Como a tecnologia apagou das cidades do Paraná três negócios que pareciam eternos
- Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
- há 7 horas
- 3 min de leitura
Durante décadas, videolocadoras, lan houses e bancas de revistas foram parte da rotina dos paranaenses. A transformação digital mudou hábitos, fechou milhares de estabelecimentos e deixou uma forte sensação de nostalgia em quem viveu aquela época.

Durante décadas, era impossível caminhar por qualquer cidade do Paraná sem encontrar uma videolocadora movimentada, uma banca de revistas repleta de publicações ou uma lan house cheia de jovens disputando partidas em rede. Esses estabelecimentos fizeram parte da rotina de milhões de pessoas e ajudaram a moldar hábitos de consumo, lazer e informação. Hoje, porém, restam apenas lembranças de um período que parecia permanente, mas que foi rapidamente transformado pela tecnologia.
A história dessas atividades revela como a inovação pode criar mercados inteiros e, ao mesmo tempo, torná-los obsoletos em poucos anos.
As videolocadoras que dominaram os bairros
Nos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000, as videolocadoras eram pontos de encontro das famílias. O ritual de escolher um filme para assistir no fim de semana fazia parte da cultura brasileira.
Em cidades como Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa, centenas de locadoras ocupavam espaços comerciais de bairro. Algumas chegavam a reunir milhares de fitas VHS e, posteriormente, DVDs.
O sucesso parecia garantido até a chegada da internet de alta velocidade, da TV por assinatura digital e, principalmente, das plataformas de streaming. Em poucos anos, serviços como a locação física se tornaram menos atrativos diante da possibilidade de assistir filmes e séries instantaneamente em casa.
Hoje, algumas poucas locadoras sobrevivem como acervos especializados, voltados para colecionadores e apaixonados pelo cinema, mas a atividade praticamente desapareceu do cenário comercial paranaense.
Lan houses: os templos da internet dos anos 2000
Se as videolocadoras marcaram uma geração, as lan houses definiram outra.
No início dos anos 2000, elas representavam a principal porta de entrada para a internet. Muitas famílias ainda não possuíam computador em casa, e o acesso à rede mundial dependia desses estabelecimentos.
Além da navegação, as lan houses ofereciam impressão de documentos, pesquisas escolares, acesso a e-mails e jogos online. Títulos como Counter-Strike, Warcraft, Tibia e Ragnarok atraíam multidões de adolescentes.
Em cidades pequenas do interior do Paraná, elas também desempenharam um papel importante na inclusão digital.
A queda começou com a popularização dos computadores domésticos, seguida pela explosão dos smartphones e dos planos de internet móvel. O que antes exigia uma visita à lan house passou a caber no bolso.
Hoje, poucas ainda operam, geralmente voltadas para jogos eletrônicos profissionais ou serviços específicos de informática.
O declínio silencioso das bancas de revistas
As bancas de revistas talvez sejam o exemplo mais visível dessa transformação.
Por décadas, elas foram centros de informação e cultura. Jornais, revistas semanais, palavras cruzadas, gibis e coleções especiais faziam parte do cotidiano dos paranaenses.
Em Curitiba, as bancas chegaram a ser verdadeiros pontos de referência urbana. Muitas funcionavam como pequenos centros de convivência, onde clientes conversavam sobre política, esportes e acontecimentos da cidade.
Com o avanço dos portais de notícias, redes sociais e aplicativos de leitura digital, a circulação de jornais impressos e revistas sofreu uma redução histórica.
A mudança de comportamento do consumidor afetou diretamente o setor. Muitas bancas fecharam as portas, enquanto outras precisaram se reinventar vendendo conveniências, bebidas, presentes, recargas e serviços diversos.
A tecnologia mudou mais do que os negócios
O desaparecimento desses estabelecimentos não representa apenas uma mudança econômica.
Videolocadoras, lan houses e bancas de revistas eram espaços de convivência social. Neles surgiam amizades, debates, descobertas culturais e experiências compartilhadas.
A transformação digital trouxe benefícios inegáveis, como acesso instantâneo à informação, entretenimento sob demanda e conectividade permanente. Porém, também reduziu alguns dos encontros presenciais que faziam parte da vida urbana.
A nostalgia associada a esses negócios demonstra que eles ofereciam algo além de produtos e serviços: criavam experiências coletivas.
O que ficou dessa época
Embora tenham praticamente desaparecido, videolocadoras, lan houses e bancas de revistas continuam vivas na memória de quem cresceu entre as décadas de 1980 e 2000.
Para muitos paranaenses, escolher um filme na sexta-feira à noite, passar horas jogando com amigos em uma lan house ou esperar a chegada da revista favorita na banca da esquina são lembranças que ajudam a contar a história recente das cidades.
Mais do que estabelecimentos comerciais, esses negócios foram símbolos de uma época em que a tecnologia ainda não cabia na palma da mão e a experiência do consumo dependia do encontro entre pessoas.
Fontes
Associação Nacional de Jornais (dados históricos sobre circulação de jornais e transformação do mercado editorial)
Acervos históricos de jornais do Paraná e registros do comércio local.