Toda criança fica doente, mas quando é hora de investigar a imunidade?
- hashtagcuritiba
- há 8 horas
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Infecções respiratórias são comuns na infância, principalmente após a entrada na escola, mas episódios graves ou recorrentes podem indicar a necessidade de avaliação médica

Nariz escorrendo, tosse, febre e mais uma consulta com o pediatra. Para muitas famílias com crianças pequenas, a sensação é de que um resfriado mal termina e outro já começa.
A situação costuma ficar ainda mais frequente quando a criança passa a frequentar creches e escolas, aumentando o contato diário com outras pessoas. Mas quando esse quadro faz parte do desenvolvimento esperado da infância e quando o famoso “vive gripado” merece uma investigação mais detalhada?
A pediatra da Hapvida Gorete Garcia explica que infecções respiratórias recorrentes nem sempre significam baixa imunidade. Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está amadurecendo e entrando em contato com diferentes agentes infecciosos.
Por isso, crianças pequenas podem apresentar vários episódios de resfriado ao longo do ano, especialmente quando convivem diariamente com outras crianças.
“É muito comum os pais chegarem ao consultório preocupados porque a criança parece estar sempre resfriada. Muitas vezes, o que acontece é uma sequência de infecções virais diferentes. A frequência é aumentada principalmente após a criança começar a frequentar a escola. É preciso observar não apenas quantas vezes a criança adoece, mas a intensidade das infecções, como ela se recupera e como está seu crescimento e desenvolvimento”, explica Gorete.
Crianças podem ter vários resfriados ao longo do ano
De acordo com uma publicação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças podem apresentar, em média, de quatro a oito infecções respiratórias por ano. A quantidade pode chegar a dez ou doze episódios entre aquelas que frequentam creches e pré-escolas ou convivem com irmãos mais velhos.
A entidade também aponta que aproximadamente metade das crianças com infecções respiratórias recorrentes pode ser saudável e não apresentar uma doença de base. Outras podem ter alergias ou condições crônicas, enquanto uma parcela menor necessita de investigação para possíveis alterações do sistema imunológico. As informações constam em material técnico da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Por que quem entra na escola costuma adoecer mais?
A explicação está principalmente no aumento da exposição. Na creche ou na escola, a criança passa várias horas em contato próximo com outras crianças, compartilha ambientes e objetos e encontra uma variedade maior de vírus e outros agentes infecciosos.
Isso ajuda a explicar por que os episódios respiratórios podem parecer quase contínuos em determinadas fases. Um resfriado pode durar alguns dias e, pouco depois da recuperação, uma nova infecção pode surgir.
A frequência, isoladamente, não é suficiente para diagnosticar uma alteração no sistema de defesa do organismo.
“A criança está construindo sua memória imunológica ao longo dos primeiros anos. Quando entra em um ambiente coletivo, essa exposição aumenta bastante. Por isso, ter várias viroses não significa automaticamente ter uma imunodeficiência”, explica a pediatra.
Quando o “vive gripado” merece atenção?
Mais importante do que apenas contar os episódios é observar como as doenças se apresentam, quanto tempo duram, como respondem ao tratamento e se interferem no crescimento e no desenvolvimento da criança.
Infecções muito graves, difíceis de tratar, persistentes ou que surgem repetidamente podem justificar uma avaliação mais aprofundada.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
pneumonias recorrentes;
infecções frequentes de ouvido ou dos seios da face;
necessidade frequente ou prolongada de antibióticos;
infecções incomuns ou persistentes;
dificuldade para ganhar peso ou perda de peso;
internações repetidas;
demora para responder ao tratamento;
histórico familiar de imunodeficiência;
infecções que não respondem ao tratamento esperado.
A Sociedade Brasileira de Pediatria considera sinais de alerta situações como duas ou mais pneumonias no período de um ano, quatro ou mais otites no mesmo intervalo e necessidade de antibióticos intravenosos para eliminar uma infecção. A lista completa está disponível no material da SBP sobre imunodeficiências primárias.
“Quando temos uma criança que apresenta infecções de maior gravidade, precisa ser internada repetidamente, demora muito para responder ao tratamento ou não apresenta crescimento adequado, precisamos olhar para esse quadro de forma diferente. Nesses casos, o pediatra avalia o histórico e pode indicar exames ou encaminhamento para um especialista”, afirma Gorete.
É preciso pedir exames sempre que a criança adoece?
Não. Uma sequência de resfriados comuns em uma criança que cresce adequadamente, recupera-se bem entre os episódios e não apresenta infecções graves geralmente não é, por si só, indicação de uma extensa investigação imunológica.
A decisão de solicitar exames depende da história clínica, do tipo e da frequência das infecções, da resposta aos tratamentos e de outros sinais observados pelo pediatra.
“O exame não deve ser pedido apenas porque a criança teve várias viroses. Primeiro precisamos entender o contexto. Se existem sinais de alerta, aí sim podemos iniciar uma investigação e, quando necessário, encaminhar para um imunologista pediátrico”, reforça a médica.
Organizações médicas também apontam infecções recorrentes, incomuns ou difíceis de tratar, baixo crescimento, pneumonias repetidas e necessidade de vários tratamentos com antibióticos entre os sinais que podem justificar investigação. A orientação é da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia.
Existe alimento que aumenta a imunidade?
Outro ponto que costuma gerar dúvidas é a busca por alimentos, vitaminas ou suplementos capazes de impedir que a criança fique doente.
Não existe um único alimento que funcione como um reforço imediato para o sistema imunológico. O que contribui para o funcionamento adequado do organismo é uma alimentação variada e equilibrada, com oferta adequada de nutrientes.
“Não existe um alimento milagroso para imunidade. O que funciona é o conjunto: uma alimentação adequada para a idade, sono de qualidade, atividade física, vacinação e acompanhamento da saúde da criança”, destaca Gorete.
O mesmo cuidado vale para vitaminas e suplementos. O uso sem orientação médica não deve substituir a avaliação da alimentação ou de uma possível deficiência nutricional.
“Suplementar sem necessidade não significa deixar a criança mais protegida. Vitaminas devem ser indicadas de acordo com a idade, a alimentação e as necessidades identificadas pelo profissional que acompanha aquela criança”, orienta.
Vacinação e prevenção fazem diferença
Manter a vacinação atualizada é uma das principais medidas para proteger as crianças contra doenças infecciosas e suas complicações.
Medidas simples de higiene também ajudam a diminuir a transmissão de vírus respiratórios:
lavar as mãos regularmente;
ensinar a criança a cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
evitar compartilhar copos e utensílios;
manter os ambientes ventilados;
respeitar o período de recuperação quando a criança estiver doente.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a higienização frequente das mãos e a chamada etiqueta respiratória, com proteção da boca e do nariz ao tossir ou espirrar, para reduzir a transmissão de agentes infecciosos. Veja as orientações da OMS.
Sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física apropriada para a idade também devem fazer parte de uma rotina saudável.
A recuperação da criança também precisa ser observada
Para Gorete Garcia, mais importante do que tentar impedir qualquer doença é acompanhar a saúde da criança como um todo.
“Ficar doente algumas vezes faz parte da infância e não significa necessariamente que exista um problema de imunidade. O alerta aparece quando as infecções fogem do padrão esperado, seja pela gravidade, pela dificuldade de tratamento ou por outros sinais associados. O acompanhamento regular com o pediatra é importante justamente para diferenciar uma situação comum de outra que precisa ser investigada.”
Diante da sensação de que a criança “vive gripada”, o número de episódios representa apenas uma parte da história. Como ela adoece, como se recupera e como cresce entre uma infecção e outra são informações fundamentais para determinar quando a situação está dentro do esperado e quando é necessário investigar.
Fonte principal: material de divulgação da Hapvida, com informações da pediatra Gorete Garcia. Conteúdo complementar: Sociedade Brasileira de Pediatria, Organização Mundial da Saúde e Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia. As orientações são informativas e não substituem a avaliação individual de um pediatra.



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