Bigorrilho é apontado como o bairro mais caminhável de Curitiba
- Editor Paranashop

- há 5 horas
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A possibilidade de resolver boa parte da rotina sem depender do carro ganhou peso na escolha de onde morar nas grandes cidades. Em Curitiba, um novo levantamento colocou o Bigorrilho no topo desse debate: o bairro alcançou 97,1 pontos no Índice CWB de Caminhabilidade, elaborado pela plataforma Valor CWB, e foi apontado como o mais caminhável da capital paranaense.

O estudo avaliou os 75 bairros de Curitiba a partir de critérios relacionados ao acesso a comércio, serviços, transporte público e equipamentos urbanos. A proposta é medir o quanto o morador consegue realizar atividades cotidianas a pé, reduzindo a necessidade de deslocamentos motorizados.
No Bigorrilho, a combinação entre oferta de serviços essenciais, comércio de bairro, transporte público e proximidade com áreas de lazer foi determinante para a pontuação. Segundo o levantamento, praticamente toda a região conta com cobertura de transporte público em um raio de até 500 metros.
O que faz do Bigorrilho um bairro caminhável
O bairro reúne mercados, farmácias, restaurantes, escolas, academias, serviços de saúde, comércio e opções de lazer em distâncias relativamente curtas. A proximidade com o Parque Barigui também amplia a presença de áreas de convivência e atividades ao ar livre.
Outro ponto citado é a malha viária consolidada e a presença de linhas de transporte coletivo que conectam a região a diferentes áreas da cidade. Na prática, essa estrutura favorece uma rotina em que parte dos deslocamentos pode ser feita caminhando e o automóvel deixa de ser necessário para todas as tarefas do dia.
A ideia da “Cidade de 15 Minutos”
O resultado também se aproxima do conceito urbanístico conhecido como “Cidade de 15 Minutos”, popularizado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno. A proposta defende cidades em que moradia, trabalho, comércio, saúde, educação e lazer estejam acessíveis em cerca de 15 minutos a pé ou de bicicleta.
Em Curitiba, bairros consolidados como o Bigorrilho apresentam parte dessas características por já contarem com uma rede diversificada de serviços, transporte e infraestrutura urbana. O conceito tem ganhado espaço no mercado imobiliário justamente porque localização e tempo de deslocamento passaram a influenciar de forma mais direta a decisão de compra ou aluguel.
Caminhabilidade também entra no planejamento dos novos imóveis
A mudança no comportamento dos moradores também vem sendo observada pelas incorporadoras. A GT Building, que possui empreendimentos no Bigorrilho e Champagnat, afirma considerar a integração com o entorno e a mobilidade ativa no desenvolvimento de projetos como OÁS, Casa Milano e Amáz.
Entre as soluções citadas pela empresa estão bicicletários, espaços de coworking, centrais para recebimento de encomendas e áreas que buscam aproximar os edifícios da vida urbana. Para a incorporadora, o consumidor passou a avaliar não apenas a área privativa do imóvel, mas também a conveniência do entorno e o tempo economizado nos deslocamentos.
Marcelo Fassina, diretor de operações da GT Building, afirma que a possibilidade de fazer atividades a pé se tornou parte do valor percebido de um imóvel. A empresa relaciona esse movimento à criação de fachadas mais integradas à rua e estruturas voltadas a moradores que utilizam menos o carro no cotidiano.
Economia e impacto ambiental
Outro estudo citado no material, produzido pela Forte Desenvolvimento Sustentável a pedido da GT Building, estimou os efeitos econômicos e ambientais de uma rotina com menos deslocamentos de carro. O empreendimento OÁS Barigui recebeu 96 pontos em 100 no índice Walk Score, classificação descrita como “Paraíso dos Pedestres”.
De acordo com esse estudo contratado pela incorporadora, a substituição de parte dos deslocamentos de automóvel por caminhadas poderia representar uma economia estimada de 528 litros de gasolina por morador ao ano, equivalente a mais de R$ 3,4 mil anuais em combustível, além da redução de emissões associadas aos trajetos de carro.
Os números devem ser entendidos como estimativas ligadas ao perfil de deslocamento considerado pelo estudo, mas ajudam a mostrar por que a caminhabilidade deixou de ser apenas uma questão urbanística e passou a ser relacionada também a custo de vida, sustentabilidade e qualidade de vida.

Mobilidade passa a pesar na escolha do bairro
A liderança do Bigorrilho no Índice CWB reforça uma tendência observada nas cidades: quanto mais serviços estão disponíveis perto de casa, menor tende a ser a dependência do automóvel para tarefas rotineiras. Para moradores, isso pode significar menos tempo no trânsito e maior possibilidade de incorporar deslocamentos a pé à rotina.
O Índice CWB de Caminhabilidade está disponível na plataforma Valor CWB e apresenta a avaliação dos 75 bairros de Curitiba. O levantamento considera a facilidade de acesso a serviços e estruturas urbanas como um dos elementos centrais para medir a experiência de caminhar pela cidade.



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