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Maiores cooperativas do Paraná movimentam bilhões e mudam a vida no campo

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
há 20 minutos
6 min de leitura

Coamo, Lar, C.Vale, Cocamar e Copacol estão entre as maiores empresas do país e devolvem centenas de milhões aos cooperados.


Complexo de cooperativa agroindustrial do Paraná com silos, caminhões, lavouras e produtores rurais.
Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

O caminhão que chega carregado de soja a uma unidade cooperativa representa apenas o começo de uma operação que, no Paraná, movimenta bilhões de reais. Para muitos produtores, a mesma organização que recebe a produção também fornece sementes, fertilizantes, assistência técnica, armazenagem, crédito, seguros, máquinas e acesso à indústria e aos mercados nacional e internacional.


O tamanho desse sistema ajuda a explicar sua influência econômica. Em 2025, as 255 cooperativas registradas na Ocepar reuniram 4,48 milhões de cooperados e faturaram R$ 221,5 bilhões, enquanto o resultado líquido do sistema chegou a R$ 10,7 bilhões. O número de empregados alcançou 154.287. O ramo agropecuário, sozinho, tinha 239.495 cooperados e 118.641 empregados.


Entre as organizações que ajudam a sustentar esse gigantesco movimento estão algumas das maiores empresas do Paraná. O Ranking Valor 1000, edição 2026, baseado nos balanços de 2025, colocou 19 cooperativas agropecuárias paranaenses entre as mil maiores empresas brasileiras. Coamo, Lar e C.Vale aparecem, respectivamente, nas posições 55ª, 61ª e 62ª do ranking geral.


Coamo lidera entre as gigantes paranaenses


A Coamo, de Campo Mourão, encerrou 2025 com receita global de R$ 28,7 bilhões e resultado líquido de R$ 2,019 bilhões. O quadro social terminou o ano com 32.736 cooperados. Depois das destinações previstas em estatuto, mais de R$ 716 milhões foram distribuídos aos associados que tiveram movimentação na cooperativa.


O caso da Coamo ajuda a entender como funciona a lógica econômica do cooperativismo. O associado não recebe simplesmente uma parcela igual do resultado. A distribuição está relacionada à sua movimentação, incluindo produtos entregues e bens adquiridos, conforme as regras aprovadas pela cooperativa. Em 2025, os valores definidos para as sobras incluíram diferentes critérios para soja, milho, trigo, aveia, café e compras de produtos fornecidos pela organização.


A Lar Cooperativa, de Medianeira, fechou 2025 com receita líquida superior a R$ 23,2 bilhões, crescimento de 14,4%. A organização informou mais de R$ 335,9 milhões em resultados e benefícios destinados aos associados, incluindo sobras, bonificações, créditos e devoluções de capital. A cooperativa também investiu R$ 1,379 bilhão no ano.


Na C.Vale, de Palotina, o faturamento consolidado chegou a R$ 25,2 bilhões, com 29.683 associados. O retorno aos cooperados, somando sobras e outros benefícios, alcançou R$ 274,4 milhões, crescimento de 83,21% em relação ao ano anterior. A cooperativa recebeu 6,5 milhões de toneladas de produtos em 2025 e mantém operações em seis estados.


As maiores em números


Para evitar comparações contábeis inadequadas, os números abaixo são apresentados conforme divulgados pelas próprias organizações. Eles não representam necessariamente a mesma categoria contábil utilizada pelo Ranking Valor 1000.

Cooperativa

Resultado/faturamento de 2025

Cooperados

Coamo

R$ 28,7 bilhões

32.736

C.Vale

R$ 25,2 bilhões

29.683

Lar

mais de R$ 23,2 bilhões em receita líquida

dado não utilizado na tabela por divergência de base

Cocamar

R$ 11,57 bilhões

mais de 20 mil

Copacol

R$ 11,1 bilhões

10,5 mil

Agrária

R$ 8,1 bilhões consolidados

780

Integrada

R$ 7,9 bilhões

mais de 14 mil

Frimesa

R$ 7,04 bilhões

central formada por 5 cooperativas

Coopavel

mais de R$ 6,3 bilhões

8.213

Castrolanda

R$ 6,201 bilhões de receita operacional líquida

dado específico não confirmado nesta apuração

Os dados de Cocamar, Copacol, Agrária, Integrada, Frimesa, Coopavel e Castrolanda foram conferidos em relatórios ou divulgações institucionais de 2025. A Cocamar registrou R$ 11,571 bilhões e mais de 20 mil cooperados; a Copacol, R$ 11,1 bilhões e 10,5 mil cooperados; a Agrária, R$ 8,1 bilhões e 780 cooperados; a Integrada, R$ 7,9 bilhões e mais de 14 mil; e a Coopavel, mais de R$ 6,3 bilhões e 8.213 associados.


A Castrolanda registrou receita operacional líquida de R$ 6,201 bilhões e resultado líquido recorde de R$ 287,5 milhões, com R$ 65,5 milhões destinados aos cooperados.

A Frimesa exige uma ressalva. Ela é uma cooperativa central, formada por Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Por isso, seus R$ 7,04 bilhões de faturamento não devem ser comparados como se fossem diretamente equivalentes ao quadro social de uma cooperativa singular.


O que o cooperado compra — e o que recebe


A relação começa muito antes da colheita. Um produtor associado pode adquirir insumos, receber assistência agronômica, utilizar estruturas de armazenagem e comercialização, entregar grãos, participar de programas de tecnologia e, dependendo da cooperativa, acessar seguros, combustíveis, máquinas, serviços financeiros e outros produtos.


A Integrada é um bom exemplo dessa diversificação. A cooperativa informa possuir 71 unidades de recebimento, 48 pontos de venda de insumos, três unidades de beneficiamento de sementes, quatro lojas de máquinas e equipamentos, uma unidade de difusão tecnológica, três agroindústrias, dois TRRs e uma corretora de seguros.


Na Copacol, a estrutura vai da produção agrícola à avicultura, suinocultura, piscicultura e bovinocultura de leite. O relatório de sustentabilidade de 2025 informa 10,5 mil cooperados, 16,8 mil colaboradores, R$ 11,1 bilhões de faturamento e R$ 224,9 milhões distribuídos em sobras, complementações e juros de capital.


A Cocamar segue caminho semelhante. Além da comercialização de grãos, a cooperativa mantém negócios ligados a insumos, máquinas, combustíveis, indústria e outras atividades. Em 2025, distribuiu mais de R$ 200 milhões aos cooperados, calculados de acordo com a participação de cada produtor nas operações da organização.


Na prática, a cooperativa procura resolver um problema antigo do produtor: ganhar escala sem precisar fazer tudo sozinho.


Sobras não são simplesmente um “lucro dividido”


A palavra “sobra” pode causar confusão para quem está acostumado ao funcionamento de uma empresa convencional. Pela Lei 5.764/1971, que estabelece o regime jurídico das cooperativas, elas são sociedades constituídas para prestar serviços aos associados, e a lei prevê o retorno das sobras líquidas proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação diferente da assembleia.


A legislação também determina a existência de fundos obrigatórios, entre eles o Fundo de Reserva e o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. A Assembleia Geral é o órgão máximo da cooperativa, e nas cooperativas singulares prevalece a regra de um voto por associado, independentemente da quantidade de quotas-partes, respeitadas as regras legais e estatutárias.


Isso cria uma diferença fundamental em relação a uma companhia tradicional. O produtor não é apenas fornecedor ou comprador. Ele é associado e, em tese, participa da governança.


É justamente aí que aparece uma das maiores vantagens e também um dos maiores desafios do modelo.


Depender da cooperativa: segurança ou risco?


Para um pequeno produtor, concentrar operações em uma cooperativa pode ser racional. Em vez de procurar separadamente comprador para a safra, fornecedor de insumos, armazenagem, assistência técnica e serviços financeiros, ele encontra boa parte dessa estrutura em um único sistema.


A escala também pode ajudar na negociação e na industrialização. Uma cooperativa que recebe milhares ou milhões de toneladas consegue investir em armazéns, esmagadoras, frigoríficos, fábricas de ração e estruturas de exportação que seriam inacessíveis para a maioria dos produtores individualmente.


A própria expansão industrial das cooperativas paranaenses mostra essa transformação. Na Coopavel, 75% do faturamento de 2025 veio das indústrias, segundo a organização. A C.Vale colocou em operação sua grande esmagadora de soja, enquanto a Lar ampliou sua atuação em proteínas animais e exportou para 71 países em 2025.


O risco aparece quando a parceria se transforma em dependência sem alternativas. Um produtor que compra praticamente todos os insumos de uma organização, entrega toda a produção a ela, utiliza seus serviços financeiros e depende das sobras para complementar o orçamento fica mais exposto caso as condições comerciais mudem ou a cooperativa atravesse dificuldades.


Isso não significa que o cooperativismo produza necessariamente esse problema. A questão está na concentração das decisões econômicas do próprio produtor.


Uma postura empresarial saudável é conhecer os preços praticados no mercado, comparar custos, acompanhar o balanço da cooperativa, participar das assembleias e entender como são calculadas as sobras. A fidelidade pode ser economicamente interessante, mas não deveria substituir a capacidade de avaliação.


O futuro passa pela agroindústria e pela participação


As grandes cooperativas paranaenses estão cada vez menos parecidas com simples armazéns de grãos. Elas se transformaram em grupos agroindustriais capazes de participar de várias etapas da cadeia, desde a semente até o alimento embalado que chega ao supermercado.


Esse movimento aumenta a capacidade de agregar valor à produção e reduz a dependência da venda de commodities sem processamento. Também cria empregos e movimenta municípios inteiros. O problema que permanece é outro: quanto maior e mais complexa fica a cooperativa, mais importante se torna manter o associado próximo das decisões.


O cooperativismo paranaense chegou a uma escala empresarial impressionante. A pergunta para os próximos anos não será apenas quanto essas organizações conseguirão faturar, mas quanto desse crescimento continuará chegando ao produtor em forma de renda, serviços, tecnologia, segurança e participação.


A força de uma cooperativa, afinal, não está apenas nos silos, frigoríficos, fábricas ou bilhões de reais do balanço. Está na capacidade de fazer com que milhares de pessoas percebam que aquele grande empreendimento também é, de alguma maneira, delas.


Edição: Marcos Paulo Assis

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.


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