Curitiba tem semana de eleições, BRT, orçamento e segurança
Atualizado: há 26 minutos
Eleições, BRT, contas públicas, segurança e educação movimentaram Curitiba na semana em que a cidade se prepara para o primeiro turno.

Curitiba encerra a semana com uma agenda que mistura eleição, grandes obras, contas públicas e problemas concretos da vida urbana. Enquanto a campanha para o Governo do Paraná levou Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho a intensificarem a presença na capital, a Prefeitura de Eduardo Pimentel apresentou números de investimentos, anunciou reforços na Guarda Municipal e avançou em projetos de mobilidade e educação.
O momento político também alterou a rotina da cidade. Neste domingo, 4 de outubro, os eleitores terão transporte coletivo gratuito para chegar aos locais de votação. As linhas funcionarão com programação de sábado, aumentando a oferta de ônibus em relação a um domingo normal. A medida foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 1.598 e confirmada pela URBS.
A semana deixa, portanto, uma pergunta maior: que tipo de Curitiba os eleitores querem construir e quais serão os custos das escolhas feitas agora?
Eleição domina a reta final em Curitiba
A capital tornou-se um dos principais palcos da reta final da eleição estadual. Os três candidatos mais competitivos nas pesquisas — Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho — concentraram agendas em Curitiba e na Região Metropolitana nos últimos dias antes da votação. Caminhadas, carreatas e encontros com eleitores ocuparam espaços de grande circulação.
Os levantamentos divulgados na semana mostram um cenário ainda sujeito a interpretações diferentes. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 2 de outubro colocou Moro na liderança, com oito pontos de vantagem sobre Sandro Alex e 14 sobre Requião Filho. Em uma simulação de segundo turno entre Moro e Sandro Alex, o instituto registrou empate de 50% a 50%.
Outra pesquisa, do IRG, também divulgada em 2 de outubro, apresentou Moro com 40,6%, Sandro Alex com 28,4% e Requião Filho com 23% no cenário estimulado, considerando as respectivas chapas.
A divergência entre pesquisas reforça uma regra básica para o eleitor: pesquisa é fotografia, não resultado eleitoral. Metodologia, período de entrevistas, margem de erro e momento da coleta podem produzir números diferentes. A urna, entretanto, continua sendo o único mecanismo capaz de transformar intenção em resultado.
Para Curitiba, a disputa estadual tem peso especial. O próximo governador terá influência direta sobre transporte metropolitano, segurança, saúde, infraestrutura e investimentos que ultrapassam os limites administrativos da capital.
Transporte gratuito muda a operação de domingo
A eleição também provocará uma mudança prática na rotina dos curitibanos. O transporte coletivo será gratuito neste domingo para quem utilizar os ônibus para chegar aos locais de votação.
Segundo a Prefeitura e a URBS, todas as linhas do sistema, inclusive as integradas à Rede Integrada de Transporte, funcionarão com tabela de sábado. Nos terminais e estações-tubo, os usuários poderão entrar pelas portas de isenção, sem passar pela catraca. A votação ocorrerá das 8h às 17h. As linhas Madrugueiros e Turismo continuam com cobrança de tarifa.
O prefeito Eduardo Pimentel justificou a medida pela necessidade de facilitar o deslocamento dos eleitores. O presidente da URBS, Ogeny Pedro Maia Neto, também destacou o caráter essencial do transporte coletivo.
A decisão tem efeito que vai além da logística eleitoral. Em uma cidade na qual o deslocamento pode representar uma parcela relevante do orçamento familiar, retirar a tarifa no dia da votação reduz uma barreira para quem precisa atravessar bairros para exercer o direito de voto.
BRT Leste-Oeste supera novo obstáculo
A mobilidade urbana também teve uma semana decisiva. O Tribunal de Contas do Paraná autorizou o prosseguimento da licitação de R$ 94,3 milhões para o Lote 3 do BRT Leste-Oeste, trecho que deverá ligar a Praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba, a Pinhais.
A decisão foi tomada por maioria pelo Pleno do TCE-PR. O tribunal havia suspendido a concorrência em julho, depois que sua área técnica identificou problemas no edital. Agora, a medida cautelar que interrompia o processo não foi homologada, permitindo a continuidade da licitação, embora o mérito da representação ainda vá ser analisado.
O episódio é relevante porque mostra a tensão permanente entre velocidade administrativa e controle do dinheiro público. Grandes obras precisam avançar, especialmente em uma cidade que enfrenta congestionamentos e depende fortemente do transporte coletivo, mas também precisam resistir ao escrutínio dos órgãos de controle.
A obra já começou a produzir efeitos no cotidiano. Nesta semana, a via lenta da Avenida Sete de Setembro foi interditada para serviços de concretagem relacionados ao BRT Leste-Oeste, com previsão inicial de dez dias de bloqueio.
Para o usuário, entretanto, o sucesso do projeto será medido menos pelo tamanho do investimento e mais pelo tempo economizado diariamente no deslocamento.
Prefeitura mostra aumento expressivo dos investimentos
As contas municipais apresentaram um dos números mais expressivos da semana. No segundo quadrimestre de 2026, os investimentos empenhados pela Prefeitura de Curitiba chegaram a R$ 784 milhões, contra R$ 310 milhões no mesmo período do ano anterior.
Os dados foram apresentados pelo secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, em audiência na Câmara Municipal. A administração registrou receitas de R$ 10,02 bilhões no período e superávit primário de R$ 1,13 bilhão.
O quadro fiscal tem dois lados. De um lado, Curitiba apresenta capacidade de investir e mantém as despesas de pessoal em patamar abaixo do limite legal. De outro, houve queda real na arrecadação de impostos, especialmente no ISS, além de redução de 25,8% nos repasses do IPVA, segundo os dados apresentados pela própria Prefeitura.
Isso significa que a boa situação fiscal não elimina a necessidade de cautela. Obras, novos serviços e expansão da estrutura pública geram despesas que permanecem depois da inauguração.
A pergunta que deve acompanhar os próximos balanços é simples: o aumento do investimento está produzindo melhora perceptível nos serviços?
Orçamento de R$ 16,58 bilhões entra no debate
A Câmara Municipal começou a discutir a proposta de orçamento de Curitiba para 2027, estimada em R$ 16,58 bilhões. O projeto representa um dos maiores orçamentos da história da capital e deverá orientar as prioridades da administração no próximo ano.
O valor, sozinho, diz pouco. A discussão mais relevante será sobre a distribuição dos recursos entre saúde, educação, mobilidade, infraestrutura, segurança, assistência social e investimentos.
É nesse ponto que a fiscalização da Câmara e a participação da sociedade ganham importância. Um orçamento bilionário não garante automaticamente uma cidade melhor administrada. O resultado depende da qualidade das escolhas, da execução dos projetos e da capacidade de medir o que efetivamente foi entregue.
Para o contribuinte, a conta é direta: quanto Curitiba arrecada, quanto gasta e o que recebe em troca.
Segurança ganha reforço no Centro
A segurança urbana também ganhou espaço na agenda municipal. A Prefeitura criou a Patrulha do Centro e a Patrulha de Atendimento ao Turista, dentro da Operação Centro Seguro.
As novas estruturas contam com um posto na Rua Barão do Cerro Azul, próximo à Praça Tiradentes, além de cinco caminhonetes e um módulo móvel. A proposta é ampliar o patrulhamento preventivo, ostensivo e comunitário em áreas de grande circulação.
A iniciativa envolve diretamente Eduardo Pimentel e o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Rafael Vianna, além das forças estaduais que participam das ações integradas.
O desafio será transformar presença policial em sensação efetiva de segurança. O Centro de Curitiba enfrenta questões que não se resolvem somente com viaturas: população em situação de rua, dependência química, imóveis vazios, comércio, iluminação, limpeza e ocupação dos espaços públicos também interferem na percepção de segurança.
Uma região central movimentada, com comércio funcionando e pessoas utilizando suas ruas em diferentes horários, tende a ser mais protegida do que uma área esvaziada.
Educação recebe novos professores
A Prefeitura convocou nesta semana 92 professores de Educação Física aprovados no concurso público de 2022. Eles deverão escolher as vagas e começar a trabalhar nas unidades educacionais da rede municipal a partir da próxima semana.
Ao mesmo tempo, a administração abriu processo seletivo para contratar 1.443 professores temporários. As inscrições começam em 5 de outubro e seguem até 2 de novembro. São 835 vagas para Docência I e 608 para Educação Infantil.
Os números revelam uma necessidade permanente da rede: garantir equipes completas para manter escolas e centros de educação infantil funcionando adequadamente.
A contratação temporária ajuda a responder à demanda imediata, mas o planejamento de longo prazo exige equilíbrio entre concursos, carreira, formação e capacidade financeira. Para as famílias, essa discussão aparece de forma bastante concreta quando falta professor, há substituições frequentes ou uma unidade precisa reorganizar sua rotina.
A cidade muda enquanto a política disputa atenção
Nem tudo que movimentou Curitiba nesta semana esteve relacionado diretamente à eleição ou à administração municipal. A cidade continuou recebendo eventos culturais, feiras e atividades voltadas às famílias, enquanto obras do Novo Inter 2 provocaram mudanças no trânsito em diferentes bairros.
No Portão, por exemplo, a Avenida Presidente Arthur Bernardes passou a operar em sentido único em determinado trecho em razão das obras do Novo Inter 2. No Santa Quitéria, intervenções de pavimentação também alteraram a circulação.
Essas mudanças ajudam a lembrar que grandes projetos urbanos têm dois tempos. Existe o tempo da obra, marcado por máquinas, desvios e transtornos, e existe o tempo posterior, quando a população finalmente poderá avaliar se a infraestrutura entregue compensou o sacrifício.
Curitiba está vivendo simultaneamente os dois momentos em várias regiões.
A semana termina com uma cidade em decisão
A fotografia de Curitiba nesta semana mostra uma capital que mantém capacidade de investimento, amplia serviços e toca grandes projetos, mas também precisa provar que cada decisão produzirá resultados proporcionais ao dinheiro público empregado.
Eduardo Pimentel enfrenta o desafio de transformar o primeiro período de sua administração em entregas visíveis. Vitor Puppi terá de sustentar o equilíbrio fiscal enquanto a Prefeitura amplia investimentos. O TCE-PR seguirá exercendo o papel de controle sobre contratos de grande porte. E os candidatos ao Governo do Paraná chegam às urnas sabendo que Curitiba será decisiva para o resultado estadual.
No domingo, o eleitor terá a oportunidade de avaliar não apenas promessas, mas também trajetórias, propostas e capacidade de execução.
A cidade continuará a mesma na segunda-feira — os ônibus voltarão a cobrar tarifa, as obras continuarão, as contas precisarão ser pagas e os problemas urbanos permanecerão. O que pode mudar é a direção política escolhida pelos eleitores.
E essa talvez seja a principal notícia de Curitiba nesta semana: a cidade está prestes a escolher quem terá influência sobre boa parte das decisões que definirão seu futuro imediato.
Edição: Marcos Paulo Assis
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.



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