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A política paranaense muda de fase neste fim de semana

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
    Marcos Paulo Assis
  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

Alianças, pesquisas, Senado e início da propaganda redesenham a disputa pelo Palácio Iguaçu e revelam os principais movimentos dos partidos.


Bastidores da política do Paraná em 15 de agosto: alianças, pesquisas, TV, Senado e os movimentos que moldam a eleição de 2026.

A eleição para o Governo do Paraná deixa neste fim de semana a fase das negociações reservadas e entra no período em que cada movimento político será submetido ao eleitor. Neste sábado, 15 de agosto, termina o prazo para os partidos apresentarem à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas. A partir deste domingo, 16, começa oficialmente a propaganda eleitoral, inclusive na internet. O rádio e a televisão entram na disputa em 28 de agosto.


A mudança é mais profunda do que parece. Nos últimos meses, as principais forças políticas do Estado trabalharam para definir candidaturas, atrair partidos, escolher vices e organizar chapas para o Senado. Agora, os acordos terão de produzir algo mais difícil: uma narrativa capaz de convencer milhões de eleitores que, em boa parte, ainda não decidiram o voto.


O levantamento mais recente da IRG, divulgado em 13 de agosto, mostra Sergio Moro na liderança, mas também revela que a disputa pelo segundo lugar permanece aberta. A pesquisa ouviu 1.350 eleitores entre os dias 8 e 12 de agosto e testou diferentes combinações para o primeiro e o segundo turno.


O cenário é ainda mais interessante porque outra pesquisa recente, do instituto Neokemp, apresentou uma fotografia diferente na segunda colocação: Moro apareceu com 45,7%, Requião Filho com 20,4% e Sandro Alex com 14,9%. A divergência entre os levantamentos reforça uma cautela necessária: pesquisas capturam momentos distintos e não devem ser tratadas como previsão de resultado.


A aliança de Sandro Alex foi o grande movimento estratégico


A composição de Sandro Alex com Rafael Greca como candidato a vice foi uma das decisões que mais alteraram o desenho da sucessão estadual. O movimento aproximou duas estruturas políticas com forte presença no Estado e, principalmente, criou uma tentativa de combinar a experiência administrativa de Greca na capital com a trajetória de Sandro Alex no governo estadual e no Congresso.


A escolha também resolveu uma questão que vinha movimentando os bastidores: Greca pretendia disputar a eleição majoritária e chegou a aparecer como alternativa competitiva nas sondagens, mas acabou aceitando a vice. A decisão fortaleceu o grupo político ligado ao PSD e ao governador Ratinho Junior, ao mesmo tempo em que retirou do tabuleiro uma candidatura própria do MDB.


A vantagem dessa composição não está apenas nos nomes. Ela está na capacidade de reunir prefeitos, deputados, vereadores e estruturas partidárias em diferentes regiões. Para uma eleição estadual, essa capilaridade pode ser tão importante quanto a exposição nas redes sociais.


O risco é igualmente claro: quanto maior a aliança, maior a quantidade de interesses que precisam ser administrados. O eleitor também poderá cobrar uma resposta simples para uma pergunta complexa: qual é o projeto próprio da chapa para o Paraná e até onde ele se diferencia da atual administração?


O dilema de Ratinho Junior


O governador Ratinho Junior tornou-se uma peça central da eleição mesmo sem disputar o cargo. A escolha de Sandro Alex colocou o governo no centro da campanha e transforma a eleição em uma espécie de avaliação indireta da atual administração.


Para o grupo governista, a estratégia é apresentar continuidade com mudanças. Para a oposição, a mesma situação oferece uma oportunidade: transformar a eleição em um julgamento dos resultados do governo.


É uma diferença importante. Obras, concessões, investimentos e indicadores econômicos podem funcionar como ativos para a situação, enquanto problemas de saúde, segurança, educação, transporte ou prestação de serviços públicos podem ser explorados pelos adversários.


O resultado dependerá da capacidade de cada grupo traduzir números e obras em situações concretas do cotidiano. Para o eleitor de uma cidade pequena, por exemplo, um investimento estadual não será avaliado pelo tamanho anunciado em uma cerimônia, mas pelo efeito percebido na estrada, no hospital, na escola ou na geração de empregos.


Moro lidera, mas ainda precisa transformar vantagem em campanha


Sergio Moro entra oficialmente na campanha com uma vantagem relevante nas pesquisas. O levantamento da IRG divulgado nesta semana confirmou sua liderança, enquanto a pesquisa Neokemp também apontou o senador como primeiro colocado.


O dado mais relevante, porém, não é apenas a liderança. É a necessidade de Moro ampliar a conversa para além da imagem nacional construída desde a Operação Lava Jato e consolidar uma identidade de candidato ao governo estadual.


Uma eleição para governador exige respostas sobre temas muito diferentes daqueles que dominaram sua trajetória no Congresso e no Judiciário. Segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, ambiente de negócios, política fiscal e relação com os municípios estarão no centro da cobrança.


A campanha também terá de lidar com o ambiente digital, onde velocidade e polarização podem produzir ganhos rápidos, mas também riscos jurídicos. O TRE-PR já estabeleceu regras específicas para propaganda e para o período eleitoral, enquanto o TSE regulamentou o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026.


Requião Filho tenta ocupar o espaço da oposição


Requião Filho chega à disputa com uma tarefa diferente: transformar o discurso oposicionista em uma candidatura competitiva para o segundo turno.


Em sabatina promovida pela Folha e pelo UOL, o candidato do PDT apresentou críticas duras à administração Ratinho Junior e defendeu mudanças em áreas como educação, privatizações, concessões e incentivos fiscais. Também procurou se diferenciar do perfil político do pai, o ex-governador Roberto Requião.


Sua campanha terá de equilibrar dois movimentos. O primeiro é preservar a identidade de oposição. O segundo é ampliar a interlocução com eleitores que não necessariamente se identificam com a esquerda, mas podem estar dispostos a votar em uma alternativa ao grupo que governa o Paraná.


A pesquisa será uma das primeiras batalhas. Dependendo do instituto, Requião Filho aparece em segundo ou terceiro lugar, enquanto Sandro Alex também oscila entre essas posições. Essa disputa pode ser decisiva porque quem terminar em segundo terá uma vantagem narrativa importante na reta final do primeiro turno.


O Senado virou uma eleição paralela


A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado merece atenção especial porque reúne candidatos com trajetórias e eleitorados bastante diferentes. A corrida envolve nomes de grande exposição nacional e lideranças com forte presença na política estadual.


Alexandre Curi, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Gleisi Hoffmann estão entre os nomes que aparecem com força nas pesquisas e articulações partidárias recentes. A dinâmica, porém, é diferente da eleição para governador: cada eleitor poderá escolher dois candidatos.


Isso abre espaço para estratégias de voto combinado. Um partido pode concentrar esforços para eleger um nome e, ao mesmo tempo, negociar apoio informal ou explícito para uma segunda candidatura. Também existe a possibilidade de o eleitor escolher candidatos de campos políticos diferentes.


A sucessão também passa pela Assembleia


A eleição majoritária não pode ser analisada isoladamente da disputa proporcional. Deputados estaduais e federais serão responsáveis por construir as bancadas que darão sustentação ou oposição ao próximo governador.


A Assembleia Legislativa terá papel especialmente relevante porque o próximo governo dependerá de uma base parlamentar para aprovar projetos, reorganizar políticas públicas e votar medidas que tenham impacto sobre orçamento, investimentos e estrutura administrativa.


Para os partidos, portanto, uma campanha ao governo não é apenas uma disputa pelo Palácio Iguaçu. É também uma tentativa de montar uma bancada capaz de garantir influência nos quatro anos seguintes.


A Justiça Eleitoral passa a ocupar o centro do jogo


O encerramento das convenções não significa que todas as candidaturas estejam juridicamente resolvidas. Os pedidos de registro apresentados neste sábado ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral. O próprio TRE-PR mantém estrutura específica para acompanhar registros, propaganda, direito de resposta e demais processos eleitorais.


Outro ponto que merece atenção é a lista de agentes públicos com contas consideradas irregulares. O Tribunal de Contas do Estado entregou ao TRE-PR a relação prevista na legislação eleitoral para subsidiar a análise dos registros. A existência de uma conta nessa relação, contudo, não significa automaticamente que determinado político esteja inelegível, já que a situação jurídica precisa ser analisada caso a caso.


Esse cuidado é fundamental em uma cobertura jornalística responsável. Na eleição, acusações políticas podem circular com velocidade muito maior que decisões judiciais. O eleitor precisa saber diferenciar investigação, denúncia, condenação, decisão administrativa, recurso e trânsito em julgado.


O que observar nas próximas semanas


A partir deste domingo, quatro fatores devem ser acompanhados de perto: a capacidade de Moro manter sua vantagem, a evolução da chapa Sandro Alex-Greca, a reação de Requião Filho e a disputa pelo segundo lugar nas pesquisas.


Também será necessário observar como os candidatos vão tratar a economia do Estado. O Paraná possui uma base industrial e agropecuária relevante, grandes obras de infraestrutura em andamento e desafios relacionados à logística, segurança, saúde e educação. O debate eleitoral poderá indicar se os candidatos pretendem manter políticas existentes, ampliá-las ou substituí-las.


O eleitor, por sua vez, terá de lidar com uma quantidade crescente de informação. Vídeos curtos, recortes de debates, pesquisas, ataques entre adversários e conteúdos produzidos por inteligência artificial devem disputar espaço com propostas e informações verificáveis.

A principal mudança dos próximos dias será justamente essa: a política deixa de ser predominantemente negociada entre dirigentes partidários e passa a ser testada diariamente diante do público.


O Paraná ainda não escolheu seu próximo governador


A fotografia desta semana mostra Moro na frente, mas não autoriza conclusões antecipadas. A diferença entre pesquisas e a movimentação do segundo e terceiro colocados indicam uma disputa ainda sujeita a mudanças.


O grupo governista aposta na força de uma ampla aliança e na avaliação positiva da administração estadual. Moro procura transformar liderança eleitoral em maioria política. Requião Filho tenta abrir espaço como alternativa de oposição. E, por trás deles, dezenas de candidatos ao Senado, à Câmara e à Assembleia disputam o mesmo eleitorado.


A eleição paranaense entra agora em sua fase mais visível. O que estava restrito a reuniões partidárias, conversas entre dirigentes e articulações de bastidores será levado para as ruas, para a televisão, para as redes sociais e, sobretudo, para a mesa de jantar das famílias.


É ali que a eleição poderá começar a mudar de verdade. A pergunta que permanece aberta não é apenas quem está na frente hoje, mas quem conseguirá convencer o eleitor de que possui as melhores condições éticas, administrativas e econômicas para governar o Paraná a partir de 2027.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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