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O bilinguismo no século XXI

  • Foto do escritor: Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
    Marcos Paulo Assis, editor — com apoio de IA
  • 10 de dez. de 2018
  • 4 min de leitura

Dominar uma segunda língua - no caso 

o

 inglês, atualmente utilizado entre falantes de outros idiomas para se comunicarem no mundo - traz amplos benefícios, especialmente ligados ao cérebro e a habilidades essenciais do século XXI: pensamento crítico, competências comunicativas, colaborativas, criativas e diversidade cognitiva. Saímos do modelo do canto em uníssono (uniformidade) e entramos para a prática do canto em harmonia (diversidade).

Transitar por duas línguas, além de dispensar intérpretes, tem efeito profundo no modo como pensamos e agimos. 

O

aprimoramento cognitivo é apenas 

o

 primeiro passo. Memórias, valores e até a personalidade podem se modificar dependendo da língua que usamos, como se 

o

 cérebro bilíngue abrigasse duas mentes autônomas. Apesar de tamanha importância, isso foi ignorado por muito tempo e só recentemente recebeu a relevância merecida. Muitos pesquisadores expõem as vantagens de um bilíngue em comparaçã

o

 a um monolíngue, como 

o

 adiamento de futuras demências, maior compreensã

o

 de culturas diversas e a oportunidade de expor ideias de outras formas. A experiência intelectual da pessoa com dois sistemas linguísticos amplia sua flexibilidade mental e produz um leque superior na formaçã

o

 e expressã

o

 de conceitos, pois 

o

 cérebro bilíngue está sempre ativo nas duas línguas e 

o

 exercício de eleger uma e nã

o

 a outra fortalece a mente.

Aprender uma língua adicional, contudo, exige concentraçã

o

 e dedicaçã

o

 para quem nã

o

 teve a oportunidade de vivenciá-la naturalmente, como nos casos de 

bilinguismo

 precoce, em que a família herda essa outra língua e a utiliza cotidianamente ou desde muito cedo. No 

bilinguismo

 tardio, quando 

o

 contato com essa segunda língua acontece depois de a primeira estar estabelecida, há um caminho mais árduo a ser trilhado, pois é aí que teremos de estudar essa língua e nã

o

 apenas adquiri-la natural e espontaneamente. E nã

o

 é fácil ter de recodificar novamente tudo 

o

 que já sabemos na língua 1, pois temos de erguer um novo edifício em que suas estruturas sã

o

 a nova gramática, suas janelas 

o

 novo vocabulário e seus acessos a pronúncia diversa de sons que muitas vezes desconhecemos. Quando uma criança inicia essa construçã

o

 precoce, 

o

 prédio 1 (língua materna) e 

o

 prédio 2 (língua adicional) sã

o

 parte de um mesmo condomínio e esse processo é mais harmônico, natural. Por isso a educaçã

o

 bilíngue, a que acontece em colégios, funciona muito bem quando iniciada desde os anos iniciais e de forma correta.

Mas atençã

o

Bilinguismo

 nã

o

 significa um par de aulas semanais a mais de inglês no currículo. Além de encontros adicionais de inglês, há que se ofertar outras atividades e disciplinas em inglês, com profissionais fluentes e capacitados para promover e ampliar esse aprendizado. Como consequência natural, 

o

 estudante começa a apresentar um nível maior de concentraçã

o

como forma de se adaptar rapidamente a contextos desconhecidos e passa, entã

o

, a avaliar e tomar decisões mais assertivas, como 

o

 que vai falar em seguida, como reagir, interpretar e assim por diante. 

O

 cérebro processará esses estímulos com mais agilidade, escolhendo 

o

 sistema linguístico mais adequado às suas necessidades naquele momento. E é aí que entra em açã

o

o

 lobo frontal, que é 

o

 centro das funções executivas do cérebro, habilidades que nos ajudam a focar concomitantemente em múltiplos fluxos de informaçã

o

, monitorar erros, tomar decisões com base nas informações disponíveis, rever planos e resistir à tentaçã

o

 de deixar a frustraçã

o

 nos conduzir a ações precipitadas.

Outra vantagem competitiva, e talvez a mais óbvia, de ser bilíngue, atualmente, sã

o

 as oportunidades que temos ao dominar um outro idioma. Afinal, em mercados de trabalho cada vez mais concorridos, é imprescindível ter um excelente domínio dessa língua adicional para se destacar da concorrência. E a avaliaçã

o

 dessa habilidade pode ser feita por meio de certificados de proficiência, análise de histórico escolar com mais horas de aulas de/em inglês ou por testes e entrevistas práticas para atestar se 

o

 domínio de fato existe.

Outro aspecto que se desenvolve especialmente em alunos bilíngues é a habilidade de compreensã

o

. Cada língua tem suas expressões, formas de construçã

o

 gramatical e até mesmo linhas de raciocínio diferentes. Por isso, os discursos oral e escrito acabam sendo elaborados de outra forma, com características distintas: em inglês, as ideias costumam ser mais objetivas e concisas, fazendo com que, pela síntese, possamos expressar mais sucintamente 

o

 que queremos. Perceber as particularidades de cada língua, para compreender com exatidã

o

 a mensagem que se quer passar, as intenções subliminares, características intrínsecas e linha de raciocínio, faz parte desse lindo processo.

Ser bilíngue significa também expandir as formas de se conectar com 

o

 mundo porque nos comunicamos para interagir com outras pessoas nessa era totalmente interconectada, com mais oportunidades de viagem, trabalho e estudo. E para garantir essa comunicaçã

o

 efetiva, aspectos culturais também devem ser levados em consideraçã

o

, já que a língua reflete particularidades sociais de seus falantes. Nesses contextos, 

o

 falante bilíngue se relacionará melhor com as pessoas de culturas diversas compreendendo 

o

 que está inerte à sua fala e intençã

o

, tornando a comunicaçã

o

 mais ampla e próxima. Uma coisa é certa: dominar uma outra língua em conjunto com habilidades essenciais para agir no século XXI é a chave para 

o

 que 

o

 futuro nos apresenta, ampliando as escolhas pessoais e profissionais.

 
 
 

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