Emagrecimento: densitometria mostra gordura e massa magra além do peso na balança
- Editor Paranashop

- há 37 minutos
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Perder peso não significa, necessariamente, perder apenas gordura. Durante um processo de emagrecimento, a redução registrada na balança pode envolver diferentes componentes do corpo, entre eles gordura e massa magra. Por isso, a avaliação da composição corporal pode complementar o acompanhamento clínico e nutricional, especialmente quando o objetivo é entender o que mudou além do número de quilos.

Na Clínica Imax, em Curitiba, a médica radiologista Cristiane Spadoni explica que olhar somente para o peso ou para o Índice de Massa Corporal (IMC) pode deixar de fora informações relevantes sobre a composição do organismo.
“Durante muitos anos, a principal pergunta era quanto a pessoa pesava. Hoje sabemos que essa informação, isoladamente, diz muito pouco sobre a saúde. O mais importante é entender do que esse peso é formado. Independentemente da forma como a pessoa emagreceu, ela precisa saber o que perdeu”, afirma Cristiane Spadoni.
Peso e composição corporal não são a mesma coisa
A composição corporal descreve como o peso total se distribui entre gordura, massa magra e conteúdo mineral ósseo. Duas pessoas com o mesmo peso e a mesma altura podem ter proporções bastante diferentes desses componentes, o que ajuda a explicar por que a balança, sozinha, não resume o estado de saúde.
A distribuição da gordura também importa. A gordura visceral, localizada na região abdominal ao redor dos órgãos, é associada a maior risco cardiometabólico quando está em excesso. Ao mesmo tempo, pessoas que aparentam ser magras podem apresentar maior quantidade de gordura interna, enquanto outras podem reunir excesso de gordura e baixa quantidade de massa magra — quadro frequentemente discutido como obesidade sarcopênica.
“Duas pessoas podem pesar exatamente 70 quilos e terem riscos completamente diferentes. Uma pode apresentar excelente quantidade de massa muscular e baixo percentual de gordura, enquanto outra pode concentrar gordura visceral e pouca musculatura. O número na balança é o mesmo, mas a saúde dessas duas pessoas pode ser muito diferente”, explica a radiologista.
O que a densitometria corporal por DXA avalia
A densitometria por dupla emissão de raios X, conhecida pela sigla DXA, é uma das técnicas utilizadas para avaliar composição corporal. O exame fornece medidas de gordura, massa magra e conteúdo mineral ósseo. Em alguns sistemas, também pode ser apresentada uma estimativa de gordura visceral.
É importante diferenciar composição corporal de um diagnóstico global de saúde: o DXA não determina, isoladamente, se o emagrecimento foi “saudável”. Os resultados precisam ser interpretados junto da história clínica, alimentação, atividade física, exames laboratoriais, condições de saúde e avaliação dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
Perda de peso pode incluir massa magra
O tema ganhou ainda mais atenção com a expansão dos tratamentos farmacológicos para obesidade. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 na revista Metabolism reuniu 22 ensaios clínicos randomizados, com 2.258 participantes, e observou redução tanto de gordura quanto de massa magra com medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e coagonistas. Em média, a perda de massa magra representou aproximadamente um quarto da perda total de peso nos estudos avaliados.
Esse dado não significa que o tratamento seja inadequado, mas reforça a importância de acompanhamento individualizado, com atenção à alimentação, ingestão proteica quando indicada, atividade física e preservação da capacidade funcional.
“Hoje não basta acompanhar apenas a redução dos quilos. O objetivo é saber se o paciente está realmente perdendo gordura, preservando massa muscular e melhorando sua composição corporal. Essas informações ajudam nutricionistas, endocrinologistas, médicos e educadores físicos a individualizar o tratamento e acompanhar sua evolução com muito mais precisão”, afirma a radiologista Andrea Cianfarano.
O que o exame pode mostrar
percentual e quantidade de gordura corporal;
massa magra corporal;
conteúdo mineral ósseo;
distribuição regional de gordura e massa magra;
em alguns equipamentos, estimativa de gordura visceral;
comparação da composição corporal entre avaliações realizadas ao longo do acompanhamento.
Para quem pratica exercícios, o acompanhamento também pode ajudar a identificar situações em que o peso muda pouco, mas há redução de gordura e aumento de massa magra. Nesse cenário, a balança pode sugerir estabilidade enquanto a composição corporal apresenta outra evolução.
“É muito frequente encontrarmos pessoas frustradas porque o peso praticamente não mudou. Em muitos casos, elas perderam gordura e ganharam massa muscular ao mesmo tempo. A balança não consegue mostrar essa diferença, mas a avaliação da composição corporal revela o que aconteceu e permite um acompanhamento mais preciso”, conclui Cristiane Spadoni.
A indicação e a periodicidade do exame devem ser definidas de acordo com o objetivo de cada pessoa e com a avaliação dos profissionais de saúde. A composição corporal é uma peça do acompanhamento — não substitui a análise clínica completa.
Fontes
Release: Clínica Imax. Informações técnicas conferidas em referências da International Society for Clinical Densitometry (ISCD), National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK) e revisão sistemática publicada na revista Metabolism em 2025.



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