar dificuldades para carregar um caminhão. As duas experiências são reais, mas não medem a mesma coisa.
Nas unidades consultadas, Coamo, C.Vale, Lar, Copacol e Klabin apresentaram notas entre 4,4 e 4,7 estrelas, com volumes de avaliações bastante diferentes. A unidade da Klabin em Ortigueira, por exemplo, tinha aproximadamente 122 avaliações, enquanto a sede da Coamo ultrapassava mil.
A indústria paranaense deixou de ser apenas fornecedora de matéria-prima
A trajetória dessas empresas mostra uma transformação relevante na economia do Estado. A soja cultivada no interior pode virar óleo, ração ou proteína animal; a madeira plantada pode chegar à fábrica como celulose e sair como papel ou embalagem; grãos podem ser processados e comercializados com maior valor agregado; e uma indústria instalada na Grande Curitiba pode produzir veículos para consumidores de outros países.
O efeito econômico também ultrapassa os portões das fábricas. Grandes empregadores movimentam transportadoras, fornecedores, comércio, serviços, construção civil, qualificação profissional e arrecadação municipal. Nas cidades do interior, uma grande cooperativa muitas vezes ocupa posição central na própria economia regional.
O próximo capítulo dessa história será determinado pela capacidade de aumentar produtividade sem perder competitividade, incorporar tecnologia, formar mão de obra especializada e ampliar a participação de produtos industrializados nas exportações.
O Paraná já demonstrou que consegue produzir em escala. O desafio agora é transformar cada vez mais matéria-prima local em conhecimento, tecnologia, emprego qualificado e produtos capazes de disputar espaço nas prateleiras do Brasil e do mundo.
Observação editorial: os números de funcionários, faturamento e produção são apresentados com o ano de referência indicado pela fonte. As avaliações do Google são dinâmicas e podem mudar após a publicação da matéria.
Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.
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