Dor no ombro após os 40 anos nem sempre é lesão, aponta estudo
- Editor Paranashop

- há 14 horas
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Pesquisa aponta que quase todos os adultos apresentam alterações no manguito rotador em exames de imagem — o que nem sempre indica doença; especialistas alertam para o excesso de diagnósticos.

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
A dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedia e uma causa importante de desconforto em adultos. Depois dos 40 anos, esse tipo de sintoma se torna ainda mais comum, mas encontrar uma alteração em uma ressonância magnética nem sempre significa doença ou necessidade de cirurgia.
Um estudo finlandês publicado no JAMA Internal Medicine chama atenção justamente para o risco de diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários quando a decisão é baseada principalmente em exames de imagem.
Os pesquisadores avaliaram 602 adultos entre 41 e 76 anos e observaram que quase todos apresentavam algum tipo de alteração no manguito rotador.
Entre os participantes sem sintomas, 96% tinham alterações detectadas na ressonância magnética. Entre aqueles que sentiam dor, o índice chegou a 98%.
O que é o manguito rotador
“O manguito rotador é um conjunto de quatro tendões com grande importância funcional, sendo responsáveis principalmente pela movimentação e estabilização da articulação do ombro”, explica Marcos Pimentel, ortopedista do Hospital Ortopédico da Bahia, unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita.
Segundo o especialista, problemas nessa região realmente se tornam mais frequentes com o avanço da idade, geralmente depois dos 40 anos, por causa da degeneração natural dos tecidos tendinosos.
O sinal mais comum é a dor, principalmente ao levantar o braço ou realizar movimentos acima da cabeça. Em casos mais avançados, o desconforto pode aparecer até mesmo em repouso, acompanhado de perda de força e limitação dos movimentos.
Exame de imagem não deve ser analisado isoladamente
Para Pimentel, o diagnóstico deve começar pela avaliação clínica.
“O diagnóstico deve começar pela avaliação clínica, uma boa conversa com o paciente e realização de exames físicos. Só depois deve ser complementado por exames de imagem, se necessário”, afirma.
O estudo mostra que exames de imagem frequentemente identificam desgaste dos tendões, rupturas parciais e até rupturas completas. O problema é que, uma vez encontrada uma alteração, ela pode acabar sendo interpretada automaticamente como causa da dor.
Isso pode levar à indicação de tratamentos que talvez não fossem necessários naquele momento.
“Na maioria dos casos, os exames de imagem mostram algum grau de degeneração que, na verdade, corresponde a processos naturais do envelhecimento, sem representar uma doença ativa. Na prática clínica, esses pacientes não necessitam de tratamento, mas sim de medidas preventivas, como fortalecimento muscular”, explica o ortopedista.
Quando a ressonância magnética é indicada?
Segundo Pimentel, existe atualmente um excesso de solicitações de ressonância magnética para investigar dor no ombro.
O exame tende a ser mais útil quando a avaliação clínica identifica sintomas e sinais compatíveis com alterações patológicas.
“No caso do manguito rotador, a ressonância é mais útil quando existem sintomas persistentes associados a alterações no exame físico”, explica.
O médico também ressalta que nem toda dor no ombro tem origem no manguito rotador. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado a outras estruturas da articulação ou até mesmo à coluna cervical.
“Muitas vezes a pessoa é tratada apenas pelo achado da imagem, mas a dor pode ter outra causa que precisa ser investigada e tratada adequadamente”, afirma.
Tratamento costuma começar de forma conservadora
Na maioria dos casos, o tratamento inicial envolve fisioterapia, analgésicos e uso de anti-inflamatórios por curto período, considerando os possíveis efeitos colaterais.
A cirurgia possui indicações específicas e, segundo o especialista citado na reportagem, costuma ser considerada principalmente em casos de ruptura completa dos tendões ou lesões parciais que não apresentam melhora com o tratamento conservador.
Manter a musculatura fortalecida também pode ajudar a proteger a articulação e reduzir a sobrecarga sobre os tendões.
Sinais que merecem avaliação médica
Entre os sinais de alerta destacados pelo ortopedista estão:
dor persistente ou progressiva;
dor mesmo em repouso;
perda de força;
dificuldade para movimentar o braço.
Para prevenção, a orientação é manter uma rotina de exercícios de mobilidade e fortalecimento da musculatura dos ombros.

Fonte: Agência Einstein / Fernanda Bassette



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