Teoria do Polvo ajuda a explicar dores causadas pela endometriose
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A endometriose ainda é uma das doenças mais subdiagnosticadas da saúde feminina. Embora atinja mulheres em idade reprodutiva, muitas convivem durante anos com dores incapacitantes até receberem o diagnóstico correto. Para tornar a explicação da doença mais acessível, o cirurgião ginecológico Igor Chiminacio, especialista em endometriose profunda e cirurgia minimamente invasiva, desenvolveu a chamada “Teoria do Polvo”.

O modelo usa uma imagem anatômica simples para facilitar a compreensão da pelve feminina. Na teoria, o útero representa a cabeça do polvo, enquanto os tecidos que sustentam esse órgão, chamados de paramétrios, funcionam como tentáculos. Segundo o médico, é justamente nesses tecidos de sustentação que a endometriose frequentemente se desenvolve.
Dor pode ir além da cólica menstrual
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pacientes é relacionar sintomas aparentemente desconectados à endometriose. Dor nas costas, lombar, virilha, pernas, quadril, dor durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou desconforto em atividades físicas podem ser investigados por diferentes especialistas antes que a doença seja considerada como hipótese.
Pela Teoria do Polvo, o útero não está “solto” dentro do corpo. Ele é sustentado por estruturas ricas em colágeno que envolvem vasos sanguíneos e nervos. Quando esses tecidos são acometidos pela endometriose, toda essa rede pode ser afetada, irradiando dor para diferentes regiões.
Impacto no diagnóstico
O objetivo do modelo não é substituir o conhecimento médico existente, mas traduzir conceitos anatômicos complexos para uma linguagem compreensível tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Para o especialista, quando a mulher entende melhor a origem da dor, também consegue descrever seus sintomas com mais precisão durante a consulta.
A proposta foi apresentada no Congresso Global da AAGL, no Canadá, e publicada no Journal of Minimally Invasive Gynecology. O material aponta para a importância do reconhecimento mais precoce dos sintomas, do tratamento adequado e da preservação da qualidade de vida e da fertilidade.

Sinais de alerta
Cólicas intensas, dores fora do período menstrual, desconforto pélvico persistente, dor durante relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias associadas ao ciclo e dor que irradia para lombar, quadril ou pernas merecem investigação médica. O diagnóstico precoce pode reduzir o impacto da doença na rotina da paciente.