Dólar recua para perto de R$ 5,08 com inflação e juros no radar

Moeda norte-americana oscila antes das decisões dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos; petróleo e cenário político também influenciam o câmbio

O dólar comercial operava perto de R$ 5,08 nesta sexta-feira (11 de setembro de 2026), registrando queda diante do real após iniciar o dia em alta. Por volta do período da tarde, a moeda recuava aproximadamente 0,4%, mas permanecia sujeita a oscilações até o fechamento do mercado.
Na quinta-feira (10), o dólar encerrou cotado a R$ 5,103, com queda de 0,18%. A movimentação ocorreu em uma semana marcada por dados de inflação, intervenções do Banco Central no câmbio, variação do preço do petróleo e expectativa pelas próximas decisões sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Inflação brasileira influencia o câmbio
Um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice registrou deflação de 0,32% em agosto.
A queda foi influenciada principalmente pelos preços da energia elétrica, das passagens aéreas, de alimentos e de combustíveis.
O resultado reforçou entre os investidores a possibilidade de um novo corte na taxa Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, marcada para os dias 15 e 16 de setembro.
A taxa básica de juros está em 14% ao ano. Parte do mercado espera uma redução de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Apesar do resultado mensal favorável, economistas continuam atentos à inflação dos serviços, que permanece em um nível mais elevado.
Juros podem mexer com o valor do dólar
A diferença entre os juros brasileiros e os praticados em outros países interfere na movimentação de recursos internacionais.
Taxas elevadas no Brasil podem tornar os títulos nacionais mais atraentes para investidores estrangeiros. A entrada de dólares aumenta a oferta da moeda no mercado e pode contribuir para a valorização do real.
Quando cresce a expectativa de redução da Selic, essa diferença diminui. Dependendo do cenário internacional e da percepção de risco, o movimento pode retirar parte do apoio dado à moeda brasileira.
Inflação nos Estados Unidos também entra no radar
No cenário externo, os investidores analisam os indicadores de inflação dos Estados Unidos e tentam antecipar a próxima decisão do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
A inflação ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto. O resultado aumentou as dúvidas sobre a trajetória dos juros no país.
Juros norte-americanos elevados costumam fortalecer o dólar mundialmente, pois aumentam a atratividade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Uma sinalização de redução dos juros pode produzir o efeito contrário e favorecer moedas de países emergentes, como o real.
As decisões do Copom e do Federal Reserve estarão concentradas na próxima semana, período frequentemente chamado pelo mercado financeiro de “super quarta”.
Petróleo aumenta a volatilidade
O preço do petróleo também está entre os fatores que movimentam os mercados. Depois de avançar com as tensões no Oriente Médio, o barril do tipo Brent apresentou queda nesta sexta-feira, mas continuava em um dos maiores patamares dos últimos meses.
O Brasil é exportador de petróleo, o que pode favorecer a entrada de dólares quando a commodity se valoriza. Ao mesmo tempo, a alta do barril aumenta o risco de pressão sobre combustíveis, transportes e inflação.
Banco Central realizou intervenções
Na quinta-feira, o Banco Central realizou operações no mercado de câmbio que ajudaram a ampliar a oferta de dólares.
A instituição promoveu venda de moeda à vista e operações de swap cambial reverso. Essas ferramentas podem ser utilizadas para garantir liquidez e reduzir movimentos considerados desordenados, sem representar necessariamente a definição de uma cotação desejada pelo Banco Central.
Como a cotação afeta consumidores e empresas
As variações do dólar produzem efeitos que vão além do mercado financeiro. Viagens internacionais, compras em sites estrangeiros, passagens aéreas, eletrônicos, medicamentos, insumos industriais, combustíveis e assinaturas cobradas em moeda estrangeira estão entre os itens mais sensíveis ao câmbio.
Uma queda pontual do dólar não significa redução imediata dos preços. Empresas podem ter estoques adquiridos anteriormente, contratos com valores definidos, custos logísticos e operações de proteção cambial.
No turismo, também é importante diferenciar o dólar comercial do dólar turismo. A cotação paga pelo consumidor costuma incluir margem da instituição financeira, tarifas e impostos, ficando acima do valor divulgado no mercado comercial.
O que acompanhar nos próximos dias
A tendência do dólar dependerá principalmente das decisões sobre os juros no Brasil e nos Estados Unidos, da evolução da inflação, do comportamento do petróleo e da percepção dos investidores sobre o cenário fiscal e político.
Como a cotação muda durante o dia, o valor informado nesta matéria representa um retrato do mercado no momento da consulta, e não necessariamente o preço de fechamento.
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Fontes
Banco Central do Brasil, IBGE, Relatório Focus, UOL Economia e Folha de S.Paulo. Dados consultados em 11 de setembro de 2026.



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