Museu do Holocausto lança material sobre as Olimpíadas de Berlim
- Editor Paranashop

- há 3 dias
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“A Chama e a Sombra” reúne documentos, fotografias e histórias de atletas perseguidos, excluídos ou assassinados pelo regime nazista.

O Museu do Holocausto de Curitiba lançou o material educativo “A Chama e a Sombra: os 90 anos das Olimpíadas de Berlim”. A publicação resulta de uma pesquisa que reúne documentos, peças do acervo, fotografias, propostas pedagógicas e trajetórias individuais que ficaram à margem da narrativa oficial dos Jogos Olímpicos de 1936.
Com cerca de 50 páginas, o conteúdo mostra como o esporte fazia parte da vida das comunidades judaicas europeias entre as duas guerras mundiais, como o nazismo utilizou as competições para sustentar o mito da superioridade ariana e como surgiram movimentos de boicote aos Jogos.
O material também examina a repercussão das Olimpíadas na imprensa internacional, incluindo a brasileira, e apresenta propostas para trabalhar o tema em sala de aula.

O esporte e a propaganda nazista
Realizadas durante o regime nazista, as Olimpíadas de Berlim foram utilizadas para projetar ao mundo uma imagem de Alemanha moderna, organizada e pacífica. Por trás das cerimônias e dos recordes esportivos, porém, o país já mantinha campos de concentração e aplicava leis que institucionalizavam a perseguição antissemita.
Enquanto os primeiros campos de concentração já confinavam prisioneiros políticos e as Leis de Nuremberg estavam em vigor, mais de 300 estações de rádio transmitiam as competições em mais de 25 idiomas, afirma Carlos Reiss, coordenador-geral do Museu.
Para Michel Ehrlich, coordenador de História da instituição, o objetivo foi reunir histórias de atletas impedidos de competir, pessoas que se posicionaram publicamente e outras que encontraram maneiras de resistir ou sabotar os eventos.
Jesse Owens e outras trajetórias
Uma das histórias apresentadas é a de Jesse Owens. O atleta negro norte-americano conquistou quatro medalhas de ouro em 1936, contrariando a propaganda nazista de superioridade racial ariana e tornando-se um símbolo da luta contra o racismo.
A publicação também aborda Johann Trollmann, boxeador alemão de origem Sinti perseguido pelo regime, e Béla Guttmann, jogador e treinador de futebol que sobreviveu ao Holocausto e, anos depois, trabalhou no Brasil.
Guttmann treinou o São Paulo em 1957 e ajudou a popularizar o esquema 4-2-4, que influenciou a seleção brasileira campeã mundial em 1958.
Propostas para professores e estudantes
O material reflete sobre como o esporte pode ser utilizado para legitimar projetos autoritários, ocultar violações de direitos e difundir discursos de intolerância.
As atividades foram elaboradas para diferentes etapas de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Médio, e podem ser adaptadas à realidade de cada escola.
Desenvolvemos os roteiros para diferentes etapas de ensino, sempre pensando em opções específicas para cada ano, afirma Denise Weishof, coordenadora do Departamento Pedagógico do Museu.
Acesso gratuito
O material “A Chama e a Sombra: os 90 anos das Olimpíadas de Berlim” está disponível gratuitamente em:
Foto: Getty Images/Olympics



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