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GLP-1: nutricionista lista cinco cuidados para quem usa canetas emagrecedoras

24 de ago.
4 min de leitura

Com a popularização dos medicamentos para emagrecimento, especialista alerta para a importância das proteínas, fibras, hidratação e preservação da massa muscular durante o tratamento


As chamadas canetas emagrecedoras mudaram a conversa sobre perda de peso. Medicamentos que atuam sobre o GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, passaram a fazer parte da rotina de um número crescente de pessoas e também das discussões nas redes sociais.

Segundo informação atribuída à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no release, somente no segundo semestre de 2025 foram importados mais de 100 quilos de insumos que poderiam ser utilizados na preparação de aproximadamente 20 milhões de doses de medicamentos injetáveis da classe dos agonistas de GLP-1.

Em meio ao entusiasmo com a possibilidade de perder peso com mais facilidade, uma pergunta merece espaço: se a pessoa está comendo menos, ela está necessariamente comendo melhor? A resposta é não.

Ao reduzir a fome e aumentar a sensação de saciedade, os medicamentos podem levar a uma diminuição significativa da quantidade de alimentos consumidos. Quando o volume da alimentação diminui, a qualidade nutricional das escolhas passa a ser ainda mais importante.

Quando a fome diminui, existe o risco de a pessoa simplesmente reduzir muito a quantidade de comida e acreditar que isso, por si só, é suficiente para emagrecer com saúde. Mas comer menos não significa necessariamente comer melhor. Se o volume alimentar caiu, precisamos garantir que aquilo que permanece na alimentação tenha qualidade e forneça os nutrientes necessários, explica Vanessa Rocha, nutricionista do Mundo Verde.

1. Menos fome exige mais atenção ao prato

Com a redução do apetite, algumas pessoas passam a fazer refeições muito menores, pular refeições ou perder o interesse por determinados alimentos. Embora a menor ingestão energética possa fazer parte do emagrecimento, a restrição excessiva pode dificultar o consumo adequado de nutrientes.

O trabalho do nutricionista vai além de montar uma dieta. O profissional avalia as necessidades individuais e adapta a alimentação à rotina, aos objetivos, à composição corporal, ao nível de atividade física e à tolerância de cada paciente ao tratamento.

Uma das principais preocupações é garantir que, mesmo comendo menos, a pessoa continue recebendo proteínas, fibras, vitaminas, minerais e líquidos em quantidade adequada. A estratégia não deve ser simplesmente reduzir o prato, mas tornar as refeições menores mais nutritivas, afirma Vanessa.

2. Proteínas, fibras, hidratação e densidade nutricional

Com a perda de peso, preservar a massa muscular é um dos principais cuidados. A ingestão adequada de proteínas, distribuída ao longo do dia conforme as necessidades individuais, pode contribuir para esse objetivo. A alimentação deve ser associada à prática de exercícios, especialmente os resistidos, de acordo com orientação profissional.

As fibras também merecem atenção. Frutas, verduras, legumes, sementes e farelos são fontes do nutriente e podem contribuir para o funcionamento intestinal. Como alterações gastrointestinais podem ocorrer durante o tratamento, a alimentação precisa ser ajustada individualmente, considerando a tolerância de cada pessoa.

A hidratação é outro ponto importante. Náuseas, vômitos e diarreia, quando presentes, podem aumentar o risco de desidratação. Mesmo com menor ingestão de alimentos, a atenção ao consumo de líquidos deve permanecer.

Quando o volume das refeições diminui, a densidade nutricional ganha importância. Alimentos nutritivos devem ocupar espaço na rotina, enquanto o excesso de produtos ultraprocessados e opções com baixa densidade nutricional pode comprometer a qualidade da alimentação.

3. Medicamento não deve ser tratado como solução mágica

Outro comportamento que merece atenção é a ideia de que o medicamento faz todo o trabalho. Embora os análogos de GLP-1 sejam ferramentas utilizadas no tratamento da obesidade, eles não substituem alimentação equilibrada, atividade física e mudanças de comportamento.

O medicamento pode ajudar no controle da fome, mas não ensina sozinho a pessoa a se alimentar. O acompanhamento nutricional pode aproveitar esse momento de maior controle do apetite para trabalhar escolhas, rotina, qualidade da alimentação e comportamentos que possam ser mantidos no longo prazo, destaca a nutricionista.

Isso também ajuda a compreender o chamado efeito sanfona. Mais do que buscar uma dieta extremamente restritiva durante o uso da medicação, é importante desenvolver estratégias alimentares sustentáveis para que os hábitos construídos continuem fazendo parte da vida do paciente.

4. Informações das redes sociais precisam ser filtradas

Vídeos com dietas para quem usa medicamentos, listas de alimentos proibidos, estratégias para potencializar o emagrecimento e recomendações de suplementos se multiplicam diariamente. O problema é que uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra, e algumas orientações podem ser inadequadas.

Não existe uma alimentação padrão para quem utiliza GLP-1. Cada pessoa tem necessidades, objetivos, rotina, composição corporal e tolerância diferentes. Por isso, a orientação individualizada é tão importante, ressalta Vanessa.

5. O objetivo vai além do número na balança

A discussão sobre as canetas emagrecedoras não deve se resumir ao número mostrado na balança. A perda de peso pode fazer parte do tratamento, mas a qualidade da alimentação, a preservação da massa muscular, a hidratação e a construção de hábitos sustentáveis também integram o processo.

Emagrecer pode ser o começo de uma mudança, e não o ponto final. O mais importante é que o paciente consiga construir uma forma de se alimentar e cuidar da saúde que faça sentido para sua vida e possa ser mantida no futuro. O medicamento é uma das estratégias de tratamento, mas os hábitos construídos ao longo do acompanhamento são fundamentais, conclui a nutricionista.

O uso de medicamentos à base de GLP-1 deve ocorrer com prescrição e acompanhamento de profissionais habilitados. As orientações alimentares precisam considerar as condições e necessidades individuais.

Fonte: release da assessoria do Mundo Verde. Imagem: divulgação.

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