Alta miopia aumenta risco de doenças oculares graves
- Editor Paranashop

- há 7 horas
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Descolamento de retina, glaucoma e catarata precoce estão entre as alterações associadas aos graus elevados, que exigem monitoramento contínuo, alerta oftalmologista.

Quem usa óculos para enxergar melhor placas de trânsito, assistir televisão ou reconhecer pessoas à distância costuma associar a miopia apenas à dificuldade para ver de longe. No entanto, quando o grau é elevado, o problema exige atenção redobrada.
Conhecida como alta miopia, essa condição pode favorecer o desenvolvimento de doenças oculares graves e, em alguns casos, levar à perda permanente da visão se não houver diagnóstico precoce e acompanhamento especializado.
Como a alta miopia é classificada
A miopia é um erro de refração que faz com que as imagens se formem antes da retina, dificultando a visão de objetos distantes. De acordo com o Dr. Rafael Arruda, médico oftalmologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, o quadro é classificado conforme o grau apresentado pelo paciente.
“De forma geral, consideramos miopia baixa até três graus, moderada entre três e seis graus e alta acima de seis graus. Existem ainda os casos de miopia patológica, normalmente acima de dez graus, em que o aumento do grau pode continuar ao longo da vida. Nesses pacientes, o globo ocular é mais alongado do que o normal, e esse crescimento torna as estruturas internas do olho mais frágeis”, explica.
Segundo o especialista, é justamente esse alongamento que faz da alta miopia um fator de risco para outras alterações oftalmológicas. “O problema deixa de ser apenas a necessidade de usar óculos. O olho mais comprido favorece o afinamento da retina e de outras camadas oculares, aumentando a chance de complicações que podem comprometer a visão”, comenta.
Genética e hábitos podem influenciar
A evolução da miopia costuma ser influenciada por fatores genéticos, mas hábitos do dia a dia também desempenham papel importante, principalmente durante a infância. Crianças que desenvolvem miopia muito cedo têm maior probabilidade de apresentar graus elevados na vida adulta, especialmente quando há histórico familiar.
“O componente genético é um dos principais fatores de risco, mas o ambiente também interfere. Passar muito tempo em atividades de perto, como celular, computador e leitura, principalmente mantendo os objetos muito próximos do rosto, pode favorecer a progressão da miopia. Por outro lado, estimular brincadeiras e atividades ao ar livre por duas ou três horas diariamente ajuda a reduzir esse avanço”, orienta.
Atualmente existem estratégias capazes de retardar a progressão, sobretudo entre crianças e adolescentes. Entre as possibilidades estão lentes de óculos desenvolvidas para o controle da miopia, lentes de contato especiais e colírios à base de atropina, indicados em situações específicas.
O tratamento deve ser individualizado e acompanhado pelo médico oftalmologista, com consultas periódicas para avaliar a evolução de cada paciente.
Complicações e sinais de alerta
Entre as complicações mais frequentes da alta miopia está o descolamento de retina, considerado uma emergência oftalmológica. Pessoas com graus elevados também apresentam maior risco de desenvolver glaucoma, catarata precoce e alterações na mácula, região responsável pela visão central e pelos detalhes das imagens.
“Como a retina fica mais fina e mais vulnerável, pequenos rasgos podem surgir e evoluir para um descolamento. Além disso, o risco de glaucoma, catarata em idade mais precoce e doenças da mácula também é maior. Por isso, pacientes com alta miopia precisam de acompanhamento constante, mesmo quando enxergam bem com os óculos”, ressalta.
O aparecimento repentino de muitas manchas escuras na visão, conhecidas como moscas volantes, acompanhado por flashes de luz, exige avaliação urgente. Outro sinal importante é a sensação de uma cortina escurecendo parte do campo visual ou uma perda súbita da capacidade de enxergar.
Esses sinais podem indicar descolamento de retina e, quanto mais cedo a cirurgia for realizada, maiores são as chances de preservar a visão.
Cuidados durante a infância
Durante a infância e a adolescência, os cuidados devem ser ainda mais rigorosos, já que é nesse período que o grau costuma evoluir com maior rapidez. Além das consultas regulares, a recomendação é limitar o tempo excessivo de telas, evitar aproximar livros e celulares demais do rosto e incentivar momentos ao ar livre.
Dependendo da evolução da miopia, o ideal é realizar consultas a cada seis meses. Mesmo nos casos mais estáveis, o intervalo não deve ultrapassar um ano. Nessas avaliações, além de medir o grau, é importante verificar a pressão ocular, realizar o mapeamento da retina e outros exames capazes de identificar alterações antes do surgimento dos sintomas.
Para o Dr. Rafael Arruda, a principal mensagem é que a miopia não deve ser encarada apenas como um problema de grau. “A alta miopia pode aumentar significativamente o risco de doenças que ameaçam a visão, mas muitas dessas complicações podem ser prevenidas ou tratadas quando identificadas precocemente. O diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a atenção aos sinais de alerta são as melhores formas de preservar a saúde dos olhos ao longo da vida”, finaliza.



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