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Quando o jornalismo abandona a Língua Portuguesa para “falar a língua da internet”

  • Foto do escritor: Da Redação com Assessoria
    Da Redação com Assessoria
  • há 57 minutos
  • 2 min de leitura
Quando o jornalismo abandona a Língua Portuguesa para “falar a língua da internet”

O papel do jornalismo sempre foi informar, esclarecer e, de certa forma, educar a população. A televisão aberta, especialmente os telejornais, durante décadas ajudou milhões de brasileiros a aprender pronúncia, ampliar vocabulário e desenvolver uma comunicação mais clara. Hoje, porém, parte da imprensa parece ter escolhido outro caminho: o da informalidade exagerada, das gírias da internet e da banalização da linguagem.


Expressões como “bora”, “sextou”, “partiu”, “tamo junto”, “vem com a gente” e outras adaptações típicas de redes sociais passaram a ocupar espaço até mesmo em programas jornalísticos. O problema não está apenas no uso eventual de uma linguagem leve ou descontraída. O problema surge quando o telejornal abandona o compromisso com a comunicação correta para tentar parecer “descolado” a qualquer custo.


Emissoras regionais e nacionais vêm adotando esse estilo em busca de aproximação com o público mais jovem e de maior engajamento digital. No Paraná, telespectadores frequentemente criticam o excesso desse tipo de linguagem em programas ligados à RPC, afiliada da Grupo Globo. Para muitos, a impressão é de que o jornalismo deixou de lado a sobriedade para incorporar um tom quase adolescente.


Existe uma diferença importante entre comunicação acessível e empobrecimento da linguagem. O jornalista pode — e deve — ser claro sem precisar recorrer a bordões da moda. A televisão continua sendo uma referência cultural e educacional para milhões de brasileiros. Em muitas famílias, principalmente nas regiões mais carentes, o telejornal ainda é uma das principais fontes de contato diário com a norma culta da língua portuguesa.

Quando apresentadores trocam expressões corretas por modismos passageiros, a emissora ajuda a consolidar erros e vícios linguísticos como se fossem naturais ou desejáveis. A consequência disso vai além da estética: influencia crianças, adolescentes e até adultos que enxergam na televisão um padrão de comunicação.


Outro ponto preocupante é a descaracterização do próprio jornalismo. Notícias sobre economia, segurança pública, saúde ou tragédias humanas muitas vezes são anunciadas com um tom informal demais, quase como se fossem conteúdos de entretenimento para redes sociais. A busca incessante por audiência e viralização parece ter contaminado até os ambientes que deveriam preservar seriedade e credibilidade.


Defensores desse novo estilo afirmam que a linguagem precisa acompanhar a evolução da sociedade. Isso é verdade em parte. A língua é viva e muda constantemente. Mas existe uma diferença entre evolução linguística natural e a adoção artificial de gírias para parecer moderno. Nem toda tendência da internet precisa virar padrão na televisão.


O jornalismo televisivo brasileiro construiu sua credibilidade justamente pela clareza, pela boa dicção e pelo respeito ao idioma. Ao trocar isso por expressões como “sextou” em chamadas jornalísticas, algumas emissoras acabam transmitindo uma sensação de superficialidade incompatível com a função social da imprensa.


Modernizar a comunicação é válido. Abandonar a qualidade da linguagem, não.

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