Shoppings ainda são fortes ou perderam espaço para os marketplaces?
- Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
- há 5 horas
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Centros comerciais de Curitiba e Maringá apostam em experiência, serviços e entretenimento para enfrentar o avanço do comércio digital

Durante anos, especialistas previram que os marketplaces e o comércio eletrônico acabariam reduzindo drasticamente a relevância dos shopping centers. A popularização de plataformas digitais, entregas rápidas e compras feitas pelo celular parecia indicar um futuro difícil para os grandes centros comerciais. Mas a realidade observada em 2026 mostra um cenário mais complexo.
Os marketplaces cresceram de forma acelerada e conquistaram parte significativa das vendas do varejo. Mesmo assim, os shoppings continuam atraindo milhões de consumidores e registrando faturamentos recordes no Brasil. O setor movimentou mais de R$ 200 bilhões em 2025, com cerca de 471 milhões de visitantes mensais, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
O consumidor mudou
A principal transformação não aconteceu nos prédios, mas no comportamento do consumidor.
Se antes o shopping era visto principalmente como local de compras, hoje ele funciona como um espaço de convivência, lazer, gastronomia, entretenimento e prestação de serviços. O consumidor pode assistir a um filme, resolver questões bancárias, consultar um médico, frequentar academias, participar de eventos e, eventualmente, fazer compras.
Essa mudança ajudou os centros comerciais a resistirem à concorrência dos marketplaces. Enquanto a internet oferece praticidade e preços competitivos, os shoppings apostam na experiência presencial, algo que o ambiente digital ainda não consegue reproduzir integralmente.
Curitiba aposta em experiências
Em Curitiba, os principais empreendimentos vêm ampliando áreas de lazer, gastronomia e eventos para manter o fluxo de visitantes.
Empreendimentos como o Shopping Estação reforçaram ao longo dos anos a combinação entre comércio, cultura e entretenimento. Outros centros comerciais da capital investem em festivais gastronômicos, atrações infantis, feiras temáticas e espaços voltados à convivência familiar.
Além disso, muitos lojistas passaram a trabalhar em um modelo híbrido. O cliente vê o produto pela internet, mas prefere experimentar, retirar ou trocar a mercadoria presencialmente no shopping.
Maringá acompanha a tendência
Em Maringá, a estratégia é semelhante. Os grandes centros comerciais da cidade ampliaram a oferta de restaurantes, cafeterias, academias e serviços especializados.
A cidade, que possui forte influência regional e atrai consumidores de municípios vizinhos, utiliza os shoppings como polos de conveniência e lazer. O objetivo é transformar a visita em uma experiência completa, reduzindo a dependência exclusiva das vendas de produtos físicos.
Marketplaces venceram?
A resposta é não.
Os marketplaces conquistaram uma fatia importante do varejo, especialmente em categorias como eletrônicos, moda básica e produtos de reposição. Porém, os shoppings encontraram novas formas de gerar valor.
Hoje, muitos centros comerciais atuam como mini-hubs logísticos para entregas rápidas, pontos de retirada de compras online e espaços de integração entre varejo físico e digital.
Em vez de uma disputa direta, o mercado caminha para a complementaridade. O consumidor compra online quando busca conveniência e visita o shopping quando procura experiência, lazer, gastronomia ou atendimento presencial.
O futuro dos centros comerciais
A tendência observada no Brasil acompanha movimentos internacionais. Os shopping centers que dependiam apenas da venda de produtos enfrentam dificuldades. Já aqueles que se reinventaram como centros de serviços, entretenimento e convivência continuam crescendo.
Os números mostram que o setor permanece forte. Em 2025, os shopping centers brasileiros registraram novo recorde de faturamento e mantiveram elevados índices de ocupação e fluxo de visitantes.
Para Curitiba, Maringá e outras cidades paranaenses, o desafio dos próximos anos será continuar transformando os shoppings em destinos urbanos capazes de oferecer algo que nenhuma tela de celular consegue entregar: experiências reais.