10 criadores do interior do Paraná que conquistaram a internet
Humor, agro, animais e cotidiano transformaram histórias de pequenas cidades paranaenses em conteúdo com alcance nacional.

Uma propriedade rural, uma câmera de celular e uma rotina que até pouco tempo atrás dificilmente ultrapassaria os limites do município. É dessa combinação que surgiram alguns dos criadores de conteúdo mais curiosos do Paraná. Eles vivem em cidades pequenas, comunidades rurais ou municípios fora do eixo Curitiba–Londrina–Maringá, mas seus vídeos chegaram a centenas de milhares — e, em alguns casos, milhões — de pessoas.
O fenômeno revela uma transformação na geografia da influência digital. O sotaque, os animais, o trabalho na lavoura, as histórias de família, as expressões regionais e situações aparentemente banais passaram a funcionar como elementos de identificação para uma audiência espalhada pelo país.
A lista não pretende ser um ranking oficial dos maiores influenciadores do interior paranaense. Não existe uma base única que permita estabelecer essa classificação. A seleção reúne dez nomes com ligação comprovada com municípios do interior e presença relevante nas redes sociais. Os números de seguidores são uma fotografia das fontes consultadas e podem mudar diariamente.
1. Bruno Guilherme — Quedas do Iguaçu
Plataformas: Instagram e TikTok
Instagram: @brunoguilhermeyt
TikTok: @brunoguilhermeyt
Kwai: @brunoguilhermeyt
Seguidores: mais de 4 milhões somando as principais redes, conforme levantamentos publicados anteriormente.
Conteúdo: humor, brincadeiras, desafios, presentes e entretenimento.
Bruno Guilherme é um dos casos mais expressivos de criador paranaense que conseguiu ultrapassar rapidamente as fronteiras de sua região. Nascido em Quedas do Iguaçu, ganhou notoriedade com vídeos curtos baseados em situações simples e abordagens diretas.
Um dos formatos que ajudaram a popularizar seu trabalho envolve presentes misteriosos, brincadeiras e interações com pessoas. O modelo é adequado às plataformas de vídeo curto porque cria expectativa e entrega rapidamente uma situação de humor.
A audiência construída por Bruno mostra que a origem em uma cidade pequena deixou de ser obstáculo para quem encontra uma linguagem capaz de circular nacionalmente.
2. Mayk Leão — Campo Largo
Plataforma principal: Instagram
Instagram: @mayk.leao
Seguidores: cerca de 1,9 milhão em setembro de 2026.
Conteúdo: animais, resgates, vida rural, reformas, cotidiano e acontecimentos extraordinários.
Morador da zona rural de Campo Largo, Mayk Leão já produzia vídeos mostrando animais, resgates e a rotina da propriedade antes de experimentar uma explosão de audiência.
O ponto de virada ocorreu em 2026, quando vídeos sobre um suposto OVNI observado na região viralizaram nacionalmente. Segundo relatos publicados na imprensa, o perfil saltou de cerca de 40 mil seguidores para mais de 800 mil em poucos dias, chegando posteriormente à casa dos milhões.
A história também levou Mayk para a televisão. Em setembro de 2026, ele foi anunciado no elenco de A Fazenda 18, levando para o reality uma audiência que havia sido construída principalmente com vídeos gravados no sítio.
3. Santo Fole — Irati
Plataformas: Instagram, TikTok e YouTube
Instagram: @santofole
TikTok: @santofole
YouTube: SANTOFOLE
Site: santofole.com.br
Seguidores: mais de 1 milhão no Instagram, segundo referências públicas recentes.
Conteúdo: humor, dublagens, música, gaita, cultura regional e expressões do Sul.
Paulinho Pezak, conhecido como Santo Fole, transformou sotaque, expressões e costumes do interior em uma marca digital.
O músico, que vive em Irati, ficou conhecido pelas dublagens de vídeos de animais, celebridades e situações cotidianas. As falas são adaptadas para um vocabulário marcado por expressões do Paraná e do Sul do Brasil.
Em 2026, vídeos relacionados à Copa do Mundo ampliaram novamente sua repercussão. A produção deixou de ficar restrita às redes sociais e chegou aos palcos, inclusive ao Teatro Guaíra, em Curitiba.
O próprio site do artista reúne os perfis @espacosantofole, @paulinhopezak e @santofole, facilitando o acesso às diferentes frentes de sua atuação digital.
4. Lucas Silva Aoba — Jaguariaíva
Plataformas: Instagram e YouTube
Instagram: @lucas_aooba
YouTube: Lucas Silva Aoba
Seguidores: mais de 270 mil no Instagram em janeiro de 2026.
Conteúdo: rotina rural, família, animais, trabalho no campo e cotidiano.
Morador da comunidade rural de Campina do Elias, em Jaguariaíva, Lucas Silva Aoba começou a produzir vídeos ainda criança. O salto de audiência aconteceu quando levou sua rotina para o Instagram.
Os vídeos mostram atividades simples: trabalho na propriedade, animais, caminhadas, família e situações que fazem parte da vida rural. Um dos elementos que ajudaram a diferenciá-lo foi justamente a ausência de grandes produções ou roteiros elaborados.
A repercussão fez com que o jovem passasse a ser associado à divulgação de Jaguariaíva. O caso mostra como um criador pode acabar funcionando também como uma vitrine informal de seu município.
5. Gustavim da Roça — Cerro Azul e Doutor Ulysses
Plataformas: Instagram e TikTok
Instagram/TikTok: @gustavimdaroca
Seguidores: mais de 388 mil no Instagram em abril de 2025, com referências posteriores apontando audiência superior a 400 mil.
Conteúdo: humor, personagens, histórias familiares e vida na roça.
Gustavim da Roça transformou personagens criados nas gravações familiares em uma produção que ultrapassou o universo das redes sociais.
O influenciador mirim Gustavo Gabriel Braine ganhou projeção com vídeos gravados no interior do Paraná e posteriormente protagonizou O Tesouro da Meia-Noite, filme independente realizado em Cerro Azul e Doutor Ulysses.
A produção envolveu moradores da região e mostrou outra consequência possível da influência digital: uma audiência construída nas redes pode abrir caminho para cinema, eventos, publicidade e projetos culturais.
6. Ana Rudnick — Marmeleiro
Plataformas: Instagram e TikTok
Instagram: @anaprincesadoagro
Seguidores: mais de 280 mil em levantamento divulgado pela Globo/RPC; números históricos já foram superiores.
Conteúdo: agricultura, animais, plantação, família e humor.
Conhecida como “Princesa do Agro”, Ana Rudnick encontrou na própria rotina rural o material para construir sua audiência.
Moradora de Marmeleiro, no Sudoeste do Paraná, ela mostra o trabalho com animais, pastagem e plantações ao lado da mãe. O conteúdo combina informação, humor e situações espontâneas.
A trajetória também mostra como a comunicação do agronegócio está mudando. O campo aparece não apenas como atividade econômica, mas como lugar de vida, relações familiares, trabalho e histórias que podem despertar interesse de quem está distante da realidade rural.
7. Cícero Viana — Reserva
Plataformas: TikTok e outras redes
TikTok: @ociceroviana0
Seguidores: mais de 300 mil nas redes sociais, com métricas públicas recentes indicando mais de 440 mil seguidores no TikTok.
Conteúdo: filmes, séries, nostalgia, cotidiano e humor.
Cícero Viana representa outro tipo de criador do interior. Em vez de concentrar o conteúdo no campo, ele utiliza filmes, séries, lembranças da infância e situações cotidianas como matéria-prima para o humor.
Morador de Reserva, nos Campos Gerais, começou a produzir vídeos em 2021 e posteriormente encontrou uma linguagem própria baseada no sotaque e nas expressões regionais.
O personagem “Aqui tem preparo” tornou-se uma das marcas de seu conteúdo. O crescimento também levou Cícero para os palcos, inclusive em apresentações ao lado de Santo Fole.
8. Dieferson Karpinski — interior do Paraná
Plataforma: Instagram
Instagram: @_karpinski
Seguidores: cerca de 82,6 mil em métrica pública consultada em setembro de 2026.
Conteúdo: máquinas agrícolas, soja, trigo, milho, tecnologia e sucessão familiar.
Dieferson Karpinski representa uma vertente mais especializada da influência digital. Filho de produtores rurais, utiliza as redes para mostrar máquinas, lavouras e a rotina da propriedade familiar.
Seu conteúdo conversa principalmente com o público ligado ao agronegócio. Tecnologia, mecanização e sucessão familiar aparecem entre os assuntos abordados.
O perfil demonstra que influência não depende apenas de milhões de seguidores. Uma audiência menor e altamente segmentada pode ter grande valor para fabricantes de máquinas, empresas de insumos, cooperativas, concessionárias e outras marcas ligadas ao campo.
9. Gabriela Genz — Mercedes
Plataforma: Instagram
Instagram: @gabriela_genz
Seguidores: cerca de 114,7 mil em agosto de 2026.Conteúdo: agro, produção rural, tecnologia, gestão e rotina no campo.
Engenheira agrônoma, produtora rural e criadora de conteúdo, Gabriela Genz nasceu em Mercedes, no Oeste do Paraná, e trabalha na propriedade familiar.
Seu conteúdo combina experiência profissional e rotina agrícola, mostrando soja, milho e produção leiteira. A proposta aproxima o conhecimento técnico do cotidiano de quem vive no campo.
Gabriela também passou a participar de campanhas de empresas e eventos ligados ao agronegócio, demonstrando como os criadores especializados estão se tornando canais de comunicação relevantes para marcas que precisam alcançar públicos específicos.
10. Tigrão e o Vovô — Irati
Plataformas: Instagram e TikTok
Instagram: @miauzinhothecat
TikTok: @miauzinhothecat
Seguidores: mais de 277 mil no Instagram e mais de 317 mil no TikTok, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles em 2025.
Conteúdo: animais, família, receitas, rotina e humor.
Tigrão, acompanhado pelo chamado “Vovô”, representa um dos casos mais curiosos da lista. O perfil nasceu a partir dos gatos da família Busatto, em Irati, e ganhou enorme repercussão com as interações entre os animais e Gilberto.
A conta passou a gerar renda e também levou pessoas de outras cidades a visitar o estabelecimento da família em busca dos personagens que conheciam pela internet.
Mais recentemente, a gata Mimi passou a ganhar grande destaque no mesmo perfil, reforçando a capacidade da conta de transformar situações comuns envolvendo animais em conteúdo de entretenimento.
Quando o interior vira conteúdo
Existe uma característica comum entre esses criadores: eles não precisaram abandonar sua origem para alcançar públicos de fora. Em muitos casos, aconteceu justamente o contrário.
A propriedade rural, o sotaque, o animal de estimação, a receita, o trabalho na lavoura ou uma conversa de família transformaram-se em diferenciais. Para quem vive no interior, são elementos cotidianos. Para milhões de pessoas que moram em grandes cidades, representam uma janela para um universo menos conhecido.
Essa combinação também abre oportunidades econômicas. Restaurantes, lojas, eventos, hotéis, empresas agrícolas e prefeituras podem utilizar a audiência desses criadores para divulgar produtos, serviços e destinos turísticos.
A influência digital também está criando uma nova relação entre pequenas cidades e economia criativa. O caso de Gustavim da Roça, que levou personagens das redes para o cinema, mostra que o conteúdo pode gerar projetos que ultrapassam a publicidade convencional.
O novo papel dos blogueiros das pequenas cidades
O termo “blogueiro” já não descreve completamente esse novo grupo. Muitos desses personagens são influenciadores, humoristas, produtores audiovisuais, músicos, agricultores ou simplesmente moradores que encontraram uma maneira própria de contar histórias.
Em uma cidade pequena, um perfil com dezenas de milhares de seguidores pode ter uma influência proporcionalmente muito maior do que o número sugere. O criador conhece os lugares, as pessoas e os costumes da comunidade e fala diretamente com quem vive naquela região.
Essa proximidade, entretanto, aumenta a responsabilidade. Quando publicidade, entretenimento e informação aparecem no mesmo perfil, o público precisa conseguir identificar claramente o que é conteúdo comercial, opinião pessoal ou informação.
A monetização abriu novas possibilidades para esses criadores: publicidade, eventos, campanhas, turismo, produtos próprios e parcerias com empresas passaram a fazer parte desse mercado.
O movimento também muda a imagem do interior. Durante muito tempo, pequenas cidades apareciam na mídia nacional principalmente quando havia uma tragédia, um acontecimento policial ou uma curiosidade extraordinária. Agora, elas também podem ser fonte permanente de entretenimento, cultura e negócios.
Talvez essa seja a principal transformação provocada pelas redes sociais: a distância entre uma pequena propriedade rural e uma audiência nacional deixou de ser medida em quilômetros. Ela pode ser vencida em poucos segundos, com um celular na mão e uma história que desperte curiosidade.
No Paraná, cada vez mais personagens estão descobrindo que o lugar onde vivem pode ser justamente o conteúdo que o público estava procurando.
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Redes sociais citadas na reportagem:
Bruno Guilherme — @brunoguilhermeyt
Mayk Leão — @mayk.leao
Santo Fole — @santofole
Paulinho Pezak — @paulinhopezak
Lucas Silva Aoba — @lucas_aooba
Gustavim da Roça — @gustavimdaroca
Ana Rudnick — @anaprincesadoagro
Cícero Viana — @ociceroviana0
Dieferson Karpinski — @_karpinski
Gabriela Genz — @gabriela_genz
Tigrão/Mimi — @miauzinhothecat
Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br
Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.


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