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Por que o sarampo voltou a preocupar?

  • Foto do escritor: Editor Paranashop
    Editor Paranashop
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Mesmo com uma vacina segura e eficaz disponível, o sarampo voltou a acender um alerta no Brasil e em outros países das Américas. O Hospital Pequeno Príncipe reforça que a queda na cobertura vacinal favorece o retorno de uma doença altamente transmissível e capaz de provocar complicações graves, sobretudo em crianças.


Criança recebe vacina contra o sarampo no Centro de Vacinas Pequeno Príncipe

Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos, sem transmissão interna sustentada. Em 2026, já são 24 casos confirmados, dos quais 23 ocorreram no estado de São Paulo. Nas Américas, foram contabilizados 47.459 casos até 18 de julho.

O sarampo é uma doença viral exantemática transmitida por via respiratória quando uma pessoa infectada fala, tosse ou espirra. Segundo o Ministério da Saúde, um doente pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

“O sarampo é realmente um indicador de qualidade vacinal e de adesão às vacinas, porque é muito transmissível. Então, quando começam a aparecer casos, mostra uma baixa cobertura vacinal”, explica a pediatra Heloisa Ihle Garcia Giamberardino, coordenadora do Centro de Vacinas Pequeno Príncipe.


Sintomas do sarampo


Os sinais costumam aparecer entre sete e 14 dias depois da exposição ao vírus. Entre os principais sintomas estão febre alta, acima de 38,5 °C; manchas vermelhas pelo corpo; conjuntivite sem secreção purulenta; coriza; tosse; e secreção nasal.

O infectologista pediátrico Victor Horácio explica que, cerca de 72 horas antes do aparecimento das manchas na pele, podem surgir pequenos pontos esbranquiçados na parte interna da boca, conhecidos como manchas de Koplik. Esse achado é característico da doença e auxilia a avaliação médica.

Não existe medicamento específico contra o sarampo. O cuidado é voltado ao alívio dos sintomas e deve ser orientado por um pediatra ou outro profissional de saúde. Diante de suspeita, a criança precisa ser avaliada, tanto para receber acompanhamento quanto para reduzir o risco de transmissão.


Complicações podem ser graves


Embora algumas pessoas se recuperem sem sequelas, o sarampo não deve ser tratado como uma infecção simples. A pneumonia ocorre em aproximadamente uma de cada 20 crianças infectadas e é a causa mais comum de morte associada à doença nessa faixa etária.

A otite média aguda pode afetar uma em cada dez crianças e, em alguns casos, provocar perda auditiva permanente. Já a encefalite aguda ocorre em um a quatro casos a cada mil e pode deixar sequelas neurológicas; cerca de 10% dos pacientes que desenvolvem essa complicação podem morrer. De modo geral, estima-se que uma a três de cada mil crianças doentes morram em decorrência do sarampo.

Outra consequência rara é a panencefalite esclerosante subaguda, conhecida pela sigla PEES. Trata-se de uma doença neurológica progressiva e fatal, provocada pela persistência de uma forma mutada do vírus no sistema nervoso central, que pode se manifestar anos depois da infecção.

Victor Horácio cita o surto ocorrido no Texas, nos Estados Unidos, como exemplo da relação entre ausência de vacinação e desfechos graves. “O que observamos, por exemplo, no surto de sarampo ocorrido na região do Texas, nos Estados Unidos, com mais de 380 casos, é que os quatro óbitos registrados em crianças foram de pacientes não vacinados. Então, se você está vacinado contra o sarampo, você está protegido”, afirma.


Cobertura vacinal ainda está abaixo do necessário


Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, mas apenas 77,9% completaram o esquema no período recomendado. A diferença preocupa porque a proteção adequada depende do esquema completo.

O Programa Nacional de Imunizações recomenda duas doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A primeira é aplicada aos 12 meses de idade. A segunda é administrada, em geral, aos 15 meses, normalmente por meio da vacina tetraviral, que também inclui proteção contra varicela.

Pessoas com até 59 anos que não tenham comprovação de duas doses devem procurar um serviço de saúde para atualizar a situação vacinal. Quem recebeu as duas doses na infância não precisa ser revacinado. A vacina é contraindicada para gestantes e pessoas imunocomprometidas, que devem receber orientação individualizada da equipe de saúde.

“A vacina é segura, tranquila e bem-tolerada, sem praticamente nenhuma reação adversa. O sarampo é uma doença de fácil controle com vacinação. Vacinados não pegam o sarampo”, reforça Heloisa.


Sobre o Hospital Pequeno Príncipe


Localizado em Curitiba, o Hospital Pequeno Príncipe é apontado como o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. A instituição filantrópica tem mais de 100 anos de atuação, atende em 47 especialidades e realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea.

O hospital possui 369 leitos, sendo 76 de UTI, e destina 76% de sua capacidade ao Sistema Único de Saúde. Em 2025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil cirurgias e 308 transplantes.

A instituição figura entre os 70 melhores hospitais pediátricos do mundo no ranking da revista Newsweek e, pelo quinto ano consecutivo, foi reconhecida como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também possui certificação de Excelência do Ministério da Saúde e integra o Pacto Global das Nações Unidas desde 2019.


Foto: Wynitow Butenas/Centro de Vacinas Pequeno Príncipe

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