Descolorir e alisar deixa o cabelo mais vulnerável ao calor, aponta estudo da USP

Pesquisa do Instituto de Física da USP mostra que descoloração e alisamento alteram a estrutura interna dos fios e os tornam mais sensíveis às altas temperaturas de secador e chapinha

Descoloração, alisamento e o uso de ferramentas térmicas fazem parte da rotina estética de muita gente. A combinação de tratamentos químicos com temperaturas elevadas, porém, provoca mudanças que vão além do ressecamento superficial. Pesquisadores do Instituto de Física da USP (IF-USP) mostraram que essas intervenções modificam tanto a camada externa quanto a estrutura interna dos fios, deixando-os mais vulneráveis ao calor. O estudo foi publicado na revista científica Biopolymers.
O que a química faz no fio
O cabelo é formado por três camadas: a cutícula (proteção externa, com lipídios que repelem água), o córtex (parte principal, de queratina, que dá força e elasticidade e abriga a melanina responsável pela cor) e a medula (região central). A descoloração precisa alcançar o córtex para oxidar a melanina, o que degrada os grânulos do pigmento, forma pequenas cavidades internas, aumenta a porosidade e cria pontos frágeis. Quando descoloração e alisamento ácido (progressiva) se somam, as alterações estruturais são maiores do que as provocadas por cada tratamento isolado.
Segundo Cibele Lima, doutora em ciências dos cabelos pela USP, os danos nem sempre são visíveis: “Um fio pode estar brilhante e liso e já ter perdido estrutura interna.”
O papel do calor
Para acompanhar as mudanças durante o aquecimento, os pesquisadores usaram espalhamento de raios X, o que permitiu observar o fio em diferentes temperaturas. Por volta dos 70°C, em cabelos submetidos ao alisamento ácido, há desorganização dos lipídios que ficam entre as células da cutícula e do córtex e funcionam como uma espécie de cola, mantendo as camadas unidas.
O dermatologista Beni Grinblat, do Einstein Hospital Israelita, pondera que não existe um limite exato: “Não é que 69 graus esteja bom e 70 graus já esteja ruim. O que precisamos considerar é que o calor será prejudicial e, quanto maior for a temperatura, pior.”
Como reduzir os danos
A recomendação é usar a menor temperatura capaz de produzir o efeito desejado no secador ou na chapinha, já que os danos são cumulativos e se acentuam em fios previamente fragilizados por tratamentos químicos.
Fonte: matéria de Fernanda Bassette, da Agência Einstein, com base em estudo do Instituto de Física da USP publicado na revista Biopolymers. Conteúdo reproduzido com autorização.



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