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Irmãos Muffato chegam a 15% do Assaí e lideram investidores

Empresários paranaenses alcançam 15,02% do Assaí, superam a gestora Orbis e ampliam o peso do Grupo Muffato no varejo nacional.

Ilustração editorial sobre a participação dos irmãos Muffato no Assaí Atacadista.
Participação dos irmãos Muffato no Assaí chegou a 15,02%, ampliando a presença dos empresários paranaenses entre os acionistas da companhia. Foto: Ilustração gerada por IA
Nesta matéria
  1. O que representam os 15,02% no capital do Assaí
  2. Cade autorizou avanço, mas impôs atenção à concorrência
  3. Do Oeste do Paraná para o topo do varejo brasileiro
  4. Influência acionária não significa fusão nem mudança nas lojas
  5. O que pode mudar na disputa pelo atacarejo

O Grupo Muffato, uma das maiores empresas do varejo alimentar do Paraná, conquistou uma posição de destaque no mercado nacional: os irmãos Ederson e Everton Muffato chegaram a 15,02% da participação acionária do Assaí Atacadista, tornando-se o maior grupo de investidores da companhia. O movimento foi comunicado ao mercado em 29 de outubro de 2026 e colocou os empresários paranaenses à frente da gestora sul-africana Orbis, que detinha aproximadamente 11,56% das ações ordinárias.

A operação chama atenção não apenas pelo volume financeiro envolvido, mas pelo significado estratégico. Uma empresa nascida em Cascavel, no Oeste do Paraná, passa a ter presença relevante entre os acionistas de uma das maiores redes de atacarejo do Brasil. É um movimento que aproxima dois protagonistas de um setor no qual escala, poder de negociação, logística e eficiência operacional fazem diferença na disputa pelo consumidor.

Há, entretanto, uma distinção fundamental: os 15,02% anunciados incluem ações ordinárias e exposição econômica por meio de derivativos. Portanto, não significam que os irmãos possuem diretamente 15% das ações com direito a voto, nem representam uma aquisição do controle do Assaí. Os investidores também declararam que não pretendem modificar o controle acionário ou a estrutura administrativa da companhia.

O que representam os 15,02% no capital do Assaí

A participação reúne os empresários e os fundos Snapper Rocks Strategy, WHG Apache e Exitus. Na comunicação enviada à companhia, o grupo informou que a posição integra sua estratégia de investimento, sem estabelecer um percentual final que pretende alcançar. Também declarou não manter acordos para disciplinar o exercício do voto ou a negociação de ações do Assaí.

O percentual divulgado precisa ser interpretado com cuidado. Segundo levantamento publicado pelo portal especializado SA+, com análise do professor de governança da FGV Sandro Benelli, cerca de 12,875% correspondem a ações adquiridas diretamente, enquanto aproximadamente 2,146% estão ligados a contratos de Total Return Swap (TRS). Esses derivativos oferecem exposição econômica à variação dos papéis, mas não equivalem, por si só, à propriedade direta das ações e aos respectivos direitos de voto.

A diferença é relevante para entender o peso real dos investidores nas decisões da empresa. Ainda assim, uma posição direta superior a 12% tem dimensão expressiva em uma companhia de capital pulverizado, sem acionista controlador definido. O Assaí se tornou uma corporation em 2023, depois da conclusão da separação societária do Grupo Pão de Açúcar, e tem suas ações negociadas na B3 sob o código ASAI3.

Cade autorizou avanço, mas impôs atenção à concorrência

A ampliação da participação ocorre depois de uma análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em 30 de setembro, o órgão aprovou a operação que permitiu aos irmãos continuar investindo no Assaí e exercer os direitos políticos associados às ações. A avaliação levou mais de 140 dias e examinou a presença simultânea das duas redes em mercados locais.

O Cade identificou sobreposição entre unidades do Assaí e do Grupo Muffato em 66 mercados, distribuídos por 20 municípios de São Paulo e do Paraná. Em 54 dessas áreas, a participação conjunta superava 20%, com aumento relevante de concentração. Em regiões de influência de lojas em Foz do Iguaçu, Londrina e Presidente Prudente, a fatia combinada foi estimada entre 60% e 70%. Mesmo diante desses números, a análise técnica concluiu que não havia risco concorrencial relevante, considerando a presença de concorrentes, planos de expansão e a dinâmica de cada mercado.

A autorização veio acompanhada de compromissos: Assaí e Muffato devem permanecer independentes, sem troca de informações comercialmente sensíveis, e os poderes políticos dos investidores devem respeitar os limites definidos no processo. O Cade advertiu que eventual descumprimento, caso prejudique a concorrência, poderá ser investigado posteriormente. A separação entre as operações é essencial porque as empresas disputam fornecedores, pontos comerciais, trabalhadores e consumidores em algumas das mesmas cidades.

Do Oeste do Paraná para o topo do varejo brasileiro

Fundado em 1974, em Cascavel, o Grupo Muffato construiu uma operação que ultrapassou as fronteiras paranaenses. Com as bandeiras Super Muffato e Max Atacadista, a companhia soma mais de 120 lojas, concentradas principalmente no Paraná e no interior de São Paulo. A aquisição de 16 unidades do Makro, em 2023, acelerou sua entrada na capital paulista e reforçou a presença no formato de atacarejo.

O Ranking ABRAS 2026, com dados referentes a 2025, colocou o Irmãos Muffato S.A. na sexta posição entre as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro, com faturamento de R$ 20,35 bilhões. O Assaí aparece em segundo lugar, com R$ 84,73 bilhões. A diferença de escala é expressiva: a rede nacional fatura mais de quatro vezes o valor registrado pelo grupo paranaense, embora ambos disputem o mesmo consumidor em parte dos mercados.

O setor tem peso direto na economia. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o varejo alimentar movimentou mais de R$ 1,145 trilhão em 2025, o equivalente a 9,02% do Produto Interno Bruto, e reúne cerca de 9 milhões de trabalhadores diretos e indiretos. A participação dos Muffato no Assaí, portanto, ocorre em um segmento de grande relevância para emprego, abastecimento e renda.

Influência acionária não significa fusão nem mudança nas lojas

O avanço dos irmãos reacendeu especulações sobre uma possível aproximação empresarial mais profunda, mas a informação oficial disponível não sustenta a conclusão de que exista uma fusão em andamento. Em esclarecimento divulgado em agosto, o próprio Assaí informou à CVM que não havia negociação ou estudo envolvendo combinação de negócios, fusão, incorporação ou transferência de controle com o Grupo Muffato. No comunicado de 29 de outubro, os investidores voltaram a declarar que não pretendem alterar a estrutura administrativa ou o controle acionário.

Uma participação acima de 10% pode, conforme as regras societárias e as condições de uma assembleia, permitir que investidores solicitem mecanismos como o voto múltiplo, que aumenta a possibilidade de representação de acionistas minoritários no conselho. Isso não significa, porém, que uma cadeira esteja automaticamente garantida. O estatuto do Assaí também estabelece restrições para a eleição de pessoas que ocupem cargos em empresas concorrentes, salvo eventual dispensa aprovada pelos acionistas.

Para o mercado, a movimentação pode ser interpretada como uma aposta na valorização e no potencial de geração de resultados do Assaí, além de uma forma de ampliar a influência de um grupo regional em uma companhia nacional. Para o consumidor, o efeito imediato tende a ser limitado: a compra semanal, os preços nas gôndolas, as promoções e o funcionamento das lojas não mudam automaticamente porque um investidor aumentou sua participação.

O que pode mudar na disputa pelo atacarejo

O episódio revela uma transformação na relação entre redes regionais e grandes companhias listadas em bolsa. Grupos que cresceram com conhecimento de mercados locais, disciplina operacional e proximidade com fornecedores passaram a ter capacidade para investir em empresas de alcance nacional. A movimentação também mostra como o atacarejo se tornou estratégico em um período no qual famílias e pequenos comerciantes procuram reduzir o custo de alimentação e abastecimento.

O desafio para os Muffato será equilibrar o investimento financeiro com a condição de concorrentes do Assaí em determinadas regiões. Para o Assaí, a presença de um acionista com experiência operacional no varejo pode representar uma voz relevante nas discussões sobre eficiência e estratégia, desde que sejam preservadas as regras de governança e a independência das empresas. Para o Cade, permanece a tarefa de acompanhar se os compromissos concorrenciais serão respeitados.

O fato concreto, por enquanto, é a ascensão dos empresários paranaenses à liderança entre os investidores declarados do Assaí, e não uma mudança de comando ou uma fusão. A pergunta que fica para os próximos meses é até onde essa participação poderá crescer e qual influência efetiva os irmãos exercerão nas decisões de uma das maiores companhias do varejo brasileiro.

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Fontes

  • InvestNews – comunicado sobre a participação de 15,02% e contexto do investimento.
  • Reuters/UOL – correspondência dos investidores e declarações ao mercado.
  • SA+ – composição entre ações diretas e derivativos e análise de governança.
  • InvestNews – análise concorrencial do Cade.
  • ABRAS – Ranking ABRAS 2026 e dados do varejo alimentar.
  • Assaí Atacadista – resultados e informações institucionais da companhia.
  • CVM – comunicado ao mercado da Sendas Distribuidora – esclarecimento sobre ausência de negociação de fusão ou combinação de negócios.

Edição: Marcos Paulo Assis

📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

Fonte: Assaí, CVM, Cade, ABRAS, InvestNews, Reuters e SA+

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