Ginecologista explica o que é mito e o que é verdade sobre a doença, que muitas vezes é confundida com outros problemas; no Paraná, a Sesa orienta procurar a Unidade Básica de Saúde.
A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cólicas fortes, dor na relação sexual e alterações intestinais, sintomas frequentes da doença, costumam ser vistos como normais ou tratados isoladamente, o que pode atrasar o diagnóstico, alerta o ginecologista Igor Chiminacio, fundador do Instituto de Pesquisa Woman’s Health Research.
No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta que a mulher com sintomas procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) em que mantém cadastro ativo.
O que é a doença
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o interior do útero, se desenvolve fora dele. Ela aparece principalmente na pelve, mas pode atingir o intestino, o diafragma e, em casos mais raros, o tórax.
“É uma doença complexa e que pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, é importante olhar para o conjunto de sintomas e não apenas para uma alteração isolada”, afirma Chiminacio, que também pesquisa o tema.
O Ministério da Saúde estima que uma a cada dez brasileiras convive com os sintomas e informa que o tempo médio entre o início deles e o diagnóstico é de sete anos.
Mitos e verdades
Cólica forte faz parte da menstruação: mito. Algum desconforto pode ocorrer, mas dor intensa, frequente ou que atrapalha a rotina não deve ser considerada normal. Segundo o especialista, muitas pacientes têm sintomas desde as primeiras menstruações, e cólicas incapacitantes, que pioram com o tempo ou não respondem aos tratamentos habituais, precisam ser investigadas.
Anticoncepcionais podem esconder os sintomas: verdade. Os hormonais podem reduzir cólicas e sangramentos, deixando os sinais menos evidentes e, em alguns casos, retardando a investigação. Já o DIU de cobre pode aumentar o fluxo e as cólicas em algumas mulheres. A escolha do método deve considerar as necessidades de cada paciente, diz Chiminacio.
Dor na relação sexual é normal: mito. A dor durante ou depois do sexo, chamada dispareunia, pode estar ligada a alterações no assoalho pélvico, a neuropatias e também à endometriose. “Em caso de dor, a orientação é sempre procurar um médico especialista para investigar a causa”, explica o ginecologista.
Endometriose pode dificultar a gravidez: verdade. A inflamação e as alterações causadas pela doença podem interferir no sistema reprodutivo, mas isso não significa que toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar.
Sobre a frequência da infertilidade, as estimativas variam. A American Society for Reproductive Medicine calcula que de 30% a 50% das mulheres com a doença tenham o problema, enquanto a Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE) fala em cerca de 30%.
Atendimento na rede pública do Paraná
Em nota divulgada pelo governo estadual, a Sesa informou seguir as diretrizes do Ministério da Saúde e manter uma rede assistencial com fluxo definido para todas as etapas. O acompanhamento é feito por ginecologista, e o tratamento pode ser clínico, cirúrgico ou misto, segundo o governo.
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, afirmou que sentir dor incapacitante não é normal e que é possível buscar atendimento na rede pública.
A Sesa cita como sinais de alerta cólicas menstruais muito intensas, dor pélvica fora da menstruação, dor na relação sexual e desconforto ao urinar ou evacuar durante o período menstrual.
Não há número atual de pacientes no estado. A Sesa estimou, com base em 2019, que 345.070 mulheres em idade reprodutiva tinham a doença no Paraná, somando casos diagnosticados, em tratamento e não diagnosticados. Como a endometriose não é de notificação compulsória, o Estado não sabe quantas mulheres estão em tratamento.
Sem cura definitiva
Segundo a SBE, a endometriose não tem cura definitiva. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que exercícios físicos podem complementar os tratamentos para aliviar sintomas.
Não há comprovação científica de que chás e suplementos tratem ou revertam a doença. Para o diagnóstico, a ultrassonografia pélvica transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve estão entre os exames mais indicados, de acordo com médica ouvida pela Jovem Pan.
Fontes: Igor Chiminacio (Woman’s Health Research), OMS, Ministério da Saúde, Sesa-PR, SBE, Febrasgo, American Society for Reproductive Medicine e Jovem Pan.



