Cultura coreana perde força em Curitiba após auge impulsionado pelo K-pop
- 8 de jul.
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Fenômeno que dominou as redes sociais e influenciou hábitos de consumo entra em uma fase de estabilização. Gastronomia, moda e entretenimento permanecem presentes, mas já não despertam o mesmo interesse registrado durante o auge da chamada Onda Coreana.

Durante boa parte da última década, a cultura da Coreia do Sul conquistou espaço entre os brasileiros por meio da música, dos doramas, da moda, da indústria da beleza e da gastronomia. Impulsionado principalmente pelo TikTok, YouTube e plataformas de streaming, o fenômeno conhecido como Hallyu, ou Onda Coreana, transformou artistas e costumes do país asiático em referências para milhões de jovens.
Curitiba acompanhou esse movimento. Eventos temáticos passaram a integrar o calendário cultural da cidade, estabelecimentos especializados surgiram para atender ao novo público e lojas ampliaram a oferta de produtos ligados ao universo coreano. A partir de 2024, no entanto, começaram a aparecer sinais de desaceleração, acompanhando uma mudança no comportamento dos consumidores e nas tendências das redes sociais.
O ciclo acelerado das redes sociais
O crescimento da cultura coreana esteve diretamente ligado ao ambiente digital. Vídeos de coreografias de K-pop, trechos de doramas, rotinas de cuidados com a pele e conteúdos sobre gastronomia alcançavam milhões de visualizações diariamente, ampliando o interesse do público brasileiro.
Entretanto, a dinâmica das plataformas digitais favorece mudanças rápidas de comportamento. Nos últimos anos, temas como inteligência artificial, animes, cultura japonesa, produções chinesas e criadores de conteúdo nacionais passaram a disputar espaço com os conteúdos ligados à Coreia do Sul. Como consequência, o volume de publicações e o engajamento relacionados ao K-pop deixaram de crescer no mesmo ritmo observado entre 2019 e 2023.
Curitiba mantém um público mais segmentado
A comunidade interessada pela cultura coreana continua ativa na capital paranaense, mas o perfil do público mudou. Organizadores de eventos e comerciantes ligados ao segmento observam que os encontros passaram a reunir principalmente admiradores já familiarizados com esse universo, enquanto diminuiu a presença de pessoas atraídas apenas pela novidade.
Esse comportamento é característico de mercados que passam da fase de expansão acelerada para um estágio de consolidação. O interesse permanece, mas deixa de apresentar o crescimento contínuo registrado durante o período de maior popularidade.
Gastronomia permanece presente no mercado
Entre as diferentes manifestações culturais da Coreia do Sul, a gastronomia continua ocupando espaço no mercado brasileiro. Pratos como bibimbap, bulgogi, kimchi, tteokbokki e o frango frito coreano permanecem presentes em cardápios especializados e são frequentemente apresentados em conteúdos produzidos para redes sociais.
O segmento, entretanto, também acompanha as mudanças de comportamento do consumidor. O crescimento observado durante o auge da Onda Coreana deu lugar a um mercado mais estável, voltado a um público específico e interessado em experiências gastronômicas relacionadas à cultura asiática.
A presença digital tornou-se estratégica
Com a redução do impacto espontâneo provocado pelo K-pop, a divulgação nas redes sociais ganhou ainda mais importância para empresas ligadas ao segmento. A produção de vídeos curtos, fotografias e conteúdos voltados ao Instagram e ao TikTok passou a fazer parte da rotina de muitos estabelecimentos comerciais.
Também se tornaram frequentes os chamados "atacadão", ações organizadas por grupos de influenciadores e criadores de conteúdo que realizam visitas coletivas a determinados locais para produzir fotografias, vídeos e publicações simultâneas. Essas iniciativas ampliam o alcance digital e geram repercussão nas redes sociais, embora nem sempre representem um aumento permanente na demanda.
Investimento permanente do governo sul-coreano
Mesmo com a desaceleração do interesse em alguns mercados, a Coreia do Sul continua investindo na internacionalização de sua produção cultural. O governo mantém programas de incentivo ao ensino do idioma, festivais culturais, intercâmbios acadêmicos e ações de divulgação da música, do cinema, da televisão e da gastronomia.
Essa política é considerada uma das principais estratégias de soft power do país, fortalecendo sua presença internacional por meio da cultura e ampliando oportunidades para setores como turismo, educação, tecnologia e economia criativa.
Um fenômeno que entra em nova fase
Analistas de comportamento avaliam que a cultura coreana deixou de ser uma tendência de crescimento acelerado para ocupar um espaço mais consolidado. O interesse continua existindo, mas concentrado em um público que mantém vínculos duradouros com a música, a gastronomia, o entretenimento e outros aspectos da cultura sul-coreana.
Em Curitiba, esse cenário acompanha o comportamento observado em outras cidades brasileiras. A fase de maior expansão ficou para trás, enquanto o segmento passa a conviver com um mercado mais estável e menos dependente do efeito de novidade que caracterizou os primeiros anos da Onda Coreana.
Fontes
Centro Cultural Coreano no Brasil; Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul; estudos acadêmicos sobre a Hallyu (Onda Coreana); relatórios sobre comportamento digital e tendências de consumo; publicações especializadas em cultura asiática e economia criativa.



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