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Ceratocone ainda é desconhecido por quase metade dos brasileiros, aponta pesquisa

  • hashtagcuritiba
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Estudo mostra que 45,8% nunca ouviram falar da doença; oftalmologista da Hapvida alerta para sinais que podem ser confundidos com simples troca de grau nos óculos



A necessidade de trocar os óculos com frequência pode parecer apenas uma mudança natural da visão, especialmente durante o crescimento na adolescência. No entanto, alterações rápidas ou recorrentes no grau também podem ser um sinal de alerta para o ceratocone.


A doença provoca o afinamento e a alteração progressiva do formato da córnea. Com isso, a estrutura assume uma curvatura mais pontuda e irregular, prejudicando a qualidade da visão.


Um estudo brasileiro publicado em julho de 2026 na Revista Brasileira de Oftalmologia, com 879 adultos, mostrou que 45,8% dos participantes nunca tinham ouvido falar em ceratocone. Apenas 31,5% afirmaram conhecer a doença.


A pesquisa também apontou que 42,1% relataram alergia ocular e 31,3% disseram esfregar os olhos com frequência. Esse comportamento merece atenção principalmente entre pessoas com predisposição ao ceratocone.


Doença costuma se manifestar durante a adolescência


Segundo o oftalmologista Jae Min Lee, da Hapvida, o ceratocone está relacionado a uma predisposição genética e costuma começar a se manifestar durante a adolescência.


“Existe uma predisposição genética para o ceratocone, mas a doença geralmente começa a se manifestar por volta dos 13 ou 14 anos. Ela tende a apresentar progressão ao longo da adolescência e início da vida adulta e, em média, estabiliza por volta dos 25 anos. A progressão depois dos 30 anos é considerada rara”, explica.


Nos estágios iniciais, a doença pode não provocar sintomas evidentes. Um dos primeiros sinais costuma ser a alteração do grau dos óculos, principalmente o aumento do astigmatismo.


“O ceratocone começa a se manifestar, muitas vezes, com um aumento no grau dos óculos. O principal sinal é o aumento do astigmatismo, embora a miopia também possa aumentar. Como o paciente consegue enxergar melhor depois de trocar os óculos, a condição pode ser confundida inicialmente com uma simples necessidade de atualização da correção visual”, afirma.


Aumento rápido do astigmatismo exige atenção


Com a progressão do ceratocone, a correção feita somente com óculos pode deixar de proporcionar uma visão adequada.


O especialista explica que nem toda mudança no grau significa que o paciente tenha a doença. Entretanto, alterações importantes e frequentes, especialmente em crianças e adolescentes, devem ser investigadas.


“Quando existe um aumento muito rápido do grau, principalmente do astigmatismo, o oftalmologista precisa ficar atento. Nem todo aumento de grau significa ceratocone, mas, diante de uma mudança importante ou frequente, especialmente em crianças e adolescentes, é importante fazer uma avaliação. Se houver suspeita, o médico pode solicitar exames específicos para confirmar ou descartar a doença”, explica Jae Min Lee.


Diagnóstico precoce pode mudar a evolução


Identificar o ceratocone nos estágios iniciais é importante porque existem tratamentos capazes de interromper ou estabilizar sua progressão.


Um deles é o crosslinking corneano, procedimento que aumenta a resistência biomecânica da córnea e pode impedir que o ceratocone continue avançando em pacientes que tenham indicação médica.


“O diagnóstico precoce muda a evolução porque permite identificar a doença antes que ela avance. O uso de óculos corrige a visão, mas não impede a progressão do ceratocone. Quando existe indicação, o crosslinking consegue estabilizar a córnea e pausar a evolução da doença”, explica o oftalmologista.


O especialista ressalta, entretanto, que o procedimento não representa uma cura.

“O paciente que tem ceratocone continuará tendo a condição, mas o objetivo do tratamento é fazer com que ela permaneça estabilizada, principalmente quando conseguimos agir ainda na fase inicial”, afirma.


Sinais que merecem atenção


  • Aumento rápido ou frequente do grau dos óculos;

  • aumento significativo do astigmatismo;

  • miopia com progressão acelerada;

  • visão embaçada ou distorcida;

  • dificuldade para enxergar mesmo com os óculos atualizados;

  • necessidade frequente de trocar a correção visual;

  • coceira ou hábito recorrente de esfregar os olhos;

  • alterações visuais que começam durante a adolescência.


Cuidados importantes


  • Crianças e adolescentes devem realizar acompanhamento oftalmológico periódico;

  • mudanças frequentes no grau precisam ser avaliadas por um oftalmologista;

  • deve-se evitar coçar ou esfregar os olhos, especialmente de forma repetitiva;

  • pessoas com alergia ocular e coceira frequente devem procurar avaliação médica;

  • os óculos corrigem a visão, mas não impedem a progressão do ceratocone;

  • quando houver suspeita, exames específicos podem confirmar ou descartar o diagnóstico;

  • quanto mais cedo uma eventual progressão for identificada, maiores são as possibilidades de estabilização com o tratamento adequado.


Fonte: material de divulgação da Hapvida, com informações do oftalmologista Jae Min Lee. As orientações são informativas e não substituem avaliação médica individual.


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