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Dia das Crianças 2026: presentes por idade e tradições no mundo

há 12 horas
8 min de leitura

De brinquedos e jogos a tecnologia e experiências, veja o que mais combina com cada faixa etária e conheça as diferentes formas de celebrar a infância no Brasil e no mundo.


Crianças de diferentes idades brincam com brinquedos, jogos, livros e equipamentos esportivos em ilustração sobre o Dia das Crianças.
Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

O Dia das Crianças movimenta o comércio brasileiro todos os anos, mas a escolha do presente está longe de ser igual para todas as idades. Enquanto os menores se interessam por brinquedos que estimulam os sentidos e a coordenação motora, crianças em idade escolar tendem a procurar construção, jogos, esportes e personagens. Entre os pré-adolescentes, tecnologia, games, colecionáveis e experiências ganham espaço.


Em Curitiba, a pesquisa do Sebrae/PR para o Dia das Crianças de 2026 mostra que os brinquedos aparecem em primeiro lugar entre as categorias de presentes, com 68,6% das indicações. Roupas e calçados vêm depois, com 32,4%, seguidos por jogos educativos, com 21,9%, e livros e produtos semelhantes, com 15,2%. O tíquete médio previsto para a data é de R$ 188,35.


O levantamento estadual também mostra que a intenção de presentear alcança 63,9% dos consumidores no Paraná, embora existam diferenças importantes entre as regiões. Curitiba aparece com 68,6%, enquanto o Sul do Estado chega a 77%. A pesquisa ainda aponta que a comparação de preços faz parte da jornada de compra e que a internet ocupa posição de destaque entre os canais utilizados.


O presente muda conforme a idade


Não existe um ranking oficial que permita afirmar, por exemplo, que determinado brinquedo é o mais vendido entre crianças de 4 anos ou que determinado game lidera entre os adolescentes. As pesquisas disponíveis trabalham principalmente com categorias de produtos, enquanto os dados da indústria mostram a participação de diferentes linhas no mercado de brinquedos.


Por isso, o guia abaixo combina os dados disponíveis do mercado com características típicas de cada fase da infância. A lista indica categorias que fazem sentido para cada idade, e não um ranking estatístico de vendas por faixa etária.


De 0 a 2 anos: descobrir brincando


Nos primeiros anos, os brinquedos funcionam principalmente como instrumentos de exploração. Cores, formas, texturas, sons e movimentos ajudam a criança a descobrir relações simples entre suas ações e o ambiente.


Entre as opções estão brinquedos de encaixe grandes, peças para empilhar, livros cartonados, brinquedos musicais, mordedores, brinquedos sensoriais e objetos próprios para atividades de movimento. Nessa faixa, a indicação de idade e as condições de segurança devem pesar mais na escolha do que a marca ou a aparência do produto.


Os dados da Abrinq ajudam a dimensionar a presença dessa categoria no mercado. Em 2024, os produtos classificados como puericultura — que incluem mordedores, chocalhos e móbiles — representaram 7,6% das vendas por linha de brinquedos pesquisadas pela entidade.


De 3 a 5 anos: faz de conta vira protagonista


A partir dos três anos, a brincadeira imaginativa ganha força. Cozinhas, bonecas, carrinhos, fantasias, ferramentas de brinquedo, blocos e jogos simples permitem reproduzir situações do cotidiano e inventar histórias.


Os números da indústria mostram a relevância dessas categorias. Em 2024, bonecas e bonecos responderam por 11% das vendas por linha de brinquedos, enquanto os produtos classificados como “reprodução do mundo real”, que incluem itens como jogos de panela, móveis e kits mecânicos, representaram 9,1%.


Para essa faixa etária, brinquedos que permitem diferentes formas de utilização tendem a oferecer mais possibilidades de brincadeira do que produtos extremamente direcionados. Um conjunto de blocos, por exemplo, pode se transformar em uma casa, um carro, uma torre ou qualquer outra construção inventada pela criança.


De 6 a 8 anos: desafios entram na brincadeira


A criança começa a compreender regras mais elaboradas e passa a lidar melhor com desafios, competição e cooperação. É uma fase em que jogos de tabuleiro, cartas, quebra-cabeças, blocos de construção e brinquedos esportivos ganham espaço.


A evolução do mercado confirma essa mudança. Segundo o Anuário da Abrinq, os jogos representavam 9,1% das vendas por linha em 2017 e chegaram a 14,8% em 2024. Os blocos de construção passaram de 5,1% para 9% no mesmo período.


Bicicletas, patinetes, patins, bolas e outros equipamentos esportivos também entram com força nessa fase. A categoria esportiva alcançou 16,1% das vendas por linha de brinquedos em 2024, segundo o mesmo levantamento.


De 9 a 11 anos: interesses ficam mais específicos


A partir dos nove anos, a escolha costuma exigir maior conhecimento sobre a personalidade da criança. Algumas se interessam por esportes; outras preferem livros, construção, ciência, desenho, música, coleções ou jogos.


Entre as alternativas aparecem kits de construção mais complexos, jogos de estratégia, quebra-cabeças, equipamentos esportivos, livros, kits científicos, instrumentos musicais e produtos relacionados a personagens e franquias que fazem sucesso entre o público infantil.

Essa é também uma idade em que perguntar diretamente o que a criança gostaria de ganhar pode evitar um erro comum: comprar um produto considerado “infantil” quando ela já migrou para interesses mais específicos.


De 12 a 14 anos: a fronteira entre brinquedo e tecnologia


Na pré-adolescência, o conceito de presente muda. Videogames, acessórios para jogos, fones de ouvido, celulares, roupas, calçados, artigos esportivos, colecionáveis e experiências passam a disputar espaço com os brinquedos tradicionais.


Isso não significa que os brinquedos desapareçam. A pesquisa do Sebrae/PR em Curitiba mostra justamente que a categoria continua liderando as intenções gerais de compra. O que muda é a composição da cesta de presentes e o grau de personalização necessário para acertar a escolha.


Para essa idade, também entram opções que não são objetos: ingressos para cinema ou espetáculo, passeios, parques, atividades esportivas, cursos ligados a hobbies e experiências em família podem ter mais significado do que simplesmente entregar uma caixa.


O que o mercado de brinquedos está vendendo


Os dados mais recentes consolidados pela Abrinq, referentes a 2024, ajudam a entender o tamanho de cada grande segmento. Entre as principais linhas aparecem veículos, esportivos, jogos, bonecas e bonecos, reprodução do mundo real e blocos de construção.


Participação das principais linhas em 2024

Categoria

Participação nas vendas

Veículos

17,8%

Esportivo

16,1%

Jogos

14,8%

Bonecas e bonecos

11,0%

Reprodução do mundo real

9,1%

Blocos de construção

9,0%

Puericultura

7,6%

Outros

8,2%

Madeira

3,1%

Eletrônicos e audiovisuais

2,3%

Pelúcia

0,7%

Fantasias

0,4%

Fonte: Anuário Abrinq 2025, com dados de 2024. Os percentuais representam participação das linhas de brinquedos pesquisadas, não preferência por faixa etária.


Os números revelam duas tendências interessantes. Veículos e produtos esportivos continuam fortes, enquanto jogos e blocos de construção ganharam participação ao longo dos últimos anos. No sentido contrário, bonecas e bonecos perderam participação relativa, passando de 18,9% em 2017 para 11% em 2024.


Isso não significa necessariamente que crianças tenham deixado de brincar com bonecas ou que um determinado tipo de brinquedo tenha perdido vendas em números absolutos. O percentual mostra a composição do mercado pesquisado e pode variar conforme o desempenho das demais categorias.


Quanto custa o presente?


O orçamento é uma das questões mais importantes para quem compra. Em Curitiba, o Sebrae/PR estima tíquete médio de R$ 188,35 para o Dia das Crianças de 2026. A pesquisa também mostra que parte dos consumidores compra para mais de uma criança: 37,5% pretendem presentear duas crianças e 34,6%, três ou mais.


Isso ajuda a explicar por que o consumidor tende a comparar preços e procurar alternativas. Para uma família que compra vários presentes, a diferença entre um produto de R$ 80 e outro de R$ 150 se multiplica rapidamente.


Uma estratégia possível é estabelecer o orçamento antes de escolher o produto. Depois disso, vale comparar preços entre lojas físicas e internet, verificar a classificação indicativa e observar se o brinquedo realmente corresponde à idade e aos interesses da criança.


A história do Dia das Crianças no Brasil


A história brasileira do 12 de outubro começou muito antes de a data se transformar em um fenômeno comercial.


Em 1923, o Rio de Janeiro, então capital federal, recebeu o III Congresso Sul-Americano da Criança. No ano seguinte, o deputado federal fluminense Galdino do Valle Filho apresentou a proposta que deu origem à comemoração. O Decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924, oficializou o dia 12 de outubro como data destinada à celebração das crianças.


A transformação da data em uma ocasião fortemente associada à compra de presentes ocorreu décadas depois. Registros históricos e fontes públicas apontam campanhas da indústria de brinquedos na década de 1950 e, posteriormente, a estratégia da Estrela em parceria com a Johnson & Johnson, em 1960, com a promoção “Semana do Bebê Robusto”. A iniciativa ajudou a popularizar comercialmente a data e a aproximá-la da compra de brinquedos.


Há ainda uma coincidência no calendário que tornou o 12 de outubro especialmente importante no Brasil. A data também é dedicada a Nossa Senhora Aparecida e é feriado nacional desde a Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980.


Dia das Crianças não é igual em todo o mundo


O Brasil não possui uma data universalmente adotada para a celebração da infância. Cada país desenvolveu suas próprias tradições, enquanto o UNICEF utiliza 20 de novembro como World Children's Day, associado à adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança pela Assembleia Geral da ONU, em 20 de novembro de 1989.


A diferença é importante porque, em muitas partes do mundo, a celebração está menos associada à compra de presentes e mais relacionada aos direitos, à educação, à participação das crianças e à convivência.


Japão: 5 de maio

No Japão, o Kodomo no Hi, Dia das Crianças, é celebrado em 5 de maio. A data faz parte do calendário de feriados nacionais e está ligada à valorização da personalidade das crianças e à celebração de sua felicidade. Um dos símbolos mais conhecidos são as bandeiras em formato de carpa, chamadas koinobori, tradicionalmente colocadas em casas e espaços públicos.


México: 30 de abril

No México, o Día de la Niña y el Niño ocorre em 30 de abril. A celebração existe desde 1924 e é apresentada pelo governo mexicano como uma oportunidade de promover e defender os direitos das crianças.


Em 2026, a programação oficial mexicana incluiu cinema, teatro, dança, oficinas, livros, exposições e atividades lúdicas, mostrando uma concepção de celebração que vai além do consumo de presentes.


Turquia: 23 de abril

A Turquia tem uma das celebrações mais singulares. Em 23 de abril ocorre o Dia da Soberania Nacional e das Crianças, associado à abertura da Grande Assembleia Nacional da Turquia, em 1920.


A data foi dedicada às crianças por Mustafa Kemal Atatürk e mantém forte relação com a ideia de que as novas gerações representam o futuro do país. Eventos oficiais incluem atividades culturais, educacionais e a participação simbólica de crianças em instituições públicas.


20 de novembro: a data internacional dos direitos da criança


Enquanto o Brasil celebra a infância em 12 de outubro, o calendário internacional tem outro marco. Em 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Criança, documento que estabelece direitos fundamentais para pessoas com menos de 18 anos.


O UNICEF utiliza a data para o World Children's Day, uma mobilização que coloca as próprias crianças no centro das discussões. Em 2026, a organização propõe que crianças e adolescentes participem das conversas sobre o futuro que desejam e sobre os direitos que precisam ser protegidos.


A Convenção estabelece princípios como não discriminação, prioridade ao melhor interesse da criança, direito à vida e ao desenvolvimento e direito de ser ouvida. No Brasil, o documento foi ratificado em 1990.


O melhor presente pode não caber em uma caixa


O mercado mostra que brinquedos continuam sendo protagonistas do Dia das Crianças, mas os dados também revelam uma infância cada vez mais diversificada. Jogos, esportes, construção, livros, tecnologia e experiências ocupam espaços diferentes conforme a idade e os interesses de cada criança.


Para os pais, avós, tios e padrinhos, talvez a melhor regra seja menos complicada do que parece: não escolher o presente apenas pela idade, mas pela criança. Um jogo pode ser perfeito para uma criança de oito anos e desinteressante para outra da mesma idade; uma bicicleta pode significar liberdade para uma e não despertar nenhuma empolgação em outra.


O presente também pode ser uma oportunidade de convivência. Um jogo para toda a família, uma bicicleta para um passeio, um livro para ser lido junto ou uma experiência cultural podem transformar uma compra de poucas horas em uma memória que permanece por muitos anos.


No Brasil, o 12 de outubro acabou se tornando uma grande data comercial. Em outras partes do mundo, a infância é celebrada em dias diferentes e com objetivos distintos. A comparação deixa uma mensagem comum: mais importante do que o preço do presente é garantir às crianças tempo, proteção, oportunidade de brincar, aprender, participar e serem ouvidas.


Edição: Marcos Paulo Assis

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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