*Médicos ouvidos em material de assessoria apontam efeitos da atividade física regular sobre o coração, o cérebro e a pele. Dados do IBGE e da Secretaria da Saúde mostram quanto os paranaenses se movimentam.*
Incluir caminhada e corrida na rotina pode beneficiar o coração, o cérebro e a pele, segundo especialistas de diferentes áreas. O Paraná ainda tem boa parte da população abaixo do nível recomendado: de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, do IBGE, 29,9% dos paranaenses com mais de 18 anos praticavam a quantidade ideal de atividade física, e 40,4% eram insuficientemente ativos. Os números foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Coração: colesterol e pressão
O cardiologista Juliano Burckhardt, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da American Heart Association, afirma que a prática continuada de exercícios como a corrida melhora a disposição e ajuda na perda de peso. Segundo ele, também pode reduzir o colesterol ruim, aumentar o colesterol bom e dar mais controle à pressão arterial.
O médico associa o sedentarismo ao aumento de peso, de pressão, de glicose e de gorduras no sangue, o que eleva o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Ele cita ações simples, como subir escadas e caminhar ou correr diariamente. A orientação, segundo ele, é: "Você precisa ser ativo por 30 minutos na maioria dos dias".
Burckhardt diz ainda que estudos indicam que o exercício aeróbico protege o coração doente, ao facilitar a remoção de mitocôndrias disfuncionais das células cardíacas.
Cérebro e humor
O neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella afirma, em texto divulgado por outros veículos, que exercitar o corpo regularmente também ajuda o cérebro. Para ele, "correr pode criar novos neurônios, ajudando o organismo a envelhecer com saúde".
A médica Bárbara Gemelli Vianna, em material publicado pelo ND Mais, diz que a atividade regular libera neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar. De acordo com ela, isso ajuda o humor e reduz sintomas de ansiedade e depressão.
Pele e efeitos estéticos
A dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que, depois de alguns meses de exercício regular, é comum notar a pele mais saudável e com mais viço. Ela atribui o efeito ao maior fluxo sanguíneo nas células e à melhor oxigenação dos tecidos. A médica ressalta que os benefícios dependem de prática regular, na dose certa e com orientação.
A cirurgiã plástica Beatriz Lassance também diz que a corrida estimula a circulação e melhora o aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos, o que deixa a pele mais hidratada e corada.
O geneticista Marcelo Sady, diretor geral da Multigene, afirma que a atividade física regular reduz o risco de doenças comuns, como as cardiovasculares, o diabetes tipo 2, o câncer e condições neurológicas, além do risco geral de mortalidade. Segundo ele, parte desse efeito vem de adaptações no músculo esquelético.
Quanto exercício é recomendado
Em novembro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A recomendação é de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para todos os adultos, inclusive os que têm doenças crônicas ou incapacidade. A alternativa são 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente.
A Sesa informou que segue o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. Para adultos, o guia indica 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de vigorosa por semana, com exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular e ósseo.
Retrato do Paraná e de Curitiba
O Paraná conta com 175 polos do Programa Academia da Saúde, segundo dado de abril de 2023. Em agosto de 2025, a Sesa informou que a oferta de atividades físicas no SUS no estado cresceu 141% em dois anos.
Na prestação de contas do segundo quadrimestre de 2026, apresentada na Assembleia Legislativa, a Sesa relatou que a Atenção Primária realizou 52.387 atividades coletivas de práticas corporais e atividade física. A meta era de 42.348.
No Dia do Desafio, em 27 de maio de 2026, 3.627.876 paranaenses registraram participação no site do Sesc PR, novo recorde. Pelo quarto ano seguido, a campanha chegou aos 399 municípios do estado.
Em Curitiba, o Vigitel 2021, citado pela Umane, apontou que 57,3% da população praticava alguma atividade física. A capital ficou em terceiro lugar entre as capitais, atrás de Florianópolis (60,7%) e Vitória (58,6%). O dado é antigo.
No país, o Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que a prática de atividade física no tempo livre entre adultos das capitais e do Distrito Federal subiu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024. Já a atividade no deslocamento caiu de 17,0% para 11,3% no mesmo período.
O secretário estadual de Saúde, Cesar Neves, disse em março de 2023 que a falta de atividade física reduz o metabolismo e pode aumentar o risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade. Ele afirmou ainda que reduzir a inatividade representa economia de recursos na saúde.
**Fontes:** Paranashop (matéria de setembro de 2021, com assessoria), Sesa-PR, IBGE (Pesquisa Nacional de Saúde 2019), Ministério da Saúde (Vigitel), Opas/OMS, Sesc PR, Umane e ND Mais.



