Convenções redesenham disputa pelo Governo e Senado no Paraná
- há 1 hora
- 7 min de leitura
Moro lidera pesquisas, Sandro Alex reúne a maior estrutura partidária e Requião Filho tenta transformar oposição em segundo turno.

As convenções partidárias terminaram na quarta-feira (5) e deixaram o Paraná diante de uma eleição que, apesar de contar com oito candidaturas ao Governo do Estado, já apresenta três campos políticos com capacidade concreta de disputar o segundo turno. Sergio Moro lidera as pesquisas disponíveis, Sandro Alex terminou a fase de montagem das alianças com a maior estrutura partidária e Requião Filho consolidou uma frente de oposição que reúne PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD e Solidariedade.
A fotografia eleitoral, entretanto, ainda está longe de ser definitiva. A pesquisa Genial/Quaest realizada entre 21 e 25 de julho mostrou Moro com 39% das intenções de voto no primeiro cenário estimulado, seguido por Requião Filho, com 18%, Rafael Greca, com 12%, e Sandro Alex, com 7%. O levantamento ouviu 1.104 eleitores, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o número PR-04818/2026.
O detalhe mais relevante talvez esteja em outro número: 64% dos entrevistados disseram que ainda poderiam mudar de voto. Isso significa que a pesquisa registra uma vantagem importante de Moro, mas não autoriza tratar o resultado como previsão da eleição. A partir de 16 de agosto, com a campanha oficialmente nas ruas e na internet, começa uma fase completamente diferente da disputa.
Sandro Alex ganhou a batalha das alianças
Nos bastidores, a maior vitória política das últimas semanas foi construída pelo grupo do governador Ratinho Junior. Sandro Alex terminou as convenções à frente de uma ampla aliança formada por PSD, PP, União Brasil, PSDB, Cidadania, Republicanos, Avante e MDB. A composição transformou o deputado federal na principal candidatura de continuidade do atual governo.
A operação política teve dois movimentos decisivos. Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa e nome que chegou a ser considerado para o Governo, ficou com uma das vagas ao Senado. Rafael Greca, que também pretendia disputar o Palácio Iguaçu, aceitou ser vice de Sandro Alex. A entrada de Greca oferece à chapa uma figura conhecida principalmente em Curitiba e na Região Metropolitana, enquanto Curi acrescenta musculatura política e capilaridade no interior.
A escolha de Cristina Graeml para a outra vaga ao Senado completa uma estratégia ainda mais ampla. A jornalista e ex-candidata à Prefeitura de Curitiba possui identificação com uma parcela do eleitorado conservador e pode ajudar o grupo governista a disputar votos que, em princípio, poderiam migrar para Moro. A operação também teve como consequência a retirada de Álvaro Dias da corrida ao Senado, uma mudança relevante porque o ex-senador aparecia na liderança das pesquisas anteriores.
Há, portanto, uma aposta clara do grupo de Ratinho Junior: compensar a menor exposição individual de Sandro Alex com uma aliança robusta, tempo de televisão, presença municipal e nomes conhecidos na chapa. O problema está justamente no ponto revelado pela pesquisa: 68% dos entrevistados disseram não conhecer Sandro Alex suficientemente para formar uma opinião eleitoral sobre ele.
O desafio dos próximos meses será transformar uma estrutura partidária extensa em reconhecimento popular. Não basta reunir prefeitos, deputados e partidos; será necessário explicar ao eleitor por que Sandro Alex representa continuidade e quais seriam, na prática, as prioridades de um eventual governo.
Moro chega forte, mas precisa transformar liderança em voto
Sergio Moro entra na campanha com o ativo mais cobiçado de uma eleição majoritária: liderança nas pesquisas. Na Genial/Quaest, aparece com 39% no principal cenário estimulado e chega a 40% quando Rafael Greca não é apresentado entre os candidatos. No segundo turno, a vantagem também aparece em todos os cenários testados pelo instituto.
O senador terá como vice o empresário Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Paraná, e contará formalmente com PL, Novo, Podemos e Democracia Cristã. Para o Senado, o grupo lançou Filipe Barros e Deltan Dallagnol.
A composição oferece a Moro uma identidade política bastante definida. O PL fornece a principal estrutura partidária da chapa, enquanto o Novo acrescenta Deltan e uma parcela do eleitorado que mantém forte identificação com a agenda anticorrupção. Podemos e DC ampliam a aliança, ainda que em escala menor.
Existe, contudo, uma questão territorial. A aliança de Sandro Alex reúne oito partidos e tem forte presença de prefeitos e lideranças municipais. Moro precisará converter sua notoriedade pessoal em uma rede de campanha capaz de chegar aos municípios pequenos e médios, onde a política estadual costuma ser decidida em grande parte pela influência local.
A pesquisa oferece um sinal favorável, mas também apresenta um alerta. Moro é conhecido por 87% dos entrevistados, e 53% dizem que poderiam votar nele. Ao mesmo tempo, 34% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Isso significa que sua campanha parte de um patamar elevado de conhecimento, mas também carrega uma rejeição que precisará ser administrada.
Requião Filho aposta na polarização entre governo e oposição
Requião Filho conseguiu construir uma terceira via competitiva, mas com uma identidade completamente diferente. O candidato do PDT terá ao lado Michele Caputo, ex-deputado estadual, e conta com uma aliança que reúne a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — além de PSOL, Rede, PRD e Solidariedade. Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha serão os nomes da coligação para o Senado.
Na pesquisa Genial/Quaest, Requião Filho aparece com 18% no principal cenário e chega a 24% quando Rafael Greca não é incluído. Em uma eventual disputa de segundo turno contra Sandro Alex, o levantamento aponta vantagem de Requião Filho, de 37% a 20%. Contra Greca, há empate técnico: 33% para o ex-prefeito e 32% para o deputado estadual.
O desafio do candidato do PDT será transformar a força da estrutura partidária em uma votação que ultrapasse o eleitorado tradicional da esquerda. A pesquisa mostra que 34% conhecem Requião Filho e poderiam votar nele, mas 47% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. É um quadro que combina potencial de crescimento com uma barreira significativa de rejeição.
A campanha deverá explorar o desgaste natural de governos que buscam continuidade e, ao mesmo tempo, apresentar uma alternativa administrativa. Para conquistar eleitores de centro, Requião Filho terá de responder a uma pergunta prática: que mudanças faria no Estado e quanto elas custariam?
O Senado virou uma eleição à parte
A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado apresenta uma dinâmica diferente daquela do Governo. O eleitor terá direito a dois votos, o que cria espaço para alianças eleitorais cruzadas e aumenta a importância das chamadas segundas escolhas.
A última Genial/Quaest disponível antes das convenções mostrou Álvaro Dias com 20% no cenário em que seu nome foi testado, enquanto Alexandre Curi, Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann apareciam com 10% cada, e Filipe Barros com 8%. Sem Álvaro Dias, Alexandre Curi aparecia com 14%, Deltan e Filipe Barros com 12% cada e Gleisi com 11%.
Esses números, entretanto, precisam ser lidos com cuidado porque Álvaro Dias posteriormente deixou a disputa. A mudança altera a distribuição do eleitorado e torna especialmente relevante a campanha de nomes como Curi, Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Cristina Graeml.
A eleição também apresenta uma particularidade política: os dois maiores blocos de direita e centro-direita lançaram duplas de candidatos ao Senado, enquanto a esquerda aposta em dois nomes do PT. O resultado poderá depender menos da força isolada de cada candidato e mais da capacidade de cada grupo orientar o eleitor para uma combinação de dois votos.
Deltan está na disputa, mas sua elegibilidade continua sob análise
Um dos pontos que exigem maior cuidado jornalístico é a situação de Deltan Dallagnol. O ex-procurador teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023, mas isso não significa que exista, neste momento, uma decisão da Justiça Eleitoral declarando-o inelegível para 2026.
Em julho, Deltan apresentou ao TRE-PR um Requerimento de Declaração de Elegibilidade para que a Justiça Eleitoral analise antecipadamente sua situação antes do registro formal da candidatura. O pedido pretende justamente obter uma definição jurídica antes que a campanha avance.
Em junho, o TRE-PR julgou um caso envolvendo conteúdos que afirmavam que Dallagnol estaria inelegível e deixou claro que aquela ação não analisava a elegibilidade do ex-deputado para 2026. Portanto, não é correto afirmar que o tribunal tenha declarado Deltan inelegível. Também não é correto apresentar sua situação como definitivamente resolvida sem uma decisão específica sobre o registro da candidatura.
A questão poderá ganhar importância durante o período de registros, que termina em 15 de agosto. Eventuais impugnações e recursos podem levar a disputa para instâncias superiores, como ocorre frequentemente em eleições majoritárias e proporcionais.
Para o eleitor, a distinção é fundamental: candidatura homologada em convenção não equivale a registro definitivamente deferido pela Justiça Eleitoral.
A campanha começa com vantagem nas pesquisas e muitas incógnitas
O calendário eleitoral muda de patamar neste domingo (16), quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, inclusive na internet. Os partidos tiveram até 5 de agosto para realizar convenções e têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começará em 28 de agosto.
Esse intervalo de poucos dias será usado para transformar as alianças políticas em máquinas eleitorais. É também quando o eleitor que não acompanha diariamente a política começa a conhecer candidatos, vices e propostas.
O Paraná chega à campanha com uma situação curiosa. Moro tem a maior vantagem individual nas pesquisas, Sandro Alex possui a maior estrutura partidária e Requião Filho aparece como principal alternativa de oposição. Nenhum desses três fatores, isoladamente, garante uma vaga no segundo turno.
O comportamento do eleitor será influenciado por questões muito concretas. Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, impostos, emprego, pedágios, agronegócio e capacidade de investimento do Estado deverão ocupar espaço crescente nos debates. A discussão sobre quem consegue administrar melhor o orçamento estadual tende a ganhar peso à medida que as campanhas apresentarem seus programas de governo.
Há também uma dimensão econômica. Empresários e investidores observam a eleição porque mudanças de governo podem alterar prioridades de infraestrutura, política industrial, concessões, investimentos públicos e relacionamento com o setor produtivo. Trabalhadores e famílias, por sua vez, estarão menos interessados na matemática das coligações e mais preocupados com emprego, renda, serviços públicos e custo de vida.
É justamente nessa passagem — da política dos bastidores para a política do cotidiano — que a eleição será realmente decidida.
O tabuleiro está montado, mas as peças ainda estão em movimento. Moro precisa defender a liderança; Sandro Alex precisa transformar a força de Ratinho Junior em uma candidatura própria; Requião Filho precisa ampliar seu eleitorado; e os candidatos ao Senado terão de disputar simultaneamente o primeiro e o segundo voto.
A campanha começa oficialmente neste domingo. A partir daí, não serão apenas os partidos que falarão. O eleitor começará a responder.
E a pergunta central do Paraná deixará de ser quem conseguiu montar a maior aliança e passará a ser outra: qual projeto convence o cidadão de que pode governar melhor o Estado nos próximos quatro anos?
Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.