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Curitiba vive semana de política, chuvas, saúde e obras

Foto do escritor: Marcos Paulo Assis
Marcos Paulo Assis
há 2 horas
6 min de leitura

Política nacional, pressão sobre o comércio, chuvas, saúde e grandes obras deram o tom de uma semana movimentada em Curitiba.


Curitiba vive semana de política, chuvas, saúde e obras

Curitiba terminou a semana no centro da disputa presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (12) de um comício na Boca Maldita, tradicional espaço político da capital, em uma demonstração de que o Paraná passou a integrar de maneira mais visível a estratégia eleitoral dos candidatos à Presidência. O ato começou pela manhã e reuniu também o candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho, e os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.


A presença de Lula tem significado que ultrapassa o evento partidário. O Paraná é um Estado no qual a esquerda enfrenta uma disputa eleitoral particularmente difícil, enquanto Curitiba representa um dos principais centros políticos e econômicos da região Sul. A passagem do presidente pela cidade, portanto, funciona simultaneamente como ato de campanha nacional e teste de mobilização para seus aliados locais. A imprensa internacional também registrou a visita como parte da estratégia de Lula para enfrentar a vantagem do campo bolsonarista no Sul.


A escolha da Boca Maldita acrescenta um componente simbólico. O espaço está associado à história política de Curitiba e já recebeu grandes manifestações eleitorais e democráticas. Desta vez, entretanto, a campanha trouxe uma consequência prática que provocou reação imediata de comerciantes.


Tapumes provocam reação de comerciantes do Centro


A instalação de tapumes na Rua XV de Novembro, nas proximidades da Boca Maldita, provocou reclamações de empresários, trabalhadores e frequentadores da região. A estrutura foi relacionada à operação de segurança do evento presidencial, e a Prefeitura informou que a instalação foi determinada e executada no âmbito da operação coordenada pela Polícia Federal.


O episódio ganhou uma dimensão política porque surgiram versões diferentes sobre o grau de comunicação entre os órgãos públicos. Enquanto a Prefeitura afirmou não ter participado da instalação nem recebido comunicação prévia sobre a decisão, o advogado que representa a federação partidária responsável pela candidatura de Lula contestou essa versão e disse que Prefeitura, Polícia Federal, TRE, Secretaria de Segurança Pública e Setran haviam sido notificadas sobre o evento e pedidos de bloqueio viário.


A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas levou a questão à Justiça Federal. A entidade entrou com mandado de segurança coletivo e pedido de liminar, alegando que as estruturas dificultavam o acesso aos estabelecimentos e poderiam provocar prejuízos econômicos.


A discussão merece atenção justamente porque não se trata de escolher entre segurança presidencial e atividade econômica. As duas necessidades são legítimas. O problema está no planejamento: eventos políticos de grande porte precisam ser organizados com antecedência suficiente para que comerciantes, moradores, trabalhadores, transporte e trânsito saibam como a área será afetada.


Curitiba tem experiência para fazer isso. Uma cidade acostumada a receber manifestações, grandes eventos esportivos, culturais e políticos deveria buscar um protocolo que reduza ao mínimo o impacto sobre quem depende diariamente das ruas para trabalhar.


Saúde tenta atacar uma das filas mais sensíveis do SUS


Enquanto a política ocupava o Centro, a Prefeitura apresentou uma medida com impacto direto sobre milhares de pessoas que aguardam atendimento especializado. O programa +Saúde -Espera, lançado na quarta-feira (9), começou pela Ortopedia e prevê mutirões de cirurgias no Hospital do Trabalhador durante a noite e aos fins de semana.


A previsão anunciada é encaminhar mais de 300 pacientes por mês do SUS Curitibano ao hospital e realizar mais de mil cirurgias ortopédicas até o final do ano. A iniciativa contempla procedimentos em áreas como coluna, joelho, quadril, mão, ombro, cotovelo, pé e tornozelo.


O programa chega depois de uma redução expressiva em diversas filas de consultas e exames especializados. Segundo os números divulgados pela Prefeitura, a fila de Oftalmologia caiu de 47.780 pacientes em janeiro de 2025 para 557 em setembro de 2026. Na Dermatologia, a redução informada foi de 13.652 para 2.078 pacientes, enquanto a fila de Ultrassonografia caiu de 31.518 para 8.860.


Os números são expressivos, mas precisam ser acompanhados de perto. Reduzir uma fila é diferente de eliminar o problema estrutural que a produz. A avaliação mais importante será saber se o aumento da oferta consegue acompanhar a entrada de novos pacientes e impedir que a demanda volte a crescer depois dos mutirões.


Chuvas testam obras de prevenção


A chuva também teve papel relevante na semana. Diante dos volumes registrados nos últimos dias, a Prefeitura apresentou um balanço das medidas de prevenção contra alagamentos e informou manter R$ 273 milhões em obras e ações de macrodrenagem dentro do programa PRO Curitiba.


Entre as ações mencionadas estão a limpeza e o desassoreamento de 106,7 quilômetros de rios, além de aproximadamente 350 intervenções nos cursos d'água desde o início das ações. A estratégia procura aumentar a capacidade de resposta da cidade diante de episódios de chuva intensa.


A questão, entretanto, não pode ser reduzida ao volume de dinheiro investido. Obras de drenagem são avaliadas pelo resultado: pontos historicamente problemáticos precisam deixar de registrar alagamentos ou apresentar redução significativa dos impactos.


O desafio tende a aumentar. Eventos climáticos extremos pressionam a infraestrutura das cidades e exigem planejamento permanente, manutenção e integração entre obras, defesa civil, ocupação urbana e preservação ambiental.


Mobilidade muda a rotina de quem atravessa a cidade


O trânsito curitibano também sofreu alterações durante a semana. Obras do Novo Inter 2 provocaram bloqueio total de um trecho da Avenida Presidente Arthur Bernardes, no sentido Portão, a partir de 9 de setembro. A previsão inicial é de aproximadamente 30 dias de intervenção para execução das etapas de pavimentação.


Na Avenida República Argentina, no Portão, outro conjunto de bloqueios está relacionado às obras do Novo Inter 2. A programação inclui intervenções nas vias lentas e, posteriormente, trabalhos na canaleta exclusiva de ônibus, com previsão de bloqueio das faixas por cerca de 90 dias, dependendo das condições climáticas.


As obras fazem parte de uma transformação mais ampla da infraestrutura de transporte da cidade. O BRT Leste-Oeste também avançou em áreas próximas à Rodoferroviária e à Praça Eufrásio Correia, com intervenções em pavimentação, drenagem, calçadas e estações-tubo.

O benefício esperado é relevante, mas o custo temporário para o cidadão também precisa entrar na conta. Cada grande obra produz desvios, congestionamentos e mudanças de rotina antes de entregar seus benefícios. Transparência sobre cronogramas, alternativas de trajeto e cumprimento dos prazos deveria ser tratada como parte da própria obra.


Prefeitura prepara nova pesquisa sobre transporte público


Em meio às intervenções, a Urbs anunciou a terceira edição da pesquisa com passageiros do transporte coletivo. As entrevistas serão realizadas entre 14 e 25 de setembro, com possibilidade de extensão do período.


A pesquisa pode ser particularmente útil neste momento, porque Curitiba está simultaneamente modificando corredores, estações e vias utilizadas pelos ônibus. A percepção do usuário precisa entrar na avaliação das mudanças, especialmente em questões como tempo de viagem, lotação, frequência, conforto e integração.


O transporte coletivo continua sendo uma das principais vitrines históricas de Curitiba. Justamente por isso, não basta preservar a reputação construída no passado. O sistema precisa responder às necessidades de quem utiliza ônibus todos os dias e enfrenta uma cidade cada vez mais extensa e congestionada.


Rua 24 Horas completa 35 anos e recupera espaço no imaginário curitibano


Nem tudo na semana esteve relacionado a problemas ou disputas. Um dos símbolos mais conhecidos da cidade, a Rua 24 Horas, completou 35 anos neste sábado (12). A programação de aniversário inclui atrações culturais, exposição de fotografias históricas e distribuição de mudas nativas.


Inaugurada na gestão do então prefeito Jaime Lerner, a estrutura tornou-se um dos cartões-postais de Curitiba. O aniversário também oferece uma oportunidade para discutir o papel dos espaços tradicionais da cidade em uma época em que o comércio, a gastronomia e a ocupação urbana passam por profundas transformações.


Preservar símbolos urbanos não significa congelar a cidade no tempo. O desafio é fazer com que esses lugares continuem vivos, frequentados e economicamente relevantes.


A semana que mostrou duas Curitibas


Os acontecimentos dos últimos dias expõem uma cidade com duas faces. De um lado, Curitiba aparece como palco de uma eleição presidencial cada vez mais intensa, recebe grandes eventos políticos e avança em projetos de infraestrutura. De outro, continua enfrentando questões prosaicas que determinam a qualidade de vida: filas na saúde, trânsito, chuvas, acesso ao comércio e transporte público.


É justamente nessa distância entre o grande discurso e a vida cotidiana que a administração pública precisa ser julgada.


Uma obra anunciada não é necessariamente uma obra entregue. Uma fila reduzida não significa atendimento perfeito. Um grande evento político não pode ignorar o comerciante que depende da Rua XV para pagar seus funcionários. E uma cidade reconhecida pela qualidade do transporte não pode se acomodar diante dos problemas enfrentados diariamente pelos passageiros.


A Curitiba que interessa ao cidadão é aquela que aparece quando ele sai de casa pela manhã, pega um ônibus, leva o filho à escola, enfrenta o trânsito, procura atendimento médico, abre sua loja e volta para casa. É nessa rotina, muito mais do que nos palanques, que os resultados da administração pública aparecem.


A semana termina com uma eleição nacional ocupando a paisagem da cidade, obras redesenhando avenidas e a chuva lembrando que infraestrutura não é assunto abstrato. Curitiba segue em transformação. A pergunta que fica para as próximas semanas é se esse movimento produzirá uma cidade mais eficiente para quem vive nela — ou apenas uma cidade com mais obras, eventos e anúncios.


Edição: Marcos Paulo Assis📧 marcos@paranashop.com.br

Esta reportagem foi produzida com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com apuração complementar, revisão, checagem e edição humana, seguindo os padrões editoriais do Paranashop.

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