Salmão chileno fica mais caro no Brasil após bloqueio nos Andes e pressão logística
- Editor Paranashop

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Fechamento prolongado de importante passagem entre Chile e Argentina afetou o transporte rodoviário e ajudou a manter elevados os preços do pescado destinado ao mercado brasileiro

O preço do salmão chileno vendido ao Brasil sofreu pressão nas últimas semanas, e um dos principais fatores foi a dificuldade logística na travessia dos Andes. A passagem internacional Cristo Redentor, uma das principais rotas terrestres entre Chile e Argentina, ficou fechada por 34 dias devido a fortes nevascas e ventos intensos, reabrindo nesta terça-feira (18). O bloqueio deixou centenas de caminhões retidos e comprometeu o fluxo de mercadorias pela região.
Para o mercado brasileiro de salmão, o problema teve efeito direto. Publicações especializadas do setor já apontavam no início de agosto que os preços do salmão chileno destinado ao Brasil permaneciam elevados porque as nevascas nos Andes continuavam afetando os embarques via Argentina.
Transporte terrestre é estratégico para o mercado brasileiro
Boa parte do salmão chileno destinado ao Brasil utiliza rotas terrestres que atravessam a Cordilheira dos Andes. Quando há fechamento de passagens por neve, gelo ou ventos fortes, a cadeia logística fica mais lenta e cara.
O resultado pode aparecer rapidamente nos preços praticados por importadores, distribuidores, supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos que compram o pescado fresco.
A reabertura do Cristo Redentor tende a melhorar gradualmente o fluxo, mas o congestionamento acumulado durante mais de um mês pode impedir uma normalização imediata.
Brasil é um dos principais compradores do salmão do Chile
O Brasil ocupa posição estratégica para a indústria chilena de salmão. No primeiro semestre de 2026, o país importou 85.945 toneladas do produto, movimentando aproximadamente US$ 519 milhões. No mesmo período de 2025, haviam sido 74.910 toneladas e US$ 473 milhões.
Os dados mostram um aumento de aproximadamente 15% no volume enviado ao mercado brasileiro.
Dados oficiais do ProChile também mostram que Brasil, Estados Unidos e Japão estão entre os principais destinos do salmão e da truta chilenos. No primeiro semestre, as exportações do setor destinadas ao Brasil movimentaram cerca de US$ 520 milhões, avanço de 9,8% em relação ao mesmo período anterior.
Alta não significa falta de produção no Chile
Apesar da pressão recente sobre os preços no Brasil, os dados do comércio exterior chileno mostram que o país aumentou significativamente seus embarques de salmão.
No primeiro semestre de 2026, o Chile exportou aproximadamente 441 mil toneladas, crescimento de 15,5% na comparação com igual período de 2025. O valor exportado cresceu 7,3%, para US$ 3,506 bilhões.
Isso indica que a alta recente observada no mercado brasileiro não pode ser atribuída simplesmente a uma redução geral das exportações chilenas. O gargalo logístico ocorrido nos Andes aparece como um fator importante para explicar a pressão pontual sobre os preços destinados ao Brasil.
Clima extremo afetou a principal passagem
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, o fechamento do túnel Cristo Redentor foi o mais longo registrado recentemente, superando uma interrupção de 26 dias ocorrida em 2023. A região enfrentou fortes nevascas e ventos associados às condições climáticas atuais no continente.
Com a liberação da passagem, caminhões que estavam parados começaram a retomar o deslocamento. No entanto, filas e mercadorias acumuladas ao longo das últimas semanas ainda podem pressionar a logística no curto prazo.
Quando o preço pode começar a cair?
A reabertura da rota é um sinal positivo para importadores brasileiros, mas a queda dos preços não necessariamente será imediata.
Distribuidores ainda precisam absorver estoques comprados com custo mais alto, reorganizar entregas e normalizar o fluxo de caminhões. Além disso, câmbio, demanda e custos de transporte também influenciam o preço final do salmão no Brasil.
A tendência é que o mercado acompanhe os próximos dias para avaliar se a retomada logística será suficiente para aliviar os preços praticados no atacado.
Fontes: Reuters, ProChile, Salmon Business, Fish Farming Expert e Undercurrent News.



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