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Senado no Paraná terá duas vagas em disputa e pode mudar três nomes

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
há 1 hora
7 min de leitura

 Arns e Oriovisto deixam o Senado, enquanto Moro disputa o governo. Resultado pode alterar profundamente a bancada paranaense em Brasília.


Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.
Ilustração editorial criada com Inteligência Artificial (ChatGPT/OpenAI), produção exclusiva para o Paranashop.

A eleição para o Senado no Paraná ganhou uma variável que pode alterar completamente a composição da bancada estadual em Brasília. Duas cadeiras estarão oficialmente em disputa em 4 de outubro, mas uma terceira poderá mudar de mãos em janeiro de 2027: Sergio Moro, atual senador com mandato até 2031, concorre ao governo do Paraná e, se for eleito e deixar o Senado para assumir o Palácio Iguaçu, será substituído pelo primeiro suplente, Luis Felipe Cunha.


As duas vagas abertas pertencem aos senadores Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, que não disputam a reeleição. A corrida reúne nove candidatos, com Deltan Dallagnol, Alexandre Curi, Felipe Barros e Gleisi Hoffmann entre os nomes mais competitivos nos levantamentos recentes. Cristina Graeml também aparece próxima do grupo da frente.

O desenho final da bancada paranaense poderá, portanto, depender de duas eleições diferentes. Primeiro, das duas vagas que serão preenchidas diretamente pelo eleitor. Depois, do resultado da disputa pelo governo estadual, que poderá determinar se Moro permanece no Senado ou abre espaço para seu suplente.


Duas vagas serão decididas em outubro


O eleitor paranaense terá dois votos para senador neste ano. Os dois candidatos mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos, sem segundo turno para o Senado. A regra decorre do fato de que, em 2026, cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores.


No Paraná, os candidatos oficialmente registrados são Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Dr. Rosinha (PT), Felipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT), Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO).

A disputa é particularmente interessante porque o eleitor pode combinar seus dois votos. Não existe obrigação de escolher candidatos da mesma coligação ou do mesmo espectro político. Um eleitor pode votar, por exemplo, em um candidato de direita para uma cadeira e em um nome de centro para a outra.


Essa característica dificulta projeções baseadas exclusivamente na liderança individual. Um candidato pode ter uma votação expressiva entre eleitores muito identificados com seu projeto, mas enfrentar resistência para conquistar o segundo voto de pessoas que não pertencem ao seu grupo político.


Os levantamentos recentes confirmam uma corrida sem vencedor definido. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em setembro colocou Deltan Dallagnol com 19%, Alexandre Curi e Felipe Barros com 18% cada e Gleisi Hoffmann com 16%. Cristina Graeml apareceu com 14%.


O Paraná Pesquisas, realizado poucos dias antes, apresentou percentuais mais elevados, mas também mostrou Deltan, Curi, Gleisi e Felipe Barros no grupo de maior competitividade. A diferença entre os levantamentos reforça que a fotografia eleitoral pode mudar rapidamente na reta final.


Moro pode provocar uma terceira mudança na bancada


A eleição para o Senado não é a única variável relevante. Sergio Moro continua sendo senador e tem mandato até 31 de janeiro de 2031, mas está concorrendo ao governo do Paraná pelo PL. Sua candidatura foi registrada e consta como deferida em bases atualizadas da Justiça Eleitoral.


Se Moro vencer a eleição e assumir o governo, sua cadeira no Senado ficará disponível para o primeiro suplente da chapa eleita em 2022. O nome é Luis Felipe Cunha. O segundo suplente é Ricardo Augusto Guerra. A informação consta tanto do cadastro atual do Senado quanto do registro da eleição de 2022.


A situação merece atenção porque os suplentes não são escolhidos depois da eleição. Eles fazem parte da própria chapa do senador. Nas eleições de 2022, Moro foi eleito pelo então União Brasil, tendo Luis Felipe Cunha como primeiro suplente e Ricardo Guerra como segundo. A chapa permanece vinculada ao mandato conquistado naquele pleito.


A regra é objetiva: o primeiro suplente substitui o titular quando ocorre uma situação legal que exige o afastamento ou a vacância do cargo; o segundo suplente somente entra se o primeiro não puder assumir.


Isso cria um cenário pouco comum para o Paraná. Dependendo do resultado das urnas, o Estado poderá terminar 2026 com dois novos senadores eleitos diretamente e, alguns meses depois, assistir à substituição de Moro por Luis Felipe Cunha.


Na prática, a bancada que começará a nova legislatura poderá ser formada por dois senadores escolhidos em outubro e um terceiro nome que chegará ao cargo pela suplência, caso Moro assuma o governo estadual.


Quem disputa as duas cadeiras


Deltan Dallagnol entra na disputa com uma marca eleitoral construída na Operação Lava Jato e forte identificação com o eleitorado de direita. Sua candidatura também é acompanhada por uma questão jurídica: o TRE-PR aprovou seu registro por 4 votos a 3, mas a decisão pode ser objeto de recurso ao TSE.


Alexandre Curi representa uma candidatura de perfil mais ligado à política tradicional paranaense. Presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual desde 2003 e com experiência acumulada no Legislativo, aposta em estrutura política e capilaridade estadual. O cadastro do Senado registra Curi como presidente da Assembleia desde 2025.


Felipe Barros disputa espaço importante no eleitorado conservador. Deputado federal pelo PL, está na mesma chapa política que lançou Moro ao governo e Deltan Dallagnol ao Senado. A estratégia do grupo é preservar no Paraná uma representação alinhada ao campo político de direita.


Gleisi Hoffmann é o nome com maior dimensão nacional entre os concorrentes. Ex-senadora, ex-ministra da Casa Civil e atual deputada federal, ela retorna à disputa pelo Senado pelo PT depois de ter ocupado uma cadeira na Casa entre 2011 e 2019. O próprio Senado registra sua trajetória e sua condição de candidata em 2026.


Cristina Graeml, por sua vez, aparece como uma candidatura capaz de capturar parte do eleitorado de direita que não necessariamente está fechado com os nomes do PL ou do Novo. Sua presença pode ser decisiva para o cálculo do segundo voto.


O que muda se Lula continuar no Planalto


A composição da bancada paranaense poderá ganhar dimensão nacional caso Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito. Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, dois terços da Casa. O resultado nacional será determinante para saber se um eventual novo governo terá uma base parlamentar mais confortável ou precisará negociar intensamente com partidos de centro e oposição.


Uma eventual eleição de Gleisi colocaria no Senado uma das principais lideranças petistas do país e uma política com experiência direta na articulação entre Congresso e Executivo. Em um eventual governo Lula, sua atuação poderia aproximar a bancada paranaense do Palácio do Planalto.


Uma vitória de Deltan, Felipe Barros ou outro nome identificado com a oposição produziria cenário diferente. A bancada paranaense tenderia a ser mais crítica ao governo federal, especialmente em temas de segurança pública, Judiciário, política econômica e combate à corrupção.


Alexandre Curi poderia ocupar uma posição mais pragmática, dependendo do resultado das eleições para o governo estadual e da correlação de forças dentro do Congresso. A experiência acumulada na Assembleia Legislativa favorece uma atuação baseada também em negociação institucional.


A eventual saída de Moro acrescentaria outra variável. Se ele assumir o governo, Luis Felipe Cunha passará a representar no Senado a cadeira conquistada originalmente pela chapa de Moro. A composição ideológica da bancada dependerá, portanto, não apenas de quem ganhar as duas vagas, mas também de quem ocupar a terceira cadeira a partir de 2027.


Quanto ganha um senador


O subsídio mensal de um senador é atualmente de R$ 46.366,19. O valor corresponde ao teto constitucional do funcionalismo público e está em vigor desde fevereiro de 2025.

O cargo possui ainda uma estrutura de funcionamento que inclui servidores, gabinete, passagens e recursos destinados às atividades parlamentares. Esses valores não devem ser confundidos com salário pessoal do senador.


Existe também a possibilidade de utilização de imóvel funcional ou, observadas as regras do Senado, auxílio-moradia. A estrutura foi criada para permitir que o parlamentar exerça suas funções em Brasília e mantenha atividades de representação em seu Estado.

O mandato, entretanto, é o principal componente da disputa. Quem for eleito em outubro permanecerá no Senado por oito anos e poderá participar de decisões sobre legislação nacional, orçamento, fiscalização do Executivo, indicação de autoridades e questões que afetam diretamente estados e municípios.


O eleitor pode estar escolhendo mais do que duas cadeiras


A eleição paranaense tem uma característica que merece atenção: o eleitor poderá estar definindo não apenas os dois senadores eleitos em outubro, mas indiretamente também quem ocupará a terceira cadeira a partir de 2027.


Se Moro perder a disputa pelo governo, continuará no Senado e completará o mandato iniciado em 2023. Se vencer, a tendência é que deixe a Casa para assumir o governo estadual, abrindo caminho para seu primeiro suplente, Luis Felipe Cunha.


O cenário também mostra como as eleições majoritárias estão interligadas. O voto para governador pode produzir consequência na representação do Paraná em Brasília, assim como a eleição para o Senado ajudará a determinar o equilíbrio político do Estado diante do próximo governo federal.


Em Brasília, uma bancada de três senadores pode fazer diferença em votações importantes, especialmente quando o resultado nacional for apertado. Para o Paraná, a discussão não se resume a quem tem mais votos hoje. Trata-se de escolher quem terá oito anos para defender interesses do Estado e participar das decisões que definirão o rumo do país.


A pergunta que ficará para o eleitor é simples, mas a resposta não será: quem merece uma cadeira no Senado — e, diante da possibilidade de Moro deixar Brasília, quem o Paraná deseja que ocupe a terceira vaga?


Serviço eleitoral

Primeiro turno: 4 de outubro de 2026

Vagas para o Senado no Paraná: 2

Votos para senador: 2

Mandato: 8 anos

Eleitos: os dois candidatos mais votados

Terceira cadeira atual: Sergio Moro

Mandato de Moro: até 31 de janeiro de 2031

1º suplente de Moro: Luis Felipe Cunha

2º suplente: Ricardo Augusto Guerra

Se Moro assumir o governo: Luis Felipe Cunha é o primeiro nome da chapa para substituí-lo, observadas as regras legais de substituição.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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